O mercado financeiro brasileiro vive um momento de expectativa crescente diante da possibilidade de o Banco Central iniciar um novo ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, ainda em 2025. Atualmente em 15% ao ano, a Selic pode começar a cair nos últimos meses do ano, embalada por sinais de inflação controlada, valorização do real e crescimento moderado da economia. Esse cenário tem movimentado investidores e aquecido os papéis de empresas mais sensíveis aos juros, como Raízen (RAIZ4), Magazine Luiza (MGLU3) e Energisa (ENGI11).
Selic em baixa: veja 10 empresas favorecidas por juros menores
A expectativa de corte na Selic em 2025 impulsiona ações como Raízen, Magazine Luiza e Energisa. Saiba mais!
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Queda dos juros pode começar entre o fim de 2025 e início de 2026
Boletim Focus aponta IPCA mais comportado
Segundo o Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central, a inflação medida pelo IPCA deve encerrar 2025 em 5,09%, valor próximo ao teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A desaceleração da inflação, aliada a um cenário de crescimento econômico moderado, cria espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) começar a flexibilizar a política monetária.
Projeções de mercado apontam janela para cortes
Diversas casas de análise, incluindo o Citi, apontam que os cortes podem começar no quarto trimestre de 2025 ou no início de 2026. O ritmo dependerá do comportamento da inflação de serviços, do câmbio e do cenário externo, especialmente da política monetária nos Estados Unidos.
Empresas que mais se beneficiam de cortes na Selic
A redução da Selic impacta diretamente os custos financeiros de empresas altamente endividadas ou com dívidas atreladas ao CDI, índice que acompanha a taxa básica. O banco Citi listou empresas com potencial de crescimento expressivo no lucro líquido caso a Selic recue 1 ponto percentual, de 15% para 14%.
Raízen (RAIZ4): Lucro pode saltar 45%
Com grande parte de sua dívida indexada a juros, a Raízen, empresa do setor sucroenergético controlada pela Cosan, lidera o ranking com um potencial de alta de 45% no lucro líquido. O analista Gabriel Barra, do Citi, destaca que a companhia tem enfrentado dificuldades para reduzir sua alavancagem, e a queda dos juros seria um alívio imediato nos custos de financiamento.
Magazine Luiza (MGLU3): Crescimento de 19,3% no lucro
A varejista Magazine Luiza, uma das mais conhecidas da bolsa, pode registrar aumento de quase 20% nos lucros com a redução da Selic. Juros mais baixos facilitam o acesso ao crédito ao consumidor, impulsionam as vendas parceladas e aquecem o varejo, especialmente de bens duráveis como eletrodomésticos.
Energisa (ENGI11): Benefício com dívida indexada ao CDI
A concessionária Energisa, que possui 73% de sua dívida atrelada ao CDI, pode ver o lucro líquido crescer 13,6%, segundo o Citi. O setor elétrico, em geral, se beneficia com custos financeiros menores e tende a captar mais investimentos em infraestrutura em ciclos de juros baixos.
Outras empresas que devem se beneficiar
- Camil (CAML3): +14,8%, impulsionada pelo consumo doméstico.
- Cosan (CSAN3): +27%, reflexo de sua exposição ao setor energético.
- Auren (AURE3): +20,2%, favorecida pela estrutura de capital eficiente.
- Ânima (ANIM3): +28,3%, com ganhos no setor educacional.
- Movida (MOVI3): +24,2%, impulsionada pela demanda por locação.
- Vamos (VAMO3): +13,3%, beneficiada pela locação de máquinas.
- Yduqs (YDUQ3): +12,8%, refletindo o acesso facilitado ao ensino superior.
Setores que se destacam com juros menores
Varejo e consumo discricionário
O corte na Selic favorece diretamente o setor varejista, especialmente as empresas com operações de e-commerce, como Magazine Luiza e Via (VIIA3). Financiamentos mais baratos aumentam a capacidade de consumo das famílias e tornam os parcelamentos mais acessíveis.
Construção civil e imobiliário
A construção civil também deve ganhar força com a redução dos juros. Com financiamentos habitacionais mais baratos, cresce a demanda por imóveis residenciais, beneficiando construtoras como MRV (MRVE3) e Cyrela (CYRE3).
Educação
O setor educacional, representado por empresas como Ânima e Yduqs, pode registrar forte recuperação. O custo de captação das instituições diminui, e os estudantes têm maior acesso a financiamentos estudantis.
Locação e mobilidade
Empresas como Movida e Vamos, do setor de locação de veículos e máquinas, tendem a registrar aumento da demanda. A maior oferta de crédito estimula a substituição de frota e contratos de leasing.
Inflação, câmbio e consumo sustentam o otimismo

IPCA e IPCA-15 mostram desaceleração
Em junho de 2025, o IPCA acumulado em 12 meses foi de 5,35%, enquanto o IPCA-15 de julho sinalizou desaceleração. Esse movimento indica que o pico da inflação pode ter ficado para trás, o que dá margem para cortes na Selic.
Valorização do real
O real se valorizou 8,2% entre dezembro de 2024 e abril de 2025, o que ajuda a conter os preços dos produtos importados e alivia a inflação de custos, principalmente em setores como alimentos, combustíveis e tecnologia.
Emprego e renda fortalecem o consumo
O mercado de trabalho aquecido, com taxas de desemprego em mínimos históricos, garante massa salarial em expansão e consumo interno resiliente — fator crucial para sustentar a recuperação econômica.
Impactos na renda fixa e renda variável
Menor atratividade da renda fixa
Com a queda da Selic, títulos como Tesouro Selic, CDBs pós-fixados e LCIs/LCAs perdem parte de sua atratividade. Isso deve provocar uma migração para a renda variável, elevando a demanda por ações e fundos imobiliários.
Ações endividadas devem liderar ganhos
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+311 mil seguidores
Empresas com alta alavancagem, como as listadas pelo Citi, tendem a registrar ganhos acima da média, pois a redução dos juros diminui suas despesas financeiras e melhora o lucro líquido.
Influência do cenário internacional
Queda do petróleo favorece custos no Brasil
O preço do barril de petróleo Brent caiu para US$ 62 em maio de 2025, o que reduz os custos de combustíveis e transporte no país. Isso impacta positivamente empresas de logística, aviação e transporte rodoviário.
Tarifas dos EUA geram incerteza
A política comercial dos EUA, com novas tarifas sobre produtos brasileiros, adiciona risco ao cenário. Commodities e manufaturados podem sofrer, exigindo cautela nas decisões do Copom.
Juros americanos ainda elevados
O Federal Reserve mantém sua taxa entre 4,25% e 4,50%, o que restringe espaço para cortes mais agressivos no Brasil, devido ao risco de fuga de capitais e pressão sobre o câmbio.
Estratégias para investidores
Diversificação é essencial
A orientação dos analistas é clara: diversifique a carteira, equilibrando ações sensíveis à Selic com ativos de renda fixa de longo prazo. Empresas com fundamentos sólidos e geração de caixa constante são as mais indicadas.
Avalie indicadores financeiros
Priorize companhias com alto endividamento, mas boa gestão financeira, pois elas tendem a se beneficiar mais diretamente da redução de juros.
Olhe para o médio e longo prazo
Os efeitos da queda da Selic não são imediatos. O impacto pleno nas empresas pode levar 12 a 18 meses, exigindo paciência e visão estratégica do investidor.
O que esperar das próximas reuniões do Copom

Na última reunião do Copom, em julho de 2025, o comitê optou por manter a Selic em 15% ao ano, adotando uma postura de cautela. A próxima decisão, marcada para setembro, será decisiva.
A depender da evolução dos indicadores de inflação e atividade econômica, o Copom pode sinalizar o início do ciclo de cortes, o que daria novo fôlego aos mercados e aumentaria o apetite por risco.
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