O café, uma das bebidas mais queridas e tradicionais do Brasil, está enfrentando um momento de retração significativa no consumo.
Crise no café? Associação revela queda expressiva de 16% no consumo
Entenda a queda de 16% no consumo de café em 2025 e saiba como isso pode afetar o mercado. Leia a análise completa!
De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o país registrou uma queda de 16% no consumo da bebida no primeiro quadrimestre de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024.
A análise do cenário revela não apenas uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, mas também alerta para possíveis impactos econômicos em uma das cadeias produtivas mais relevantes do agronegócio nacional.
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Queda expressiva nas vendas: entenda os números

Panorama geral
Os dados consolidados da Abic mostram que, entre janeiro e abril de 2025, foram vendidas 4.753.766 sacas de café no varejo — número significativamente menor do que as 5.010.580 sacas comercializadas no mesmo período de 2024. A queda é de 5,13%.
O mês de abril foi o mais crítico: a retração nas vendas chegou a impressionantes 15,96% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Variações mensais
| Mês | Variação (%) em relação a 2024 |
|---|---|
| Janeiro | +1,26% |
| Fevereiro | +0,89% |
| Março | -4,87% |
| Abril | -15,96% |
Apesar de um início de ano com ligeiras altas, o cenário se reverteu drasticamente em março e, principalmente, em abril.
O que está por trás da crise no café?
Alta de preços
O principal fator apontado para a retração é o aumento expressivo no preço do café. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da bebida subiu 80% entre abril de 2024 e abril de 2025.
Com isso, muitos consumidores passaram a buscar alternativas mais baratas — como chás, cafés solúveis de menor qualidade ou até mesmo reduzir o consumo diário.
Fatores internacionais
A própria Abic relaciona o encarecimento do café a três fatores principais:
- Eventos climáticos extremos, como secas e geadas, que afetaram a produção;
- Aumento da demanda global, impulsionado por mercados em expansão;
- Entrada da China no mercado internacional, pressionando a oferta e os preços.
Impactos econômicos e sociais
Produtores sob pressão
O impacto da queda de consumo é sentido com mais força pelos pequenos e médios produtores. A retração nas compras do varejo afeta diretamente os preços pagos aos produtores e pode comprometer a rentabilidade da safra 2025/2026.
“Estamos apreensivos. O custo de produção subiu muito e agora temos menos demanda”, afirma João Marcos Ribeiro, produtor em Minas Gerais.
Comércio varejista em alerta
O varejo, responsável por cerca de 73% a 78% do consumo interno de café no Brasil, também sente os efeitos. Cafeterias, supermercados e empórios especializados relatam queda nas vendas, especialmente das marcas mais caras e dos cafés gourmet.
Café em risco? A cultura ameaçada pela inflação
Mudança de hábito do consumidor
Pesquisas de comportamento do consumidor indicam que a frequência do consumo de café no lar está diminuindo. Muitos brasileiros passaram a limitar o número de xícaras diárias ou a utilizar marcas mais acessíveis. Há também relatos de consumidores que optam por dividir pacotes com familiares para diluir os custos.
Café vai deixar de ser popular?
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+311 mil seguidores
Embora ainda seja cedo para afirmar uma mudança definitiva na cultura do café no Brasil, especialistas alertam que a continuidade da alta nos preços pode alterar o perfil do consumo no país.
Como o setor pretende reagir?

Diversificação e inovação
Empresas do setor estão apostando em novas formas de consumo, como cápsulas reutilizáveis, cafés instantâneos premium e bebidas geladas. A inovação tem sido vista como uma saída para reconquistar o consumidor impactado pela inflação.
Campanhas de valorização
A Abic e outras entidades do setor estudam campanhas de valorização do café nacional, buscando mostrar os benefícios da bebida e incentivar o consumo consciente.
O que esperar do futuro?
Projeções para os próximos meses
Apesar da queda atual, o setor está cautelosamente otimista de que o segundo semestre possa trazer alívio. A colheita 2025 promete ser positiva em volume, o que pode contribuir para estabilização ou até redução dos preços.
No entanto, tudo dependerá do comportamento do clima e do mercado externo — especialmente da demanda asiática.
Conclusão
A crise no consumo de café em 2025 escancara um problema que vai além da xícara: trata-se de um reflexo da inflação, dos desafios climáticos e do reposicionamento global de mercados agrícolas.
O café, que sempre teve lugar garantido nas mesas dos brasileiros, agora precisa disputar espaço e orçamento. A indústria, por sua vez, terá que se reinventar para manter a relevância e o consumo ativo de um produto que é, há séculos, parte da identidade nacional.
Imagem: Canva
