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Consignado CLT: descubra se empréstimo nos grandes bancos é vantajoso

Crédito consignado com FGTS como garantia movimenta R$ 3,3 bilhões em duas semanas e atrai trabalhadores com carteira assinada.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
consignado clt

Uma nova modalidade de empréstimo criada pelo governo federal para atender trabalhadores com carteira assinada tem gerado forte movimentação no mercado financeiro. Chamada oficialmente de Crédito do Trabalhador, mas popularmente conhecida como Consignado CLT, a linha já soma R$ 3,3 bilhões contratados em apenas duas semanas, segundo dados do Ministério do Trabalho.

Lançado no fim de março, o programa foi estruturado com o objetivo de oferecer crédito com juros reduzidos, aproveitando a segurança do emprego formal e a possibilidade de uso do FGTS como garantia. A expectativa é de que o volume de contratos aumente ainda mais com a adesão de grandes bancos a partir do dia 25 de abril, incluindo Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Nubank e Santander.

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Imagem: Freepik e Canva

Como funciona o Consignado CLT?

O Consignado CLT é uma linha de crédito exclusiva para trabalhadores com carteira assinada, com parcelas descontadas diretamente na folha de pagamento e margem consignável limitada a 35% do salário.

A grande novidade é o uso parcial do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) como garantia da operação, o que reduz o risco de inadimplência para as instituições financeiras e, em tese, permite a oferta de taxas de juros mais atrativas.

Condições gerais:

  • Destinado a trabalhadores formais (com carteira assinada)
  • Disponível apenas na Carteira de Trabalho Digital
  • Parcelas descontadas diretamente no contracheque
  • Margem consignável de até 35%
  • FGTS utilizado como garantia parcial
  • Sem cobrança de tarifas adicionais
  • Sem carência para início dos pagamentos

Adesão por bancos digitais e tradicionais amplia alcance

O programa começou com adesão mais tímida, por meio de instituições menores e cooperativas, mas ganha escala com a entrada de grandes bancos a partir de 25 de abril. As instituições já estão integrando a nova linha de crédito em seus aplicativos e plataformas digitais, o que deve facilitar o acesso e ampliar o volume de operações.

A digitalização da contratação também reduz custos operacionais, o que, segundo o Ministério do Trabalho, pode contribuir para diminuir ainda mais as taxas cobradas do trabalhador.

FGTS como garantia: o que muda para o trabalhador?

Imagem: Freepik e Canva

Ao permitir que o trabalhador utilize parte do saldo do FGTS como garantia, o novo modelo se diferencia do crédito consignado tradicional oferecido a aposentados, pensionistas ou servidores públicos. A lógica é simples: se o trabalhador deixar de pagar, o banco pode usar o valor garantido pelo fundo para quitar o débito.

Vantagens:

  • Juros potencialmente menores
  • Acesso facilitado mesmo para quem tem restrições em outras linhas
  • Desconto direto em folha evita inadimplência

Limitações:

  • Uso do FGTS reduz a reserva para emergências ou demissão sem justa causa
  • Nem todos os empregadores estão integrados à plataforma
  • Exige atenção redobrada às condições do contrato

Segundo o economista Rubens Neto, da consultoria Crédito Popular, o uso do FGTS como atrativo é positivo, mas deve ser acompanhado de planejamento financeiro rigoroso. “É uma boa alternativa para quem está endividado com rotativo do cartão ou cheque especial, mas não pode ser encarado como solução automática. O crédito ainda é dívida e precisa caber no orçamento”, explica.

Regras de transparência obrigatória

Uma das exigências do governo para o funcionamento da linha é a total transparência nas condições da operação. De acordo com a regulamentação, o trabalhador deve receber de forma clara:

  • A taxa de juros aplicada
  • O valor total financiado, com e sem juros
  • Número total de parcelas
  • Valor de cada parcela
  • Data de início e término do desconto em folha
  • Custo Efetivo Total (CET)

Essas informações precisam estar explícitas no momento da contratação, tanto na Carteira de Trabalho Digital quanto nos aplicativos dos bancos.

Comparativo com outras modalidades de crédito

Em meio à alta dos juros do crédito rotativo e das linhas convencionais, o Consignado CLT surge como uma opção mais barata. Veja o comparativo de taxas médias com base nos dados do Banco Central (abril de 2025):

ModalidadeTaxa de Juros Média ao mês
Cartão de crédito rotativo14,4%
Cheque especial12,7%
Empréstimo pessoal não consignado5,9%
Crédito Consignado CLTEntre 1,5% e 2,3%

A diferença é expressiva, especialmente para quem está endividado em linhas mais caras. Ainda assim, o alerta dos especialistas é claro: não se deve trocar dívida sem planejamento.

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Quem pode contratar?

Para contratar o Consignado CLT, é preciso atender aos seguintes critérios:

  • Ter vínculo formal ativo (CLT)
  • Ter acesso à Carteira de Trabalho Digital (disponível para Android e iOS)
  • Trabalhar em empresa participante do programa
  • Ter margem consignável disponível
  • Aceitar o uso parcial do FGTS como garantia

A plataforma permite simulações, comparação entre ofertas de bancos e contratação direta, sem necessidade de ir presencialmente a uma agência.

Cuidados antes de contratar

Embora a promessa de juros mais baixos seja real, a decisão de contratar um empréstimo requer cautela. O economista Rubens Neto recomenda:

  • Avaliar se o empréstimo é realmente necessário
  • Simular o impacto das parcelas no orçamento mensal
  • Comparar ofertas de diferentes bancos
  • Verificar o CET (Custo Efetivo Total)
  • Evitar comprometer o FGTS sem uma finalidade estratégica

“É importante lembrar que, em caso de demissão sem justa causa, o FGTS é o principal colchão financeiro do trabalhador. Usá-lo como garantia significa abrir mão dessa segurança em nome de uma dívida. Precisa valer a pena”, conclui.

Perspectivas e expansão do programa

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Ministério do Trabalho considera o programa um marco para a inclusão financeira dos trabalhadores formais. A expectativa é de que, com o fortalecimento da oferta pelos grandes bancos, a linha ultrapasse R$ 10 bilhões em contratações até julho de 2025.

Além disso, já está em estudo a possibilidade de ampliar o uso do FGTS como instrumento de garantia para outras linhas de crédito, inclusive financiamento habitacional e educacional.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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