Para muitas famílias brasileiras em situação de vulnerabilidade, o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) representa muito mais do que um local para atualização de cadastro em programas sociais. Na prática, essas unidades funcionam como porta de entrada para oportunidades, qualificação e fortalecimento da autonomia financeira.
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História mostra como apoio do CRAS ajudou beneficiária do Bolsa Família a transformar talento em fonte de renda.
A história de Eliana Santos Almeida, de 50 anos, mostra como esse apoio pode transformar vidas. Moradora de Salvador (BA), ela passou por uma mudança profunda em sua trajetória profissional após receber incentivo do CRAS do Bairro da Paz durante uma atualização cadastral do programa Bolsa Família.
O que começou como uma atividade terapêutica durante a pandemia acabou se tornando sua principal fonte de renda. Hoje, Eliana vive exclusivamente da produção de artesanato em crochê, especialmente na técnica conhecida como amigurumi.
A experiência evidencia como políticas públicas de assistência social, quando bem aplicadas, podem ir além da transferência de renda e estimular o empreendedorismo entre pessoas em situação de vulnerabilidade.
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O papel do CRAS na transformação social
Os Centros de Referência da Assistência Social fazem parte do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), política pública coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Essas unidades têm como objetivo principal oferecer acolhimento, orientação e acompanhamento às famílias em situação de vulnerabilidade social.
Serviços oferecidos pelo CRAS
Entre os principais serviços oferecidos pelos CRAS estão:
- orientação sobre programas sociais, como Bolsa Família
- atualização do Cadastro Único
- acompanhamento familiar por assistentes sociais
- encaminhamento para cursos e capacitações
- incentivo ao empreendedorismo e geração de renda
- acesso a benefícios eventuais
Segundo o governo federal, o CRAS atua na chamada “proteção social básica”, que busca prevenir situações de risco social antes que elas se agravem.
De diarista a artesã: a virada na vida de Eliana
Antes da mudança profissional, Eliana trabalhava como diarista. Apesar de reconhecer o valor da profissão, ela afirma que o trabalho exigia esforço físico intenso e não garantia uma renda satisfatória.
Durante a pandemia, começou a produzir peças de crochê apenas como passatempo e forma de aliviar o estresse.
O incentivo que mudou tudo
O ponto de virada aconteceu quando profissionais do CRAS a incentivaram a participar de uma feira de artesanato local.
A participação no evento abriu novas possibilidades.
“Eu fazia apenas para presentear amigos e familiares, mas fui incentivada a vender. Depois da primeira feira, não parei mais”, conta a artesã.
Hoje, Eliana produz principalmente bonecos em crochê utilizando a técnica de amigurumi, que se tornou bastante popular no mercado artesanal brasileiro.
Quanto ela ganha com o artesanato
Atualmente, a artesã vende em média 30 peças por mês. Os preços variam de acordo com o tamanho e a complexidade da peça.
Faixa de preços das peças
- peças menores: cerca de R$ 85
- peças médias: entre R$ 150 e R$ 200
- peças maiores ou personalizadas: até R$ 305
Entre os produtos mais procurados estão bonecos inspirados em figuras religiosas, como Nossa Senhora Aparecida, e modelos com estética Black Power.
A produção é feita em casa, enquanto as vendas acontecem principalmente em feiras e eventos realizados aos fins de semana.
Empreendedorismo feminino em comunidades vulneráveis
A experiência de Eliana reflete uma tendência crescente no Brasil: o empreendedorismo como alternativa de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), milhões de brasileiros utilizam habilidades manuais para gerar renda por meio de artesanato, culinária e serviços autônomos.
No caso de beneficiários de programas sociais, o incentivo ao empreendedorismo pode ajudar famílias a conquistar maior autonomia financeira.
Autoestima e independência
Para Eliana, o impacto do apoio recebido vai além da renda.
Ela afirma que o acompanhamento do CRAS ajudou a fortalecer sua autoestima e confiança.
“Eles mostram que somos capazes de construir nosso próprio caminho”, afirma.
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+311 mil seguidores
Agora, a artesã pretende ajudar outras mulheres que passam por dificuldades semelhantes.
Próximo passo: ensinar outras mulheres
Inspirada pela própria trajetória, Eliana planeja dar um novo passo: compartilhar seu conhecimento.
Ela já está em diálogo com a coordenação do CRAS do Bairro da Paz para oferecer oficinas de crochê voltadas às usuárias da unidade.
A iniciativa pretende ensinar técnicas de artesanato que podem ser transformadas em fonte de renda.
Esse tipo de ação reforça um dos pilares da assistência social moderna: não apenas oferecer apoio imediato, mas também estimular caminhos para que as famílias superem a vulnerabilidade social.
Como funcionam os CRAS em Salvador
A cidade de Salvador possui atualmente 28 unidades do CRAS distribuídas em diferentes bairros.
Esses centros são instalados estrategicamente em regiões com maior índice de vulnerabilidade social, garantindo acesso facilitado às famílias que mais precisam.
Entre as principais funções das unidades estão:
- acolhimento de famílias em situação de risco
- orientação sobre acesso a direitos sociais
- acompanhamento familiar contínuo
- encaminhamento para políticas públicas
Segundo a Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), o objetivo é construir estratégias que fortaleçam a autonomia das famílias e ampliem o acesso a serviços essenciais.
O impacto da assistência social na geração de renda
Casos como o de Eliana mostram que políticas públicas de assistência social podem ter efeitos duradouros quando combinam apoio financeiro, orientação e capacitação.
Programas como o Bolsa Família garantem renda básica, enquanto iniciativas realizadas pelos CRAS ajudam as famílias a desenvolver novas habilidades e oportunidades de trabalho.
Na prática, isso significa transformar histórias marcadas pela vulnerabilidade em trajetórias de autonomia, empreendedorismo e dignidade.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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