O mercado imobiliário da Baixada Santista passa por mudanças significativas em 2025.
Creci-SP revela queda nas vendas e aumento nas locações de imóveis na Baixada Santista
Vendas de imóveis caem quase 10% e locações sobem 45% na Baixada Santista. Financiamento e investimentos impactam o mercado.
Dados recentes do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP) apontam uma queda de quase 10% nas vendas de imóveis em maio, na comparação com abril, ao mesmo tempo em que as locações cresceram expressivos 45,85%.
Essa oscilação reflete uma conjuntura de ajustes no setor, impactada pelas condições de financiamento, além de investimentos locais que fortalecem o mercado de aluguel.
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Vendas de imóveis na Baixada Santista recuam quase 10%

Segundo o Creci-SP, as vendas caíram 9,97% em maio frente ao mês anterior, consolidando uma tendência de baixa que já acumula uma queda superior a 55% no ano.
Essa retração é atribuída principalmente às dificuldades do consumidor em obter financiamento imobiliário e ao reajuste dos preços dos imóveis, que tem levado os compradores a postergar ou buscar alternativas.
Perfil dos imóveis vendidos
No mês analisado, os apartamentos representaram 65% das vendas, enquanto as casas responderam por 35%.
A preferência segue por imóveis com dois dormitórios, área útil de até 100 metros quadrados, e preços médios em torno de R$ 300 mil. Essa faixa indica um mercado que ainda busca equilíbrio entre custo e conforto.
Distribuição geográfica das vendas
- 39,7% nas regiões nobres
- 38% nas áreas periféricas
- 22,3% na região central
A distribuição mostra um mercado diversificado, com compradores tanto da classe média-alta, buscando qualidade de vida, quanto das classes econômicas mais modestas, que priorizam o preço acessível.
Formas de pagamento predominantes
- 37,5% dos imóveis foram pagos à vista
- 13,8% financiados pela Caixa Econômica Federal
- 26,3% financiados por outras instituições bancárias
- 20% das transações foram feitas diretamente com os proprietários
A porcentagem expressiva de pagamentos à vista pode indicar tanto investidores quanto compradores que fogem das burocracias do financiamento. Já os financiamentos tradicionais ainda enfrentam barreiras devido às taxas de juros e à análise de crédito mais rigorosa.
Mercado de locação cresce mais de 45%
Enquanto as vendas caem, o segmento de locações na Baixada Santista apresenta forte crescimento, com alta de 45,85% em maio. O Creci-SP aponta que fatores como investimentos em infraestrutura, turismo e logística têm impulsionado a demanda por imóveis para aluguel.
Características dos imóveis alugados
- Casas: 51% das locações
- Apartamentos: 49%
Assim como nas vendas, predominam imóveis com dois dormitórios, área útil de até 100 m². Os valores do aluguel ficam majoritariamente entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, o que demonstra que famílias buscam equilíbrio entre custo e conforto ao optar pela locação.
Garantias mais usadas nos contratos
- Depósito caução: 64,5%
- Seguro fiança: 21,1%
- Fiador tradicional: 2,6%
O depósito caução destaca-se como forma preferida, talvez pela facilidade e menor burocracia frente ao fiador ou seguro fiança.
Localização das locações
- 58,8% nas regiões periféricas
- 21,2% na região central
- 20% nas áreas nobres
Esse dado revela que a demanda por aluguel está mais concentrada em áreas onde o custo-benefício é mais atraente para os inquilinos.
Migração no perfil dos inquilinos
Dos locatários que deixaram seus imóveis, 50,6% optaram por se mudar para imóveis com aluguéis mais baixos, enquanto 14,5% buscaram opções mais caras, indicando movimentos variados conforme o poder aquisitivo e as prioridades pessoais.
Fatores que influenciam a queda nas vendas
Ajustes no mercado imobiliário e condições de financiamento
A desaceleração nas vendas pode ser associada à combinação de fatores econômicos, como aumento da taxa básica de juros (Selic), maior rigor nas exigências para concessão de crédito e inflação persistente, que afetam o poder de compra da população.
Financiamentos imobiliários, especialmente via Caixa Econômica Federal, têm se tornado menos acessíveis para parte dos consumidores, provocando uma retração no fechamento de negócios.
Além disso, a alta dos insumos da construção civil reflete-se nos preços finais dos imóveis, desestimulando compradores.
Concorrência e mudança no perfil do consumidor
Outro aspecto importante é o comportamento do consumidor, que tem buscado cada vez mais informações e comparações antes de comprar. A crise econômica e o aumento do desemprego também contribuem para maior cautela.
Por que o mercado de locação cresce?
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Investimentos em infraestrutura, turismo e logística
A Baixada Santista tem se beneficiado de investimentos públicos e privados em setores-chave, como transporte, saneamento, projetos turísticos e expansão portuária. Isso tem atraído trabalhadores temporários, estudantes e profissionais de outros estados, aumentando a demanda por imóveis alugados.
Flexibilidade e menor compromisso financeiro
O aluguel é uma opção mais flexível para quem está diante de incertezas econômicas ou mudanças de trabalho. A possibilidade de mudança rápida e o menor compromisso financeiro inicial tornam a locação atraente frente às dificuldades para financiar a compra.
Crescimento da economia local
A atividade econômica na região, especialmente relacionada ao Porto de Santos e ao turismo, tem aquecido o mercado de trabalho e movimentado o setor imobiliário, sobretudo a locação, para atender a necessidades temporárias e de curto prazo.
O que esperar para os próximos meses?
Projeções do Creci-SP para o mercado imobiliário na Baixada Santista
Especialistas indicam que o cenário de queda nas vendas pode se manter no curto prazo, enquanto o mercado de locações segue firme, sustentado pelos fatores estruturais da região. A tendência é que investidores passem a direcionar mais recursos para imóveis voltados à locação.
Possíveis impactos no mercado
A redução nas vendas pode desacelerar o ritmo de novos lançamentos imobiliários, impactando construtoras e fornecedores do setor. Já o aumento nas locações pode estimular melhorias em imóveis usados e em serviços relacionados, como administração e manutenção.
Desafios e oportunidades para o mercado imobiliário local

Necessidade de políticas públicas
Para equilibrar o mercado, especialistas defendem a criação de políticas públicas que facilitem o acesso ao crédito, reduzam custos de construção e incentivem a modernização da infraestrutura urbana.
Investimentos em inovação
O uso de tecnologias digitais para facilitar o processo de locação e venda, bem como a oferta de serviços personalizados, podem melhorar a experiência do consumidor e abrir novas oportunidades para o setor.
Considerações finais
O relatório do Creci-SP revela um cenário de transformações no mercado imobiliário da Baixada Santista em 2025, marcado por queda nas vendas e forte crescimento das locações.
Enquanto as condições econômicas e financeiras limitam o acesso à compra, investimentos locais e mudança no perfil dos consumidores favorecem a expansão do aluguel.
Esse movimento exige que construtores, corretores e investidores adaptem suas estratégias para atender às demandas emergentes, equilibrando a oferta com a nova realidade do mercado.
