Com a estrutura segura dos bancos, os criptos conquistam o público tradicional e se tornam opção real de investimento em 2025. Fundos do Itaú, Banco do Brasil, BTG e Bradesco disputam espaço com a Hashdex e impulsionam a presença das criptomoedas no portfólio do brasileiro.
Criptos surfam a credibilidade dos bancos para entrar na carteira do brasileiro
Criptos ganham força com bancos tradicionais e conquistam investidores. Entenda aqui o avanço dos fundos e o seu impacto. Leia agora!!!!
Mesmo com a desconfiança natural de investidores conservadores, o mercado de criptoativos vem ganhando terreno no Brasil. A participação de instituições financeiras reconhecidas tem sido determinante para romper barreiras de credibilidade e segurança.

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A adesão dos bancos ao mundo das criptos
O primeiro semestre de 2025 evidenciou a incorporação dos criptoativos ao mercado financeiro tradicional — o chamado TradiFi. Segundo levantamento da Quantum Finance, baseado em dados da CVM, há mais de 50 fundos cripto disponíveis. Entre os dez com maior número de cotistas, três pertencem a bancos tradicionalmente conservadores.
A Hashdex, pioneira no segmento, ainda lidera o mercado. Porém, o segundo lugar já é ocupado pelo Itaú, o terceiro pelo Banco do Brasil e o sexto pelo BTG Pactual. O Bradesco, por sua vez, apesar de sua entrada recente, também já marca presença.
Ranking dos maiores fundos cripto por cotistas (junho de 2025)
| Nome do fundo | Patrimônio líquido (R$) | Nº de cotistas |
| Hashdex Bitcoin FI Multimercado | 789,5 milhões | 74.696 |
| Itaú Index Bitcoin USD FIF | 657,6 milhões | 64.327 |
| BB Criptoativos Full FIF | 265,3 milhões | 29.098 |
| Hashdex 100 Nasdaq Crypto Index FI | 526,4 milhões | 28.363 |
| Hashdex 20 Nasdaq Crypto Index FI | 207,4 milhões | 25.479 |
| BTG Pactual Reference Bitcoin 20 FIF | 170,1 milhões | 15.630 |
| Hashdex 40 Nasdaq Crypto Index FI | 229,8 milhões | 11.675 |
| Hashdex Crypto Selection FIF | 50,8 milhões | 10.589 |
| Empiricus Coin Crypto FIF | 37,9 milhões | 9.322 |
| Trend Cripto FI Multimercado | 55,2 milhões | 8.839 |
Bancos tradicionais validam os criptoativos
Para Henry Oyama, diretor da Hashdex, a entrada dos grandes bancos representa uma validação importante para o mercado. “Quando instituições conservadoras começam a oferecer produtos ligados a criptoativos, mostram que a classe de ativos se tornou legítima e promissora”, afirma.
Na prática, essas movimentações aumentam o acesso e impulsionam a institucionalização do setor. “Não é uma competição direta, muitos desses bancos inclusive são nossos parceiros”, completa Oyama.
Do ponto de vista das instituições financeiras, o amadurecimento do setor e a demanda do público foram os principais fatores para a entrada no universo das criptos.
Estratégias de cada banco
No caso do Itaú, o primeiro movimento veio com o lançamento do ETF de Bitcoin (BITI11) em 2022. Para Caíque Cardoso, da Itaú Asset, o amadurecimento da classe foi essencial para que o banco ampliasse sua oferta. “Hoje temos fundos abertos e também voltados à previdência”, explica.
O Bradesco, por sua vez, lançou seu primeiro fundo cripto em maio de 2025. Focado exclusivamente em Bitcoin por meio de ETFs, o produto tem como público os investidores mais jovens. “São pessoas que já cresceram em um ambiente tecnológico e veem cripto com naturalidade”, diz Fernando Galdi, do Bradesco Asset.
Já o Banco do Brasil, por meio da BB Asset, lançou seu primeiro fundo cripto em 2022, inicialmente para investidores qualificados. Em 2024, o produto foi aberto ao público geral. “Nosso papel é conectar o mundo descentralizado com o tradicional, com solidez e qualificação”, afirma Guilherme Novaes, da BB Asset.
Menos atrito para o investidor
Uma das principais vantagens da entrada dos bancos é a redução da complexidade para quem quer investir em criptoativos. Antes, o investidor precisava lidar com carteiras digitais, chaves privadas e plataformas externas — um cenário pouco acessível.
Com a oferta de fundos e ETFs dentro dos próprios bancos, o processo tornou-se mais seguro e descomplicado. “Foi uma evolução importante, especialmente para iniciantes”, comenta Gustavo Cunha, planejador financeiro da Planejar.
A vantagem competitiva dos bancos
Para Christopher Galvão, da Nord Investimentos, os bancos têm um diferencial claro: capilaridade. “Eles já possuem uma base de clientes consolidada e conseguem apresentar os fundos cripto como mais uma opção. Isso facilita muito a adesão”, explica.
No entanto, ele alerta que a decisão de investir não deve ser pautada apenas pela marca do banco. É fundamental avaliar a filosofia do fundo, o histórico do gestor e a atuação em momentos de adversidade.
“Não adianta só olhar para a rentabilidade recente. É preciso entender como aquele fundo se comporta no longo prazo e em períodos de crise”, destaca Galvão.
Fundos passivos vs. ativos
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Outro ponto de atenção é o modelo de gestão. Assim como em outras classes de ativos, os fundos cripto podem ser passivos, que apenas replicam um índice, ou ativos, com decisões estratégicas do gestor.
Entender como ocorre a alocação dos ativos e quais são os riscos envolvidos é essencial para que o investidor tome uma decisão informada. “A transparência e a governança desses fundos são diferenciais que não podem ser ignorados”, observa Cunha.
Cripto se aproxima do mainstream
O movimento atual lembra o avanço da internet nas décadas passadas: começou marginal, cercado de dúvidas, e hoje é indispensável. “Criptoativos estão passando pelo mesmo processo. O respaldo de instituições financeiras tradicionais acelera a normalização”, avalia Cunha.
Se antes o setor era visto com desconfiança, agora se insere com força nas plataformas das grandes instituições. Essa convergência entre o mundo descentralizado e o sistema financeiro tradicional mostra como o ecossistema evoluiu.
Desafios e regulação
Apesar dos avanços, o mercado cripto ainda enfrenta grandes desafios. A regulação está em construção, tanto no Brasil quanto em outras jurisdições. Isso exige constante atenção às normas e às consultas públicas.
Além disso, os fundos precisam contar com infraestruturas robustas de segurança, custódia e precificação. É necessário que operem com tecnologia que funcione 24/7 — acompanhando o ritmo das criptomoedas globais.
As instituições destacam que operar em um ambiente regulado traz mais segurança, mas também impõe exigências de compliance e governança cada vez mais rigorosas.

O avanço dos bancos tradicionais no universo dos criptoativos é um passo relevante rumo à popularização dos investimentos digitais. O respaldo institucional, somado à familiaridade crescente do público, permite que esse tipo de ativo ganhe espaço não apenas nas conversas, mas nas carteiras dos brasileiros.
Ainda há um longo caminho em termos de regulação e educação financeira, mas o movimento em curso indica que os criptoativos estão longe de ser uma moda passageira. Com o suporte das maiores instituições financeiras do país, o setor está mais próximo do mainstream do que nunca.
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