O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou na quarta-feira (13 de agosto de 2025) que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será instalada oficialmente na próxima semana. A medida marca o início de uma apuração ampla sobre suspeitas de irregularidades que vêm impactando diretamente a estrutura da Previdência Social brasileira.
Instalação da CPI do INSS acontece na próxima semana, diz Alcolumbre
Alcolumbre confirma instalação da CPMI que investigará fraudes no INSS. Comissão será presidida por Aziz e terá 30 membros do Congresso.
A criação da CPMI, embora aprovada desde junho, aguardava definição da data para instalação. Com a convocação, o colegiado passará a funcionar com poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, podendo convocar testemunhas, requisitar documentos e tomar depoimentos.
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Composição e liderança da comissão
Omar Aziz será o presidente da CPMI
O senador Omar Aziz (PSD-AM), que já presidiu a CPI da Pandemia em 2021, foi indicado para liderar os trabalhos como presidente da nova comissão. A escolha foi articulada nos bastidores por lideranças partidárias com o objetivo de garantir experiência e condução equilibrada nas investigações.
A relatoria da CPMI, por sua vez, será definida no dia da instalação da comissão, a ser realizada em reunião conjunta no Congresso Nacional.
Comissão terá 30 membros
A CPMI será composta por 30 parlamentares, sendo 15 senadores e 15 deputados federais, distribuídos proporcionalmente ao tamanho das bancadas no Congresso. A formação inclui representantes de partidos da base governista, da oposição e de legendas independentes.
Entre os signatários que apoiaram a criação da comissão, há nomes de peso da oposição e também parlamentares que vêm denunciando supostas fraudes no INSS em plenário, audiências públicas e comissões temáticas.
Escopo da investigação
Fraudes em benefícios e aposentadorias estão no foco
A CPMI terá como missão apurar possíveis fraudes no pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios previdenciários. As suspeitas envolvem a concessão irregular de aposentadorias, recebimentos duplicados, existência de beneficiários inexistentes (os chamados “benefícios fantasmas”) e desvio de recursos na estrutura do INSS.
O requerimento de criação da comissão justifica a necessidade de investigação diante do número crescente de denúncias envolvendo:
- Cadastros fraudulentos no sistema do INSS;
- Intermediários que atuam para burlar exigências legais;
- Uso de documentos falsos para obtenção de benefícios;
- Concessões aceleradas com indícios de corrupção;
- Pagamentos indevidos a pessoas já falecidas.
A expectativa é que a CPMI também avalie o funcionamento dos sistemas digitais do INSS, a atuação de servidores públicos, convênios com prefeituras e o papel de empresas privadas que operam no setor previdenciário.
Denúncias apontam prejuízos milionários
Estudos internos da própria Previdência, bem como levantamentos de órgãos de controle, indicam que as fraudes podem gerar prejuízos bilionários aos cofres públicos. Estimativas extraoficiais apontam que as irregularidades podem representar entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões por ano em perdas.
O objetivo da comissão é mapear esses esquemas e propor medidas legislativas para coibir fraudes futuras e aumentar a eficiência da máquina pública.
Participação do governo

Ministro da Previdência afirma que está pronto para depor
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, declarou estar à disposição da comissão para prestar esclarecimentos e contribuir com as investigações. “Será uma honra depor na CPMI. O governo tem total interesse em esclarecer qualquer dúvida e aprimorar os mecanismos de controle do INSS”, afirmou o ministro.
A pasta afirma ter adotado medidas de reforço na fiscalização desde o início do ano, incluindo a revisão de cadastros, auditorias internas e cooperação com o Tribunal de Contas da União (TCU).
Governo sinaliza apoio institucional
Nos bastidores, o Palácio do Planalto tem buscado demonstrar apoio institucional à CPMI, com o objetivo de não criar embaraços às investigações e reforçar o discurso de transparência e compromisso com a moralidade administrativa.
Apoio popular e repercussão política
Pressão por respostas após escândalos
A criação da CPMI ganhou força após a veiculação de reportagens e denúncias apontando a existência de esquemas organizados dentro e fora do INSS. A repercussão popular, especialmente nas redes sociais, aumentou a pressão sobre o Congresso para uma apuração mais profunda e independente.
O tema também entrou na pauta de diversas associações de servidores públicos, sindicatos e entidades de defesa dos aposentados, que cobram maior rigor no combate às fraudes e na valorização do INSS como instituição.
Disputa política marca formação da comissão
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Apesar do objetivo comum de investigar as irregularidades, a CPMI também reflete tensões políticas entre governo e oposição. Partidos oposicionistas têm usado o tema como plataforma de críticas à atual gestão, enquanto o governo tenta blindar seus principais nomes e evitar que a comissão seja instrumentalizada politicamente.
A relatoria será decisiva nesse ponto. Caso recaia sobre um nome da oposição, o tom da investigação pode se acirrar. Por outro lado, uma escolha consensual pode dar mais estabilidade aos trabalhos.
Como funciona uma CPMI
Poderes de investigação
As Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito são formadas por deputados e senadores e têm poderes equivalentes aos de uma investigação judicial. Elas podem:
- Convocar autoridades para depoimentos;
- Solicitar quebra de sigilos bancários e fiscais (com autorização judicial);
- Requisitar informações de órgãos públicos e privados;
- Acessar documentos sigilosos mediante autorização;
- Encaminhar provas e relatórios ao Ministério Público, Polícia Federal e Tribunais de Contas.
As sessões da CPMI podem ser públicas ou reservadas, a depender do conteúdo analisado.
Prazo e relatório final
A CPMI tem prazo inicial de 120 dias para funcionamento, com possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. Ao final, os parlamentares apresentarão um relatório com:
- Conclusões das investigações;
- Indiciamentos (se cabíveis);
- Propostas legislativas e recomendações administrativas.
O relatório pode servir como base para ações judiciais e modificações legais com impacto direto na estrutura do INSS.
O que esperar dos próximos passos

A instalação oficial da comissão está prevista para ocorrer na próxima semana, em sessão a ser convocada por Alcolumbre. Na reunião, além da escolha do relator, será definido o cronograma inicial de atividades, incluindo requerimentos de informação, primeiros depoimentos e composição das subcomissões temáticas.
A expectativa é que as primeiras audiências públicas comecem ainda em agosto. A convocação do ministro da Previdência deve ser uma das primeiras medidas a ser analisada.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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