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Fornecimento de motores: o gargalo que ameaça a aviação comercial

Escassez de motores e titânio pressiona aviação mundial e impacta companhias aéreas e fabricantes.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Latam

A indústria da aviação comercial enfrenta uma tempestade perfeita: a combinação entre a escassez de componentes, a elevação de custos de materiais estratégicos como o titânio e os efeitos geopolíticos da guerra na Ucrânia ameaça a cadeia produtiva global. Fabricantes e companhias aéreas convivem com atrasos, elevação de custos e dificuldade para planejar operações, agravando um cenário já desafiador desde a pandemia de covid-19.

O titânio, material indispensável na fabricação de motores, viu seus preços saltarem até 30% desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022. Essa elevação de custos desencadeou uma série de problemas logísticos e operacionais para fabricantes como Embraer, Boeing e Airbus, que dependem da estabilidade dessa cadeia para atender à demanda crescente por aeronaves mais modernas e sustentáveis.

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Titânio: o metal que virou gargalo

Avião parado no aeroporto
Imagem: Freepik/Reprodução

Mais leve que o aço e altamente resistente à corrosão e ao calor, o titânio é essencial para a produção de motores de aviões. Com a guerra na Ucrânia, um dos principais fornecedores da liga metálica, a oferta global ficou comprometida, afetando diretamente o ritmo de produção.

Márcio Peppe, sócio da KPMG especializado no setor aéreo, afirma que a crise atual tem origem clara. “A guerra na Ucrânia foi o berço dessa instabilidade. Desde então, o setor vem sofrendo com a imprevisibilidade no fornecimento de peças essenciais.”

Fabricantes em alerta: produção sob pressão

A cadeia aeronáutica depende de poucos fabricantes de motores. Quatro empresas dominam quase a totalidade do mercado: GE Aviation, Rolls-Royce, Pratt & Whitney e CFM (joint venture entre GE e Safran). Essa concentração dificulta alternativas rápidas para contornar a escassez.

Para piorar, todas as peças de aviões são rigidamente certificadas. “No avião, não é possível substituir o fornecedor do fabricante de motor, tudo é certificado”, destaca Peppe. Isso obriga as companhias aéreas a aguardarem pelo componente exato, mesmo quando alternativas parecem viáveis.

Companhias aéreas entre o custo e a espera

O impacto não se limita aos fabricantes. Companhias como Azul e Latam vêm reportando aumento nos custos operacionais por conta da escassez de motores. A Azul, por exemplo, elevou o número de motores reservas no primeiro trimestre de 2025, citando “problemas de suprimento dos fornecedores”.

O CEO da Latam, Jerome Cadier, declarou que a produção e a entrega de aeronaves ainda não se recuperaram totalmente. “Há uma longa fila de espera para a manutenção de motores”, disse ele no início do ano.

Frota nova: solução sustentável sob ameaça

A necessidade de renovar as frotas, impulsionada por metas globais de redução de emissões de carbono, esbarra agora na limitação de oferta de motores. Aeronaves modernas são mais eficientes no consumo de combustível, e sua aquisição é uma das principais estratégias das companhias para reduzir custos e o impacto ambiental.

Dany Oliveira, executivo do setor, lembra que o Brasil possui um dos combustíveis de aviação mais caros do mundo. “Por isso, as empresas são incentivadas a investir em aeronaves mais modernas.” Mas ele destaca que essa é uma decisão estratégica complexa, que envolve análise de custos, financiamento, eficiência e sustentabilidade.

Padronizar ou diversificar a frota?

A composição da frota é uma escolha estratégica que impacta a manutenção e a dependência tecnológica das companhias. Para Peppe, a padronização oferece vantagens. “Do ponto de vista lógico, é muito mais sensato operar com uma frota padronizada”, explicou. Isso permite uma gestão mais simples da manutenção, embora aumente a vulnerabilidade em crises de fornecimento.

Já Oliveira defende que a diversificação pode ser benéfica se bem planejada. “É necessário pesar os benefícios da redução do risco de fornecimento contra os desafios operacionais de lidar com vários fornecedores.”

Backlog recorde e incertezas

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Segundo dados recentes, a carteira global de pedidos na indústria aeronáutica ultrapassa 17.000 aeronaves. Com tamanha demanda e gargalos na produção, estima-se que a normalização do fornecimento e da produção leve de três a cinco anos.

Além da falta de titânio e peças, há escassez de semicondutores e de mão de obra qualificada desde a pandemia, o que contribui para o prolongamento da vida útil de aeronaves antigas. “Isso eleva os custos de manutenção e reduz o ritmo de modernização da frota”, alerta Oliveira.

Guerra comercial e dependência externa

A crise se agrava ainda mais com as tensões comerciais entre EUA e Europa, especialmente após as políticas protecionistas de Donald Trump. “Mesmo a Airbus, que é europeia, usa equipamentos produzidos nos EUA. Quando há taxação sobre produtos americanos, toda a cadeia sente”, explica Peppe.

No caso da Embraer, o modelo de produção é altamente tecnológico, mas dependente de peças importadas. “Depender da importação é um problema para a indústria”, resume o especialista.

Soluções de longo prazo exigem união

Mãos protegendo avião em miniatura aviação
Imagem: Michal Bednarek/ Shutterstock

Para superar essa fase crítica, será necessário um esforço conjunto entre governos e empresas. Oliveira defende a criação de políticas públicas específicas, investimentos robustos e incentivo à inovação como caminhos para estabilizar o setor.

“Mais do que soluções pontuais, é preciso pensar em como garantir o futuro da aviação de forma sustentável, segura e eficiente”, conclui.

Com informações de: Bloomberg Línea

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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