Os Correios divulgaram, na última sexta-feira (9), um relatório que aponta prejuízo de bilionário no ano passado, evidenciando uma crise financeira que afeta a estatal. Para tentar reverter esse cenário, a direção da empresa anunciou um plano de redução de despesas que prevê economia de R$ 1,5 bilhão em 2025.
Correios: trabalhadores solicitam conversas sobre ações para diminuir custos
Correios registram prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024. Trabalhadores pedem comitê de crise e diálogo permanente para discutir medidas de corte.
Entretanto, essas medidas têm gerado preocupação entre os trabalhadores, que cobram a criação de um canal permanente de diálogo e a formação de um comitê de crise para tratar das dificuldades enfrentadas pela empresa.
Prejuízo bilionário e medidas para conter custos

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Em 2024, a estatal acumulou um déficit de R$ 2,6 bilhões, resultado de anos consecutivos de endividamento crescente e redução da rentabilidade. Para conter essa trajetória, a direção da empresa anunciou diversas medidas de corte de custos, entre as quais:
| Medida | Descrição |
|---|---|
| Suspensão de férias | Férias suspensas em 2025 |
| Redução da jornada | Jornada e salário reduzidos |
| Transferência voluntária | Funcionários transferidos |
| Trabalho presencial | Retorno obrigatório ao escritório |
| Prorrogação do PDV | PDV até 18 de maio |
| Corte no orçamento da sede | Redução de 20% no orçamento |
| Novos planos de saúde | Economia de 30% com novos planos |
Plano de investimento com banco dos Brics
Paralelamente ao plano de contenção de despesas, os Correios negociam uma captação de R$ 3,8 bilhões junto ao New Development Bank (NDB), o banco dos Brics. O objetivo é financiar um programa de modernização e transformação ecológica, incluindo inovação, digitalização, otimização logística e descarbonização.
Segundo a estatal, essas iniciativas devem permitir uma redução de 12% nos custos operacionais e um aumento de R$ 3,1 bilhões no lucro operacional anual.
Trabalhadores clamam por diálogo e transparência
Em meio às dificuldades financeiras, os trabalhadores dos Correios têm se organizado para cobrar maior participação nas decisões que impactam o funcionamento e as condições de trabalho na empresa. A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores da ECT (Findetec) defende a criação de um canal de diálogo permanente entre a gestão e os empregados.
Para a entidade, mudanças estruturais só são efetivas quando debatidas com os que atuam diretamente na operação diária dos Correios. A Findetec destaca a importância da transparência, solicitando acesso prévio aos dados econômicos, operacionais e atuariais da empresa para que possam construir soluções conjuntas e evitar retrocessos.
Audiência com o presidente da República
A Findetec encaminhou um documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando uma audiência para tratar da situação da estatal. A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) anunciou, por sua vez, o lançamento do Comitê em Defesa dos Correios, previsto para ocorrer na Câmara dos Deputados, com apoio da Frente Parlamentar em Defesa dos Correios.
Endividamento histórico e impacto nos serviços
| Ano | Situação financeira dos Correios | Valores/relevância |
|---|---|---|
| 2011-2013 | Pagamento de dividendos e juros à União | Cerca de R$ 3 bilhões pagos à União |
| 2011-2016 | Degradação da liquidez e aumento do endividamento | Redução do patrimônio líquido em 92,63% |
| A partir de 2013 | Prejuízos consecutivos e redução da rentabilidade | Prejuízos financeiros constantes |
| Consequência | Redução do capital de giro e investimentos | Cortes em infraestrutura, tecnologia e logística |
| Resultado | Necessidade de empréstimos emergenciais | Ciclo de endividamento e dificuldade financeira |
Impactos nas condições de trabalho e na qualidade dos serviços
Os trabalhadores pedem a suspensão de qualquer medida que comprometa a qualidade dos serviços postais ou direitos dos empregados enquanto perdurar o diálogo com a gestão. A recomposição dos recursos financeiros da empresa, argumentam, é fundamental para garantir a continuidade dos serviços universais que atendem a mais de 5.500 municípios em todo o país, além de preservar empregos e benefícios.
Posicionamento dos Correios
Em resposta, a direção dos Correios reafirma o compromisso com a sustentabilidade financeira e a continuidade dos serviços, destacando que, mesmo com 85% das unidades deficitárias, a empresa mantém o acesso universal aos serviços postais a tarifas justas.
A estatal ressalta ainda que, nos últimos dois anos, houve diálogo com as entidades sindicais que resultou no restabelecimento de mais de 40 cláusulas extintas em gestões anteriores, por meio de acordos coletivos firmados em mesas de negociação.
Continuidade do diálogo e expectativas para 2025

A empresa afirma que mantém canais de negociação permanentes com as trabalhadoras e trabalhadores, reforçando a valorização do diálogo e o respeito às pautas da categoria.
Sobre a captação junto ao banco dos Brics, a expectativa é de que as negociações sejam concluídas ainda este ano, destinando os recursos para o Programa de Modernização e Transformação Ecológica. O foco está na inovação, digitalização, sustentabilidade e otimização das operações logísticas.
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FAQ – Perguntas frequentes
Qual o principal motivo do prejuízo bilionário dos Correios?
O prejuízo decorre de anos de endividamento crescente, redução da rentabilidade, pagamento de dividendos à União que afetaram o capital de giro e investimentos insuficientes em infraestrutura e tecnologia.
Quais as principais medidas anunciadas para conter os custos?
Suspensão de férias, redução da jornada com corte salarial, transferências temporárias, retorno presencial, PDV prorrogado, corte no orçamento da sede, novos planos de saúde e revisão da estrutura operacional.
O que os trabalhadores dos Correios estão reivindicando?
Solicitam a criação de um canal permanente de diálogo, transparência nos dados da empresa, suspensão de medidas que prejudiquem direitos e qualidade dos serviços, além da recomposição dos recursos financeiros retirados anteriormente.
Qual o papel do banco dos Brics na recuperação dos Correios?
O banco dos Brics está negociando um empréstimo de R$ 3,8 bilhões para financiar um programa de modernização, digitalização e sustentabilidade da estatal.
Considerações finais
A situação dos Correios destaca a complexidade de administrar uma estatal com forte compromisso social e ao mesmo tempo enfrentar desafios financeiros severos. A busca por soluções passa necessariamente pelo diálogo entre gestão e trabalhadores, equilibrando a necessidade de corte de custos com a preservação da qualidade dos serviços e dos direitos dos empregados.
