O Ministério da Fazenda anunciou na quinta-feira (9) a Portaria nº 2.276, que autoriza um subsídio federal para reduzir os juros em financiamentos destinados à compra de bens e serviços de tecnologia assistiva por pessoas com deficiência. O programa, que tem como objetivo ampliar a inclusão financeira e social, será operacionalizado pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.
Crédito para todos: governo abre linha para pessoas com deficiência
Governo lança programa com juros de 6% ao ano para financiar bens e serviços de tecnologia assistiva voltados a pessoas com deficiência.
As operações poderão ser contratadas até 30 de setembro de 2026, com taxas de juros fixas de 6% ao ano, valor consideravelmente abaixo das médias de mercado para crédito pessoal.
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Inclusão financeira como prioridade do governo

A nova portaria faz parte de uma estratégia mais ampla do governo federal para incentivar políticas públicas de inclusão e acessibilidade. Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca facilitar o acesso de pessoas com deficiência a produtos e serviços essenciais, como cadeiras de rodas motorizadas, aparelhos auditivos, softwares de acessibilidade, veículos adaptados, órteses e próteses.
Além do incentivo financeiro, o programa visa impulsionar o mercado de tecnologia assistiva, um setor que cresce rapidamente e que se tornou essencial para a autonomia de milhões de brasileiros.
O que é tecnologia assistiva
A tecnologia assistiva compreende um conjunto de produtos, equipamentos, dispositivos e recursos que auxiliam pessoas com deficiência em suas atividades diárias, promovendo independência, qualidade de vida e inclusão social.
Essas tecnologias incluem desde itens simples, como bengalas adaptadas e lupas, até sistemas complexos, como softwares de leitura de tela, impressoras em braile e próteses inteligentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 18 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência, o que reforça a importância de políticas públicas que garantam acesso equitativo a produtos e serviços que possam melhorar sua vida cotidiana.
Detalhes do crédito subsidiado
Taxa de juros e prazos
O crédito especial anunciado pela Fazenda tem condições diferenciadas em comparação com outros produtos financeiros do mercado.
- Taxa anual fixa: 6% ao ano
- Prazo máximo de financiamento: até 60 meses
- Valor máximo por operação: conforme avaliação de crédito do banco
- Período de contratação: até 30 de setembro de 2026
O governo também informou que parte dos custos com a redução dos juros será coberta por subsídio orçamentário, o que garante sustentabilidade fiscal ao programa sem repasse direto aos bancos participantes.
Instituições participantes
O crédito será oferecido exclusivamente pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, instituições com larga experiência em programas de fomento social e linhas de crédito subsidiadas.
Ambos os bancos deverão disponibilizar plataformas digitais para solicitação e acompanhamento dos financiamentos, facilitando o acesso ao público beneficiado.
Como solicitar o crédito
O processo de contratação será simplificado e poderá ser iniciado nas agências físicas ou pelos aplicativos oficiais dos bancos.
Passos para contratação
- Apresentar documento de identificação e comprovante de renda;
- Entregar laudo médico comprovando a deficiência;
- Apresentar orçamento ou nota proforma do bem ou serviço de tecnologia assistiva a ser adquirido;
- Passar por análise de crédito padrão da instituição.
Após aprovação, o valor será liberado diretamente para o fornecedor do equipamento ou serviço, evitando fraudes e garantindo o uso correto dos recursos.
Impacto esperado e projeções
O Ministério da Fazenda prevê que cerca de 100 mil pessoas possam ser beneficiadas até o final de 2026. A expectativa é que a medida gere um impacto positivo também no setor industrial e tecnológico, estimulando a produção nacional de equipamentos de acessibilidade.
Economistas apontam que o crédito subsidiado é uma forma de incentivo indireto à inovação, pois amplia a demanda por soluções adaptadas, levando empresas a investirem em pesquisa e desenvolvimento.
Avaliação de especialistas

Especialistas em inclusão social e acessibilidade celebraram a iniciativa. Para Fernanda Martins, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), o subsídio “representa um passo importante na democratização do acesso à tecnologia assistiva, que ainda é cara e inacessível para a maioria das famílias brasileiras”.
Segundo ela, “a taxa de 6% ao ano é bastante competitiva e permitirá que muitas pessoas possam adquirir dispositivos fundamentais para sua independência”.
Histórico de programas semelhantes
O Brasil já teve experiências anteriores de crédito voltado à acessibilidade, como o Programa Viver sem Limite, criado em 2011, que também buscava financiar produtos de apoio a pessoas com deficiência. Contudo, muitos desses projetos acabaram sendo descontinuados ou apresentavam taxas de juros elevadas.
Com a nova portaria, o governo pretende retomar e aprimorar essas políticas, garantindo maior transparência, segurança e controle social sobre os recursos investidos.
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Transparência e acompanhamento
O Ministério da Fazenda informou que haverá monitoramento periódico dos resultados do programa, com relatórios públicos sobre o número de beneficiários, volume de crédito liberado e impacto econômico e social.
Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) acompanharão a execução do subsídio para evitar irregularidades.
Perspectivas de longo prazo
A expectativa do governo é de que o programa sirva de base para políticas permanentes de crédito acessível, podendo futuramente incluir outras modalidades de financiamento, como reforma de imóveis para acessibilidade, adaptação de veículos e formação profissional de pessoas com deficiência.
O investimento também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, especialmente o ODS 10, que trata da redução das desigualdades, e o ODS 8, sobre trabalho decente e crescimento econômico.
Caixa e Banco do Brasil reforçam compromisso com a inclusão
Em nota, a Caixa Econômica Federal afirmou que o programa “reforça o papel social do banco público e amplia o acesso ao crédito de forma responsável e sustentável”.
Já o Banco do Brasil destacou que sua rede de agências está preparada para atender o público com deficiência e que investe continuamente em acessibilidade digital e física para todos os clientes.
Ambas as instituições afirmaram que parte do treinamento de seus funcionários será voltado a capacitar o atendimento humanizado e inclusivo.
Expectativa do mercado e dos consumidores

Para as empresas do setor de tecnologia assistiva, a portaria representa uma oportunidade de crescimento. Fabricantes nacionais de próteses, cadeiras motorizadas e softwares especializados devem ampliar a produção, gerando empregos e renda.
Já para os consumidores, o principal ganho está na redução do custo final dos produtos, que muitas vezes são importados e possuem valores elevados.
Conclusão
A Portaria nº 2.276/2025 sinaliza um avanço importante nas políticas de inclusão do governo federal. Ao oferecer crédito acessível e juros reduzidos, o programa não apenas facilita o acesso de pessoas com deficiência à tecnologia assistiva, mas também fortalece o compromisso do país com a igualdade de oportunidades e a cidadania plena.
O sucesso da iniciativa dependerá da eficiência dos bancos na operacionalização, da transparência na gestão dos recursos e do acompanhamento contínuo dos resultados. Se bem implementada, a medida poderá se tornar um modelo de política pública inclusiva e inspirar outras ações semelhantes no futuro.
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