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Ipec‑Ipsos: 54% avaliam atuação de Lula no INSS como ruim ou péssima

Pesquisa Ipec-Ipsos mostra que 54% reprovam atuação de Lula no caso das fraudes no INSS; apenas 22% avaliam como boa ou ótima.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
INSS

Uma nova pesquisa do instituto Ipec-Ipsos, divulgada em 16 de junho de 2025, apontou que 54% dos brasileiros consideram a atuação do governo Lula no escândalo das fraudes no INSS como ruim ou péssima.

Os dados refletem uma insatisfação crescente da população diante de uma crise que abalou a credibilidade de um dos principais órgãos da Previdência Social brasileira.

O levantamento foi realizado presencialmente entre os dias 5 e 9 de junho, com 2.000 entrevistados com 16 anos ou mais, distribuídos por 132 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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Avaliação da resposta governamental

Imagem: Freepik e Canva

Dados gerais da pesquisa

A pesquisa, realizada com pergunta estimulada (quando são apresentadas opções de resposta), apresentou os seguintes números:

  • 54% consideram a resposta do governo ruim ou péssima
  • 22% avaliaram como boa ou ótima
  • 18% classificaram como regular
  • 6% não souberam ou não quiseram responder

Responsabilização direta do governo Lula

Além da avaliação direta, o levantamento investigou a percepção sobre a responsabilidade do governo federal no agravamento da crise:

  • 43% acreditam que o governo Lula é responsável pela escalada do problema
  • 35% afirmam que as fraudes começaram no governo Bolsonaro e só foram descobertas na gestão Lula
  • 6% concordam com ambas as afirmações
  • 4% não concordam com nenhuma
  • 12% não souberam responder

Esses números evidenciam a divisão de opiniões quanto à origem do problema, mas indicam claramente que a maioria dos entrevistados associa negativamente a crise à atual gestão.

Entenda a fraude no INSS

Como funcionava o esquema

As investigações da Polícia Federal revelaram um esquema de fraudes e desvios de benefícios previdenciários operado por associações e entidades que ofereciam serviços a aposentados.

Segundo a PF, essas organizações cadastravam beneficiários de forma indevida, com assinaturas falsas, permitindo o desconto de mensalidades diretamente da aposentadoria ou pensão sem autorização do titular.

Dimensão do prejuízo

A estimativa é de que o prejuízo aos cofres públicos tenha chegado a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O número de descontos indevidos “em lote” gerou indignação entre os segurados e motivou milhares de denúncias.

Em 2023, segundo dados oficiais, foram mais de 35 mil reclamações sobre empréstimos consignados irregulares, sendo a maioria relacionada a descontos não autorizados.

Consequências imediatas

Após as revelações:

  • O presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido
  • Diversos servidores do INSS foram afastados
  • Pelo menos seis pessoas ligadas às entidades suspeitas foram presas

O caso desencadeou uma série de investigações internas e externas, além de audiências públicas no Congresso Nacional para discutir falhas no controle e fiscalização do sistema previdenciário.

Reações políticas

Governo tenta controlar danos

Em pronunciamento oficial no Palácio do Planalto em 3 de junho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou amenizar a crise, destacando que sua gestão não compactua com irregularidades e que “foi o atual governo que trouxe a público os esquemas criminosos”.

Apesar disso, as medidas foram consideradas tardias por parte da oposição e por boa parcela da sociedade civil, que critica a suposta lentidão na reação e a fragilidade dos mecanismos de controle do INSS.

Pressão no Congresso

A oposição tem utilizado os resultados da pesquisa para pressionar o governo. Líderes de partidos como PL, NOVO e União Brasil pedem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) exclusiva para investigar a omissão de autoridades federais e reforçar o papel fiscalizador do Congresso.

Parlamentares da base aliada, por sua vez, buscam controlar a crise com a promessa de reformas estruturais no INSS, incluindo novos sistemas de auditoria automatizada e maior transparência nos contratos com associações de aposentados.

Impactos na imagem do governo Lula

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Desgaste político

Este é mais um episódio que coloca em xeque a imagem do governo Lula, que vem enfrentando dificuldades para consolidar sua base social e política em meio a desafios econômicos e escândalos administrativos.

Pesquisas recentes já vinham mostrando uma queda na aprovação popular, especialmente entre os eleitores mais jovens e as classes C e D, que representam parte significativa da população afetada pelas fraudes.

Eleições municipais à vista

Com a proximidade das eleições municipais de 2026, aliados do presidente temem que a crise no INSS contamine a campanha de candidatos ligados ao PT e partidos da base. A percepção negativa da atuação federal pode se refletir nas urnas, sobretudo nas capitais e regiões metropolitanas.

Caminhos para a recuperação

INSS
Imagem: Freepik e Canva

Medidas anunciadas

Entre as ações propostas pelo governo para conter os danos e recuperar a confiança dos segurados, estão:

  • Auditoria independente em todos os contratos com associações de aposentados
  • Revisão de benefícios com descontos suspeitos
  • Criação de um canal exclusivo para denúncias no aplicativo Meu INSS
  • Reforço na digitalização e verificação de documentos
  • Lançamento de uma campanha nacional de conscientização sobre direitos dos beneficiários

Expectativa da sociedade

A sociedade espera respostas rápidas e eficazes, especialmente diante de um escândalo que atinge diretamente aposentados e pensionistas, públicos historicamente vulneráveis e que dependem integralmente do INSS.

Organizações como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Defensoria Pública da União (DPU) têm solicitado ações reparatórias e indenizações para os aposentados prejudicados.

Considerações finais

A pesquisa Ipec-Ipsos acende um alerta importante para o governo Lula: a crise no INSS não é apenas administrativa, mas política e social. O impacto direto na vida de milhões de brasileiros torna o escândalo ainda mais sensível e exigirá transparência, agilidade e firmeza nas respostas institucionais.

Enquanto isso, cresce a percepção de que o combate à corrupção, mesmo que herde casos iniciados em gestões anteriores, precisa ser mais proativo. Assumir a responsabilidade e corrigir falhas com eficiência pode ser a única saída viável para reconquistar a confiança da população e conter o desgaste político.

A crise no INSS pode marcar profundamente o terceiro mandato de Lula — a depender de como o governo enfrentará os desdobramentos nos próximos meses.

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Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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