A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS volta a se reunir nesta quinta-feira (17) para votar uma pauta explosiva: a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A comissão também analisará a quebra de sigilos do ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e o pedido de prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindnapi, acusado de liderar um esquema de cobranças indevidas contra aposentados.
Frei Chico na mira: entenda por que o irmão de Lula pode ser chamado a depor na CPMI
CPMI do INSS vota convocação de Frei Chico, irmão de Lula, e quebra de sigilos de Carlos Lupi. Comissão investiga desvio bilionário no Sindnapi.
A reunião está marcada para as 9h, com mais de 100 requerimentos em pauta, numa escalada de tensões que vem se intensificando após a revelação de um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo entidades conveniadas ao INSS, como a própria Conafer.
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A convocação de Frei Chico: disputa política e impacto institucional
Apesar de não ser formalmente investigado, o nome de Frei Chico, irmão do presidente Lula, entrou no centro da crise após ser apontado como vice-presidente do Sindnapi, entidade envolvida nas denúncias de desvio de recursos e descontos irregulares em aposentadorias e pensões. A oposição pretende aprovar sua convocação formal para que ele preste esclarecimentos à CPMI, principalmente sobre:
- O crescimento exponencial da arrecadação do sindicato, que passou de R$ 23 milhões em 2020 para R$ 154 milhões em 2024;
- A estrutura interna da entidade e sua relação com empresas terceirizadas ou conveniadas;
- A eventual participação ou conhecimento sobre os contratos firmados com o INSS.
A base governista, por sua vez, articula nos bastidores para barrar a convocação, sob o argumento de que não há indícios contra o irmão do presidente. No entanto, há forte pressão de parlamentares independentes e da oposição para dar prosseguimento à investigação.
“Queremos entender por que os aposentados estão sendo explorados e se houve omissão ou participação de pessoas influentes no esquema”, afirmou o relator Alfredo Gaspar (União-AL).
R$ 390 milhões bloqueados por ordem do STF
O clima na CPMI esquentou ainda mais depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de cerca de R$ 390 milhões em bens do Sindnapi. A decisão foi tomada após relatórios da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) apontarem indícios de desvios sistemáticos praticados ao longo de anos, com base em descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas.
Entre os alvos estão empresas e dirigentes ligados ao Sindnapi e à Conafer, suspeitas de firmar convênios sem fiscalização efetiva e de usar entidades de fachada para recolher mensalidades sem autorização expressa dos segurados.
A medida judicial causou impacto direto nas atividades do sindicato, que passou a ser alvo de intervenção administrativa e protestos de aposentados em diversos estados.
Carlos Lupi na mira da CPMI: quebra de sigilos e pressão por explicações
Outro ponto central da pauta desta quinta-feira é o requerimento de quebra de sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT). Lupi deixou o cargo recentemente, mas é apontado por parlamentares da oposição como figura-chave na estrutura que permitiu o funcionamento dos convênios investigados.
A comissão quer saber se houve negligência, conivência ou favorecimento às entidades envolvidas, durante sua gestão à frente da pasta. Embora o requerimento não implique culpa, a aprovação da medida pode abrir caminho para uma convocação direta de Lupi nas próximas semanas.
Pedido de prisão de Milton Baptista: o homem forte do Sindnapi
O requerimento mais controverso da sessão será a votação do pedido de prisão preventiva de Milton Baptista de Souza Filho, presidente do Sindnapi. Apontado como líder do esquema pela Polícia Federal e pelo relator da CPMI, Milton Baptista é acusado de:
- Criar estruturas paralelas de arrecadação, com empresas que atuavam como intermediárias na cobrança de mensalidades;
- Assinar contratos lesivos com o INSS e outras entidades, sem transparência nem autorização dos associados;
- Ter sido alertado diversas vezes sobre irregularidades, mas não tomar nenhuma providência para corrigi-las.
“Não se trata de erro administrativo. Estamos diante de um esquema montado para enriquecer às custas dos aposentados. E o presidente do sindicato precisa responder por isso”, disse Alfredo Gaspar.
Cícero Marcelino e o papel da Conafer
A comissão também deve ouvir o depoimento de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais). Segundo as investigações, a Conafer teria intermediado parcerias irregulares com o INSS, utilizando associações de fachada para aplicar descontos não autorizados nos benefícios.
A Polícia Federal identificou que Cícero atuava como elo entre os gestores da entidade e os servidores do INSS, com acesso a contratos e sistemas internos.
Avanço das investigações: esquema bilionário contra aposentados
Desde que foi instalada, a CPMI do INSS vem reunindo uma série de documentos, depoimentos e quebras de sigilo que revelam a complexidade e o alcance nacional do esquema de cobranças ilegais.
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Entre as irregularidades já identificadas:
- Descontos de mensalidades associativas sem consentimento dos aposentados;
- Utilização de dados sigilosos obtidos de forma irregular;
- Criação de entidades “fantasmas” para driblar a fiscalização do INSS;
- Fraudes em contratos de consignação, com valores multiplicados em poucos anos.
O Ministério Público Federal, a CGU e o Tribunal de Contas da União também acompanham os desdobramentos do caso, que pode resultar em ações penais e civis contra os envolvidos.
Reação do Planalto: cautela e articulação
Embora o Palácio do Planalto não tenha se manifestado oficialmente sobre a CPMI, o avanço da investigação com nomes ligados ao entorno do presidente Lula gera preocupação nos bastidores. Segundo fontes próximas ao governo, a base aliada atuará para:
- Evitar convocações de impacto político, como a de Frei Chico;
- Blindar ministros e ex-ministros com apoio parlamentar;
- Encaminhar um contra-relatório, caso o relator apresente parecer com viés político.
Apesar disso, a oposição promete intensificar os trabalhos da comissão, aproveitando o desgaste causado pelo escândalo para pressionar o governo e desgastar politicamente o PT às vésperas das eleições municipais de 2026.
O que esperar dos próximos passos da CPMI

A reunião desta quinta-feira pode definir o rumo final da CPMI do INSS, com possível convocação de membros próximos ao governo, avanço sobre autoridades que ocuparam cargos na Previdência, e até mesmo encaminhamentos ao Ministério Público e à Justiça.
Próximos passos possíveis:
- Votação de novos pedidos de convocação e quebra de sigilos
- Elaboração de um relatório preliminar
- Encaminhamento de pedidos de indiciamento
- Ampliação da investigação para novas entidades conveniadas ao INSS
Imagem: Reprodução/Instituto Lula
