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Nubank diz que cripto “invisível” deve crescer em 2026

Cripto deve ficar simples e quase invisível em 2026. Veja tendências, custódia, papel dos bancos e por que o Brasil pode liderar a adoção.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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“A melhor forma de falar sobre cripto é não falar sobre cripto.” A frase pode parecer paradoxal, mas resume uma das principais tendências do mercado financeiro digital para os próximos anos: a tecnologia precisa desaparecer para que o usuário comum finalmente a adote.

A avaliação é de Michael Rihani, diretor de cripto do Nubank, uma das maiores fintechs do mundo em número de clientes. Segundo o executivo, o sucesso das moedas digitais em 2026 dependerá menos do entusiasmo tecnológico e mais da capacidade de entregar experiências simples — tão intuitivas quanto o Pix.

O raciocínio é direto: a maioria das pessoas não quer entender blockchain, wallets ou protocolos. Elas querem pagar, transferir, guardar dinheiro e resolver problemas financeiros com rapidez e segurança.

Essa lógica já se mostrou vencedora no Brasil.

De acordo com o Banco Central, o Pix ultrapassou bilhões de transações mensais poucos anos após o lançamento, tornando-se o meio de pagamento mais utilizado do país. O fator decisivo foi a simplicidade — não a tecnologia por trás.

A aposta do mercado é que o mesmo caminho será percorrido pelas criptomoedas.

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Menos complexidade, mais uso real

Para Rihani, o setor começa a abandonar o excesso de termos técnicos e a focar em aplicações práticas.

Em vez de perguntar se alguém quer usar blockchain, a pergunta passa a ser outra: qual problema financeiro precisa ser resolvido?

Entre os exemplos mais citados pelo mercado estão:

  • Transferências internacionais mais baratas
  • Proteção contra desvalorização cambial
  • Alternativas de poupança digital
  • Pagamentos instantâneos
  • Liquidação financeira em tempo real

Stablecoins — criptomoedas pareadas a moedas tradicionais como o dólar — já vêm sendo usadas globalmente para remessas internacionais com custos menores que os sistemas bancários tradicionais.

Segundo relatórios recentes do setor financeiro, esse tipo de aplicação tende a crescer especialmente em economias emergentes.

A estratégia: esconder a tecnologia

O conceito de “cripto invisível” não significa abandonar a inovação, mas sim integrá-la ao cotidiano.

Na prática, isso quer dizer que o usuário poderá movimentar dinheiro sem sequer perceber que há blockchain operando nos bastidores.

O próprio Nubank tem investido nessa direção. Em 2025, a instituição alcançou cerca de 7 milhões de clientes em ativos digitais, reforçando o interesse crescente do público brasileiro.

Entre as medidas adotadas para reduzir barreiras estão:

Taxas mais competitivas

Clientes com cartão Ultravioleta passaram a contar com taxa zero em determinadas operações.

Tabela regressiva de custos

Estrutura atualizada em tempo real, permitindo maior previsibilidade ao investidor.

Experiência simplificada

Interface pensada para quem não tem conhecimento técnico.

A mensagem do mercado é clara: tecnologia boa é aquela que simplesmente funciona.

Uma lição vinda da Tesla: adoção depende de execução

Antes de atuar no Nubank, Rihani trabalhou na Tesla e viveu um episódio que ilustra bem como novas tecnologias ganham escala.

Após ver Elon Musk comentar sobre bitcoin nas redes sociais, ele enviou um e-mail ao CEO com ideias práticas — entre elas, aceitar a criptomoeda como forma de pagamento.

A resposta veio no dia seguinte.

Em poucas semanas, uma versão funcional estava pronta.

A experiência reforçou uma tese importante no setor financeiro: inovação não avança com discurso, mas com aplicações claras e decisões rápidas.

Custódia deve ganhar força — especialmente entre iniciantes

Outro debate relevante para 2026 envolve a forma como os investidores guardam seus ativos digitais.

Existem dois modelos principais.

Autocustódia

O próprio usuário controla suas chaves digitais.

Vantagens:

  • Independência total
  • Maior controle

Riscos:

  • Perda de senha pode significar perda definitiva dos recursos
  • Exige conhecimento técnico

Um caso emblemático é o do galês James Howells, que teria descartado um HD com acesso a cerca de 8 mil bitcoins — hoje avaliados em centenas de milhões de dólares.

Custódia institucional

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Uma empresa financeira guarda os ativos para o cliente.

Benefícios incluem:

  • Camadas adicionais de segurança
  • Recuperação de acesso
  • Integração com crédito e pagamentos
  • Suporte especializado

Instituições financeiras entram justamente no ponto mais sensível do mercado: confiança.

Brasil pode liderar nova onda de adoção

Especialistas apontam que a próxima fase das criptomoedas deve surgir com força em países emergentes — e o Brasil aparece como protagonista.

O motivo é estrutural.

Enquanto economias desenvolvidas já possuem sistemas financeiros eficientes, mercados emergentes convivem com desafios como:

  • Custos bancários elevados
  • Transferências internacionais caras
  • Acesso desigual a serviços financeiros
  • Instabilidade cambial

Além disso, o brasileiro se mostrou altamente receptivo à inovação financeira.

O Pix criou um novo padrão de expectativa: operações gratuitas, instantâneas e disponíveis 24 horas.

Nesse contexto, as criptomoedas podem ser vistas como uma evolução natural.

O que esperar do mercado cripto em 2026?

A tendência dominante não é a especulação — mas a integração silenciosa.

Entre os movimentos mais prováveis estão:

  • Cripto incorporada a apps bancários
  • Pagamentos híbridos (fiat + digital)
  • Uso crescente de stablecoins
  • Produtos financeiros baseados em blockchain
  • Regulamentação mais clara

O Banco Central do Brasil já avança em projetos como o Drex, a versão digital do real, sinalizando que a infraestrutura financeira do futuro será cada vez mais tecnológica.

Ainda assim, para o consumidor final, a tecnologia deve desaparecer.

Porque, no fim, o usuário não quer saber qual sistema está operando — ele quer apenas que funcione com segurança, rapidez e baixo custo.

Se essa previsão se confirmar, falar menos sobre cripto pode ser exatamente o que fará as criptomoedas finalmente chegarem às massas.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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