Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Modelos de Redmi e POCO podem ser descontinuados pela Xiaomi

Crise dos chips afeta a Xiaomi, que avalia cortar celulares de 1 TB da linha Redmi e POCO para manter preços e preservar o custo-benefício.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
poco redmi

A crise global no fornecimento de chips de memória começou a mostrar reflexos diretos no mercado de smartphones, e a Xiaomi surge como uma das primeiras gigantes do setor a admitir, ainda que de forma indireta, mudanças estratégicas para enfrentar o cenário. Conhecida por apostar no equilíbrio entre preço e especificações técnicas, a fabricante chinesa avalia medidas que podem alterar profundamente a oferta de seus celulares nos próximos anos, incluindo o fim de modelos com 1 TB de armazenamento interno nas linhas Redmi e POCO.

O movimento, embora ainda não oficializado de forma ampla pela empresa, vem sendo discutido por fontes do mercado e reforçado por vazamentos de analistas conhecidos do setor. A proposta central da Xiaomi seria preservar preços competitivos em um momento de aumento expressivo nos custos de componentes essenciais, especialmente os chips de memória utilizados em smartphones intermediários e premium.

A decisão, caso confirmada, não afeta apenas consumidores mais exigentes em armazenamento, mas também redefine o posicionamento de mercado da marca, que construiu sua reputação justamente oferecendo configurações robustas por valores abaixo dos concorrentes diretos.

Leia Mais:

Concurso da Caixa bate 78 mil inscritos e prova já tem data marcadas

Crise dos chips de memória pressiona fabricantes globais

O setor de tecnologia já conviveu com gargalos na cadeia de semicondutores nos últimos anos, mas a nova crise atinge um componente específico: os chips de memória. Esses módulos são responsáveis pelo armazenamento interno dos dispositivos e tiveram aumento significativo de custos devido à alta demanda, redução de produção e ajustes estratégicos de grandes fabricantes globais.

Para as empresas de smartphones, isso significa uma equação delicada. De um lado, consumidores esperam cada vez mais espaço para fotos, vídeos em alta resolução, aplicativos pesados e jogos. De outro, o custo para oferecer versões com 1 TB de armazenamento cresce em ritmo mais acelerado do que o repasse de preços permitiria sem comprometer as vendas.

No caso da Xiaomi, o impacto é ainda mais sensível. A marca atua com margens historicamente mais apertadas do que rivais como Apple e Samsung, o que limita sua capacidade de absorver aumentos prolongados nos custos de produção.

Xiaomi quer preservar a imagem de custo-benefício

Desde sua fundação, a Xiaomi se posiciona como uma empresa focada em custo-benefício. Essa estratégia não se limita aos smartphones, mas se estende a tablets, dispositivos vestíveis e produtos para casa inteligente. Manter preços agressivos sempre foi parte central do discurso da marca, especialmente nos mercados emergentes.

A possível eliminação de celulares com 1 TB de armazenamento se encaixa nessa lógica. Em vez de repassar integralmente os custos da crise dos chips ao consumidor final, a empresa optaria por limitar o armazenamento máximo a 512 GB, mantendo preços mais próximos dos atuais.

Na prática, isso significa que o consumidor levaria para casa um aparelho com metade da memória esperada em relação aos modelos mais completos, mas sem enfrentar um salto abrupto nos valores cobrados nas lojas.

Redmi e POCO podem ser as mais afetadas

As linhas Redmi e POCO concentram grande parte do volume de vendas da Xiaomi em diversos mercados, incluindo o Brasil. São justamente essas marcas que carregam o discurso de especificações avançadas por preços competitivos, sobretudo nos segmentos intermediário e intermediário-premium.

Segundo informações de bastidores, a Xiaomi estuda “matar” os smartphones dessas linhas que oferecem 1 TB de armazenamento interno. A mudança atingiria especialmente modelos voltados a usuários mais exigentes, que buscam alto desempenho, câmeras avançadas e grande espaço para armazenamento local.

Embora o foco inicial esteja nos intermediários e premium acessíveis, há chances reais de que a própria Xiaomi remova esses dispositivos do seu catálogo principal, padronizando o limite máximo de armazenamento em 512 GB em praticamente toda a linha de smartphones.

Impacto direto para o consumidor

Do ponto de vista do consumidor, a mudança traz vantagens e desvantagens claras. A principal vantagem é a manutenção de preços mais estáveis em um cenário de inflação tecnológica. Em vez de ver celulares ultrapassando rapidamente a barreira psicológica de preço, o usuário continuaria encontrando modelos com bom desempenho por valores mais acessíveis.

Por outro lado, a redução no armazenamento máximo pode frustrar usuários que utilizam o smartphone como principal dispositivo de trabalho, lazer e armazenamento de conteúdo. Com câmeras cada vez mais avançadas e vídeos em resoluções elevadas, 512 GB, embora ainda seja um volume considerável, pode não atender a todos os perfis.

Essa decisão também reforça uma tendência já observada no mercado: a dependência crescente de soluções em nuvem, seja para backup de fotos, vídeos ou documentos, transferindo parte da experiência do usuário para serviços pagos recorrentes.

Tablets já ficaram mais caros na China

Os primeiros sinais concretos da estratégia da Xiaomi já apareceram em outro segmento. De acordo com o conhecido vazador Digital Chat Station, a empresa aumentou recentemente os preços de alguns tablets vendidos na China. O reajuste variou entre 100 e 300 yuans, o equivalente a aproximadamente R$ 77 a R$ 230 na conversão direta.

Embora os tablets não tenham o mesmo volume de vendas que os smartphones, o movimento indica que a fabricante já começou a recalibrar seus preços para lidar com o aumento nos custos de produção. Esse ajuste inicial funciona como um termômetro para o que pode acontecer em outras categorias ao longo dos próximos meses.

A leitura do mercado é de que a Xiaomi tenta distribuir o impacto da crise de forma gradual, evitando um choque de preços que poderia afastar consumidores sensíveis a aumentos.

Aumento nos smartphones deve chegar em 2026

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Apesar do esforço para segurar valores, a expectativa é que os preços dos smartphones também sofram reajustes ao longo de 2026. A diferença, segundo fontes do setor, é que esses aumentos devem ocorrer de forma escalonada, com pequenos acréscimos ao longo do tempo, em vez de uma elevação brusca.

Essa estratégia permite à Xiaomi testar a reação do mercado e ajustar sua política de preços conforme a resposta dos consumidores. Também reduz o risco de perda imediata de participação para concorrentes que enfrentam dificuldades semelhantes, mas adotam abordagens distintas.

Mesmo com possíveis aumentos, a empresa ainda tende a manter valores abaixo dos principais rivais, preservando parte do diferencial competitivo que a tornou popular em diversos países.

Fim do carregador na caixa ganha força

Outra frente que a Xiaomi passou a considerar para conter custos envolve a remoção do carregador da caixa de seus celulares básicos e intermediários. A prática, já adotada por outras fabricantes nos últimos anos, foi inicialmente justificada por questões ambientais, mas também representa uma redução relevante nos custos logísticos e de produção.

Um executivo da Xiaomi chegou a admitir recentemente que a empresa avalia essa possibilidade como forma de “segurar os preços”. Caso a medida avance, o consumidor precisará adquirir o carregador separadamente ou reutilizar acessórios antigos compatíveis.

Embora a decisão gere críticas, especialmente em mercados onde o poder de compra é menor, ela se alinha a uma tendência global e pode ajudar a compensar parte do aumento nos custos de componentes como os chips de memória.

Mercado de smartphones entra em nova fase

As mudanças estudadas pela Xiaomi refletem um momento de transição no mercado de smartphones. Após anos de avanços rápidos e expansão agressiva de especificações, o setor enfrenta limites impostos por custos, cadeia de suprimentos e saturação de consumidores.

Nesse contexto, fabricantes precisam escolher entre absorver prejuízos, repassar aumentos ou ajustar suas ofertas. A Xiaomi parece optar por um caminho intermediário, sacrificando algumas configurações mais extremas para preservar sua base de clientes e manter volumes de venda.

A possível extinção de celulares com 1 TB de armazenamento nas linhas Redmi e POCO simboliza essa nova fase, na qual o equilíbrio entre preço e especificações volta a ser prioridade absoluta.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados