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Saque de 70% pressiona liquidez da Fictor após crise bancária

Entenda por que a Fictor pediu recuperação judicial, a relação com o Banco Master e os riscos para investidores fora do FGC.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Fictor

O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, apresentado em 1º de fevereiro, trouxe à tona um tema sensível no mercado financeiro brasileiro: o que acontece quando uma crise de confiança gera uma corrida por resgates e esgota o caixa de uma empresa. Segundo informações divulgadas pelo InfoMoney, com base em relatos do advogado que coordena o processo, a empresa atribui o colapso de liquidez a um efeito dominó iniciado após o anúncio de uma proposta de compra do Banco Master, feita em consórcio com fundos dos Emirados Árabes Unidos.

A turbulência teria se agravado após a decisão do Banco Central do Brasil de decretar a liquidação do Banco Master. A partir daí, a desconfiança que já cercava o banco teria se espalhado para a Fictor, provocando uma onda de retiradas por parte de clientes e investidores ligados às estruturas do grupo.

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Corrida por resgates: quase R$ 2 bilhões saíram do sistema

De acordo com o advogado Carlos Deneszczuk, do DASA Advogados, os clientes solicitaram a retirada de cerca de 70% dos recursos investidos desde 18 de novembro, somando quase R$ 2 bilhões.

O que isso significa na prática

Esse tipo de movimento é clássico em crises de liquidez:

  • Os ativos existem, mas não estão imediatamente disponíveis em caixa
  • Investimentos de médio e longo prazo não conseguem ser transformados em dinheiro na mesma velocidade dos resgates
  • Pagamentos programados começam a ser pressionados

É o mesmo mecanismo observado em crises bancárias históricas, quando há uma “corrida aos caixas”, ainda que a instituição não esteja tecnicamente insolvente naquele momento.

No caso da Fictor, a dimensão das retiradas sugere um abalo relevante de confiança, diretamente associado ao episódio envolvendo o Banco Master e à leitura de risco que se formou após a intervenção do regulador.

Recuperação judicial: mais de R$ 4 bilhões em dívidas

O pedido de recuperação judicial envolve a Fictor Holding e a Fictor Invest. O total de dívidas informado supera R$ 4 bilhões.

A empresa afirma que pretende pagar os valores sem descontos aos credores e que o plano deve prever prazo de até cinco anos para os reembolsos.

Por que a promessa de “sem desconto” não é simples

Dizer que não haverá “haircut” pode ajudar a reduzir resistência de credores, mas cria um desafio enorme:

  • O cronograma de pagamentos precisa ser realista
  • A geração de caixa futura deve ser consistente
  • A operação não pode sofrer novas ondas de retirada ou bloqueios relevantes

Em um cenário de crise de liquidez, o problema não é só quanto se deve, mas quando o dinheiro entra.

SCPs, investimentos estruturados e ausência de proteção do FGC

Um dos pontos mais relevantes para o investidor brasileiro é o modelo de captação descrito no caso. A Fictor estruturava Sociedades em Conta de Participação, as chamadas SCPs, para investir em negócios e empresas.

Segundo o relato do advogado, a crise afetou a distribuição de dividendos aos sócios dessas estruturas.

Por que isso é diferente de um CDB de banco

SCPs e estruturas semelhantes não são depósitos bancários tradicionais. O próprio caso destaca que não há cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Na prática, isso quer dizer:

  • O investidor assume risco direto do negócio
  • Não há proteção automática de até R$ 250 mil por CPF, como em produtos cobertos pelo FGC
  • A recuperação depende da saúde financeira da empresa e do plano aprovado na Justiça

É um tipo de risco mais próximo de investimento empresarial do que de aplicação bancária conservadora.

Em declaração atribuída ao advogado, publicada pelo jornal Estado de S. Paulo, a empresa sustenta que, até novembro, não havia problemas de pagamentos e que a intenção é não prejudicar credores.

Consórcio internacional e o efeito contágio do caso Banco Master

Outro elemento mencionado é a presença de um investidor internacional identificado como Royal Capital, descrito como participante do consórcio que compraria o Banco Master ao lado da Fictor.

Segundo o relato, a reestruturação teria sido exigida por esse investidor, o que indica que as tratativas envolvendo a compra do banco, mesmo frustradas, influenciaram a decisão de buscar proteção judicial.

Como funciona o “efeito contágio” nesse tipo de crise

Quando um evento regulatório atinge uma instituição financeira, os impactos podem se espalhar para:

  • Parceiros comerciais
  • Empresas do mesmo grupo econômico
  • Investidores ligados à mesma operação

Mesmo que os negócios não sejam idênticos, o mercado tende a reagir de forma generalizada, principalmente quando há incerteza sobre exposição cruzada de riscos.

Bloqueio de R$ 150 milhões pelo TJ-SP aumenta a pressão

Além da recuperação judicial, a Fictor enfrenta uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos financeiros do grupo.

A medida teria como objetivo preservar uma garantia em dinheiro prevista em contrato, também de R$ 150 milhões, ligada a uma operação de cartões de crédito empresariais.

Em cenários de crise de liquidez, bloqueios judiciais têm efeito direto:

  • Reduzem ainda mais a disponibilidade de caixa
  • Dificultam a reorganização de fluxos financeiros
  • Aumentam a pressão sobre o plano de recuperação

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Por outro lado, o Judiciário costuma justificar essas decisões como forma de proteger garantias contratuais e evitar risco de dissipação de patrimônio.

Fictor Pay, maquininhas e cartão American Express

O grupo também vinha expandindo sua atuação em meios de pagamento. Em 2024, criou a Fictor Pay como subadquirente, oferecendo maquininhas e serviços de tecnologia para pagamentos.

No ano seguinte, segundo o relato, foi lançado um cartão de crédito com bandeira American Express voltado a pessoas jurídicas.

O pedido de recuperação judicial indica que:

  • O cartão movimentava cerca de R$ 200 milhões por mês
  • A operação estava presente em nove estados
  • Havia cerca de 500 clientes
  • Os terminais teriam movimentado R$ 2,2 bilhões

Por que o setor de pagamentos é sensível à confiança

Negócios de pagamentos dependem de:

  • Relacionamento com bancos e bandeiras
  • Limites de crédito e garantias
  • Confiança de lojistas e parceiros

Em momentos de crise reputacional, esses fatores podem ser reavaliados rapidamente, afetando a continuidade e o custo das operações.

O que o investidor brasileiro deve aprender com o caso

O episódio reforça lições importantes:

  1. Nem todo investimento financeiro tem proteção do FGC
  2. Estruturas como SCPs carregam risco empresarial relevante
  3. Crises de liquidez podem surgir mesmo quando há ativos, se o caixa não acompanha os resgates
  4. Eventos regulatórios em uma empresa podem contaminar parceiros e estruturas associadas

Para quem investe, entender a natureza jurídica e o risco real do produto é tão importante quanto olhar a rentabilidade prometida.

Conclusão

O caso da Fictor mostra como uma combinação de crise de confiança, retiradas aceleradas, exposição a estruturas sem garantia do FGC e decisões judiciais pode levar um grupo financeiro a buscar proteção na recuperação judicial.

Mais do que um episódio isolado, é um alerta sobre o funcionamento do risco fora do sistema bancário tradicional e sobre como eventos externos podem desencadear efeitos em cadeia no mercado.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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