Em um dos casos mais perturbadores de violência relacionados ao setor de criptoativos registrados em 2025, um homem foi preso em Nova York sob acusação de sequestrar e torturar outro indivíduo durante três semanas em uma tentativa brutal de obter acesso à sua carteira de Bitcoin.
Tortura por Bitcoin expõe nova era de crimes violentos no setor cripto
Um homem foi sequestrado e torturado por três semanas em Nova York em uma tentativa brutal de obter acesso à sua carteira de Bitcoin.
A escalada dos chamados wrench attacks — crimes violentos para extorquir senhas e ativos digitais — acende um alerta vermelho para investidores e especialistas em segurança digital.
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Um sequestro no coração de Manhattan
John Woeltz, de 37 anos, foi detido na noite de sexta-feira (23 de maio) em Manhattan após a vítima, um cidadão italiano de 28 anos, conseguir escapar do cativeiro onde havia sido mantido sob violência física e psicológica. Segundo o Ministério Público de Nova York, a vítima chegou à cidade no início de maio e foi sequestrada em 6 de maio.
Durante as três semanas seguintes, ele teria sido espancado, drogado e até eletrocutado, enquanto era mantido sob constante ameaça, com o objetivo de obter sua senha de acesso a uma carteira de Bitcoin que, segundo as investigações, conteria uma quantia significativa de ativos digitais.
Fuga estratégica e prisão do agressor
A fuga aconteceu quando a vítima simulou a necessidade de ir a outro cômodo para buscar sua senha. Ao encontrar uma oportunidade, o homem conseguiu escapar do imóvel e acionar a polícia. Woeltz foi preso pouco depois, e a polícia encontrou no local evidências comprometedoras, como:
- Arame de galinheiro;
- Óculos de visão noturna;
- Um serrote;
- Cocaína;
- Fotografias Polaroid da vítima com uma arma apontada para sua cabeça.
Woeltz foi formalmente acusado no sábado por sequestro, agressão, cárcere privado e posse ilegal de armas. A justiça determinou sua prisão preventiva sem direito a fiança. Os promotores também afirmaram que ele não agiu sozinho, e que um coautor ainda não identificado segue foragido.
A ascensão dos crimes físicos no setor de criptomoedas

O caso se insere em um fenômeno crescente conhecido no setor de segurança como wrench attack — um termo irônico usado para descrever ataques em que a criptografia não é violada por meios técnicos, mas sim por coerção física.
A expressão remete à ideia de que, em vez de hackear um sistema, um agressor pode simplesmente ameaçar alguém com uma chave inglesa (ou qualquer arma) para obter a senha.
Segundo Jameson Lopp, diretor de tecnologia da empresa de segurança Casa, somente em 2025 já foram documentados pelo menos 26 ataques físicos relacionados a criptomoedas ao redor do mundo.
A natureza descentralizada dos ativos digitais e a inexistência de mecanismos formais de reversão de transações tornam esses ataques especialmente lucrativos e difíceis de combater.
Casos recentes de violência envolvendo criptomoedas
Os registros de 2025 incluem casos extremos de violência e coerção:
- Janeiro: David Balland, cofundador da Ledger, teve um dedo decepado durante uma tentativa de extorsão;
- Março: Turista americano é drogado por motorista falso de aplicativo e perde US$ 123 mil em criptoativos;
- Maio: Filha e neto de executivo francês do setor cripto são alvo de tentativa de sequestro.
Por que os crimes estão aumentando?
Com o Bitcoin se consolidando como um ativo de valor global, atingindo máximas acima de US$ 110 mil em maio de 2025, a visibilidade e o interesse em torno das criptomoedas cresceram exponencialmente.
Esse crescimento, no entanto, também atraiu a atenção de criminosos que veem nos criptoativos uma oportunidade para ganhos rápidos e praticamente irrecuperáveis pelas vítimas.
Criptoativos são irreversíveis e difíceis de rastrear
Ao contrário do sistema bancário tradicional, onde uma transação fraudulenta pode ser contestada e revertida, uma vez que um ativo digital é transferido para uma nova carteira, ele se torna praticamente impossível de recuperar — especialmente se for convertido rapidamente entre redes ou enviado para exchanges descentralizadas.
Essa característica torna os criptoativos particularmente atraentes para criminosos e coloca seus detentores em posição de vulnerabilidade caso medidas preventivas não sejam tomadas.
Segurança física na era digital: o que os investidores devem fazer
Com a escalada dos wrench attacks, especialistas em segurança recomendam não apenas medidas digitais, mas também físicas para proteção de criptoativos. Algumas práticas incluem:
- Uso de cofres multisig: Requer múltiplas chaves para movimentar os fundos, o que dificulta o acesso forçado;
- Separação de informações: Não guardar todas as senhas e acessos em um único local físico ou digital;
- Endereços pseudônimos: Evitar vincular a identidade real a carteiras públicas;
- Rotina de anonimato: Reduzir a exposição pessoal em redes sociais e mídias, especialmente ao divulgar lucros ou investimentos.
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O crescimento dos riscos impulsionou também o mercado de segurança privada especializada em criptoativos. Empresas como Casa, Ledger Enterprise, Fireblocks e NGRAVE oferecem soluções que vão desde carteiras offline até cofres de custódia com redundância e verificação biométrica.
Além disso, novas startups estão surgindo com o objetivo de combinar segurança digital e física, inclusive com monitoramento por drones, verificação de presença física em transações e cofre distribuído geograficamente.
Implicações legais e investigações em andamento
O caso de John Woeltz reacendeu discussões no meio jurídico sobre a classificação penal desses atos. Alguns juristas argumentam que ataques físicos com o objetivo de acessar sistemas criptográficos devem ser enquadrados como formas de terrorismo digital, dada sua gravidade e impacto.
A promotoria de Nova York afirmou que a investigação segue em andamento e que esforços estão sendo feitos para identificar e capturar o coautor do crime. Fontes internas da polícia informaram que a vítima poderá receber proteção especial, dado o risco de retaliação ou tentativa de silenciamento.
O futuro da segurança em um mundo de finanças descentralizadas
Necessidade de educação e conscientização
A descentralização traz liberdade, mas também responsabilidade. O caso em Nova York evidencia a urgência de se educar os investidores sobre os riscos além do ambiente digital. Manter criptoativos exige não apenas conhecimento técnico, mas também consciência sobre segurança pessoal.
Reguladores e exchanges devem atuar com mais rigor
Especialistas sugerem que exchanges centralizadas devem exigir padrões mais altos de KYC (conheça seu cliente) e rastreamento de transações para dificultar a movimentação de fundos ilícitos.
Além disso, países e reguladores precisam atualizar legislações para abranger os novos tipos de crimes digitais com componente físico.
Considerações finais

O sequestro e a tortura de um investidor de criptomoedas em Nova York revelam uma faceta brutal da nova economia digital. À medida que o valor e o interesse em criptoativos aumentam, também cresce a violência associada a eles.
Casos como este reforçam a necessidade de estratégias de segurança robustas e políticas públicas eficazes que acompanhem a rápida transformação do cenário financeiro global.
