A Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) divulgou nesta segunda-feira (17) uma nota oficial na qual critica o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuindo a ele responsabilidade pela greve dos auditores fiscais da Receita Federal. Segundo a entidade, o chefe da equipe econômica do governo Lula priorizou outras categorias do funcionalismo público e deixou de atender às demandas da Receita, o que intensificou a insatisfação da categoria.
Receita Federal: auditores responsabilizam Haddad por greve
Unafisco critica Haddad por ignorar demandas da Receita Federal. Greve impacta arrecadação e comércio exterior. Confira!
A paralisação, iniciada em 26 de novembro de 2024, já causa impactos significativos na arrecadação do governo federal e no comércio exterior. Segundo a associação, delegados e auditores das principais regiões administrativas da Receita aderiram à greve, afetando diretamente operações de fiscalização e liberação de mercadorias nos portos e aeroportos brasileiros.
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Críticas ao ministro da Fazenda

A Unafisco argumenta que a negligência do governo em relação às demandas dos auditores fiscais resultou em um cenário de insatisfação crescente. A principal queixa da categoria é o congelamento salarial, enquanto outras categorias ligadas ao Ministério da Fazenda receberam reajustes significativos.
“A percepção da Unafisco é de que Haddad é corresponsável pela greve porque priorizou outras áreas sob sua gestão, ignorando demandas da Receita, alimentando a revolta dos auditores fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional, subordinada ao mesmo ministério, recebeu reajustes salariais de 19% para os próximos dois anos, enquanto os auditores permanecem com seus vencimentos básicos congelados. Esse tratamento desigual foi a ‘gota d’água’ para a greve”, afirma a entidade em nota oficial.
A associação enfatiza que esta é a segunda paralisação da categoria em menos de um ano e alerta para uma crise estrutural dentro da administração da Receita Federal. Para a Unafisco, a falta de uma política eficaz para atender às reivindicações dos auditores fiscais reflete uma “crise de governança”, que desgasta a imagem do governo federal.
Impacto econômico da greve
A paralisação dos auditores fiscais não se restringe apenas às questões salariais. Segundo a Unafisco, a greve já provoca um prejuízo expressivo na arrecadação federal e paralisa setores estratégicos da economia.
Arrecadação e projeções financeiras
Os impactos da greve na arrecadação do governo são preocupantes. De acordo com a associação, R$ 15 bilhões em transações tributárias estão pendentes desde 2024, além da interrupção de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que envolvem R$ 51 bilhões em disputas fiscais.
A situação pode comprometer as previsões do governo para 2025. O Ministério da Fazenda projetava arrecadar R$ 31 bilhões com transações tributárias neste ano, mas os dados de 2024 reforçam o ceticismo. No ano passado, apenas R$ 5,4 bilhões foram efetivamente captados, muito abaixo da meta inicial.
Paralisação do comércio exterior
Outro impacto significativo da greve dos auditores fiscais é no comércio exterior. Mais de 500 mil remessas de importação e exportação estão retidas, e os prazos de liberação de cargas em portos e aeroportos, como Guarulhos e Viracopos, já chegam a 30 dias de atraso.
Setores estratégicos da economia nacional, como o farmacêutico, automotivo e agronegócio, estão entre os mais prejudicados pela demora na liberação das mercadorias. A retenção de insumos e produtos essenciais pode comprometer a produção e gerar efeitos em cadeia, elevando os custos para a indústria e o consumidor final.
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Pressão sobre o governo e crise de governança

A Unafisco ressalta que esta é a segunda greve da categoria em um curto intervalo de tempo, o que evidencia falhas estruturais na administração da Receita Federal. Segundo a entidade, a paralisação expõe uma crise de governança dentro do governo Lula, agravando o desgaste da sua gestão.
Além do impacto econômico, a greve dos auditores fiscais pode afetar ainda mais a aprovação popular do presidente. O descontentamento entre servidores públicos e o atraso na solução de problemas internos reforçam a percepção de dificuldades na condução administrativa do país.
“A falta de diálogo e a inação do governo diante das reivindicações da Receita Federal só ampliam a crise institucional. O impacto financeiro e a paralisação do comércio exterior são reflexos diretos da falta de uma gestão eficiente na administração tributária do país”, destaca a associação.
O impasse entre os auditores fiscais e o governo Lula se intensifica, e não há previsão para o fim da greve. Enquanto isso, o setor produtivo e os cofres públicos seguem sentindo os reflexos da paralisação.
O outro lado
O Ministério da Fazenda e a Receita Federal foram procurados para comentar as declarações da Unafisco e os impactos da greve, mas, até o momento, não responderam aos questionamentos.
Com a continuidade do movimento grevista, aumenta a pressão sobre Fernando Haddad e sua equipe econômica para encontrar uma solução que atenda às reivindicações dos auditores fiscais e minimize os danos à economia do país.

