Nos últimos anos, as mulheres vêm conquistando posições cada vez mais significativas no mundo dos negócios e, principalmente, no mercado financeiro. Um estudo realizado pelo banco UBS revela que o número de mulheres bilionárias aumentou consideravelmente, e que o poder financeiro delas também tem se expandido. No entanto, as disparidades de gênero ainda são um desafio a ser superado.
Mulheres ou homens? Saiba quem cuida melhor de dinheiro
As mulheres estão cada vez mais ricas e no mercado financeiro. Porém, ainda existem desigualdades como menor poupança e pouca liderança no setor.
Neste artigo, vamos explorar as principais conclusões desse estudo, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no mercado financeiro e as soluções possíveis para a equidade do gênero.
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O panorama atual das mulheres bilionárias

Segundo o relatório do UBS, o número de mulheres bilionárias no mundo é impressionante. Atualmente, existem 344 mulheres bilionárias que controlam cerca de US$ 1,7 trilhões em riqueza. Esse dado reflete um aumento específico na feminina no topo das finanças, mas ainda assim a presença de mulheres está longe de alcançar a paridade em termos de riqueza e influência no mercado financeiro.
Esses números indicam que, embora as mulheres estejam cada vez mais presentes na economia global, o poder de controle da riqueza ainda é dominado pelos homens. As mulheres controlam apenas 32% da riqueza privada global, um número que deve aumentar até 2030, principalmente nos Estados Unidos, onde as mulheres deverão controlar cerca de US$ 34 trilhões.
Perfil das investidoras: Mais cautelosas e cuidadosas
O estudo do UBS também destaca o perfil dos investidores, que se revelam mais cuidadosas e meticulosas em relação ao dinheiro. Enquanto muitos homens assumem posturas mais arrojadas, as mulheres, em sua maioria, adotam uma abordagem conservadora e estratégica em relação aos seus investimentos. A pesquisa apontou que as mulheres gastam mais tempo pesquisando sobre oportunidades de investimento e tendem a seguir planos mais estruturados, ao invés de tentar cronometrar o mercado ou se expor a riscos elevados.
Além disso, os investidores estão mais propensos a usar ferramentas como stop loss para perdas possíveis limitadas em suas operações, evidenciando uma maior preocupação com a gestão de riscos. Esse comportamento pode ser um dos fatores responsáveis pela preservação de sua riqueza, mesmo diante de momentos de volatilidade econômica.
Desigualdade salarial e diferença de poupança

Embora a riqueza das mulheres esteja aumentando, ainda existem desigualdades que precisam ser resolvidas. Um dos principais pontos de disparidade é a diferença salarial entre homens e mulheres. Em 2020, as mulheres acumulavam apenas 74% da riqueza dos homens, um dado preocupante considerando o crescimento contínuo da economia e o aumento da participação feminina no mercado de trabalho.
O estudo revelou que, apesar da presença feminina em diversas áreas, as mulheres ainda enfrentam desafios significativos, como a falta de oportunidades de emprego e a deficiência de serviços acessíveis de creche. Além disso, muitos empregos ainda não oferecem flexibilidade suficiente para que as mulheres possam conciliar a vida profissional e familiar, o que limita suas possibilidades de ascensão no mercado de trabalho.
Outro ponto crítico está relacionado aos trabalhos domésticos não remunerados, que muitas vezes sobrecarregam as mulheres e impactam sua capacidade de poupança. Esse quadro é agravado em países onde mais de 2,7 bilhões de mulheres enfrentam restrições legais para exercer as mesmas profissões que os homens.
Penalização da maternidade: Uma barreiras no mercado de trabalho
A maternidade tem sido uma das principais barreiras enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho. A “penalização da maternidade” se traduz em uma redução significativa no salário das mulheres após o nascimento de um filho. Estudos realizados na Dinamarca e no Japão mostram que, em muitos casos, as mulheres têm uma queda de até 20% em suas gravidezes a longo prazo após o nascimento de um filho. Isso ocorre não porque as mulheres deixam de trabalhar, mas porque seus horários de trabalho e a carga de responsabilidades aumentam, o que impacta diretamente em seus salários.
Esse fator contribui ainda mais para a disparidade na riqueza acumulada entre homens e mulheres, pois impede que as mulheres possam manter o mesmo ritmo de crescimento financeiro que os homens.
A falta de representatividade feminina em áreas estratégicas
Outro dado alarmante no estudo do UBS é a sub-representação de mulheres em setores estratégicos, especialmente em áreas dominadas pela revolução tecnológica, como ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Apesar de as mulheres terem uma maior taxa de graduação do que os homens em muitas regiões, elas continuam sendo minorias em setores fundamentais, como o mercado financeiro e a tecnologia.
Os fatores que explicam essa lacuna são diversos, mas um dos mais significativos é a falta de confiança entre as mulheres, especialmente os jovens, em relação às suas habilidades. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitas mulheres da “geração Z” afirmaram que não acreditam ser boas o suficiente para seguirem carreiras nessas áreas, o que demonstram a necessidade de mais apoio e incentivo desde a infância.
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Mulheres no mercado financeiro: Menos liderança e oportunidades

No mercado financeiro, as mulheres continuam sub-representadas, especialmente em cargas de liderança. Em 2021, apenas 4% dos responsáveis por family offices eram mulheres, e apenas 3,5% dessas instituições eram lideradas por mulheres. O cenário é semelhante em outras áreas do setor financeiro, como na gestão de portfólios, onde apenas 18% dos gestores são mulheres.
O setor de venture capital, que investe em startups, também reflete essa disparidade. Apenas 19% dos tomadores de decisão em fundos de capital de risco são mulheres, e essa porcentagem cai para 17% em fundos com mais de US$ 50 milhões sob gestão.
Acesso ao crédito: Uma desigualdade global
Outra questão importante abordada no estudo foi a diferença de acesso ao crédito entre homens e mulheres. Em várias regiões do mundo, as mulheres têm menos acesso ao crédito formal do que os homens. Na Europa, Ásia Central e Sul da Ásia, os homens têm 5% mais chances de obter crédito formal do que as mulheres. Na América Latina e no Caribe, a diferença sobe para 12%. Esse fator dificulta ainda mais a possibilidade das mulheres se tornarem empreendedoras ou expandirem seus negócios.
Caminhos para a equidade de gênero no mercado de trabalho
Embora os desafios sejam significativos, existem caminhos que podem levar à equidade do gênero no mercado de trabalho e financeiro. Investir em educação e treinamento de mulheres nas áreas de STEM é um passo fundamental para garantir que as próximas gerações tenham mais oportunidades. Além disso, promover a flexibilidade no ambiente de trabalho e melhorar as políticas públicas, como a implementação de serviços de creche acessíveis, pode contribuir para reduzir a desigualdade entre os sexos.
A igualdade de gênero no mercado financeiro pode adicionar trilhões ao PIB global, como indicam as estimativas do UBS. Garantir maior participação das mulheres em cargos de liderança e em setores chave pode resultar em um crescimento econômico significativo, beneficiando não apenas as mulheres, mas toda a sociedade.
Conclusão
O estudo do UBS mostra que as mulheres estão conquistando posições cada vez mais relevantes no mercado financeiro e na economia global. No entanto, a desigualdade salarial, a falta de representatividade e a discriminação relacionada com a maternidade ainda são barreiras significativas. Para que as mulheres possam alcançar o mesmo nível de sucesso financeiro que os homens, é necessário um esforço conjunto para superar essas desigualdades e criar um ambiente de oportunidades igualitárias.
