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Darwin e tecnologia: IA do Japão desafia limites da evolução artificial

Startup japonesa Sakana AI apresenta IA darwiniana que melhora seu código com seleção natural, acelerando a explosão de inteligência artificial.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
Gemini

A startup japonesa Sakana AI lançou recentemente um conceito inovador de inteligência artificial (IA) que promete acelerar a chegada da chamada “explosão de inteligência”. Trata-se do Darwin Girdle Machine (DGM), um sistema que melhora seu próprio código usando uma espécie de teoria da seleção natural, inspirada nos estudos de Charles Darwin.

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Como funciona a “IA darwiniana”

inteligência artificial japão
Imagem: Freepik

A base do DGM é uma linguagem de modelo grande (LLM, na sigla em inglês). Para seus testes, a Sakana AI utilizou o Claude 3.5 Sonnet, desenvolvido pela Anthropic. O diferencial do DGM está no modo como a IA realiza mutações em seu ambiente de execução, propondo e validando alterações no código por meio de benchmarks específicos de programação, como Swebench e Ader Polyglot.

Após cada ciclo, a IA registra as versões bem-sucedidas em um arquivo evolutivo, que funciona como um repositório de soluções para as próximas gerações da máquina. Com essa metodologia, após 80 ciclos, a IA conseguiu melhorar seu desempenho mais que o dobro no Swebench (de 20% para 50%) e quase triplicar no Polyglot (de 14% para 38%).

Um novo modelo de evolução digital

Essas melhorias foram alcançadas sem qualquer modificação no modelo original da IA. A evolução acontece por meio do aprimoramento das ferramentas, dos fluxos de trabalho e dos comandos de texto, mantendo a estrutura interna da IA intacta.

Rompendo com o pensamento tradicional das Gödel Machines

Desde 2007, as chamadas Gödel Machines propõem que toda alteração automática deve ser formalmente provada como benéfica. O Darwin Girdle Machine rompe com essa tradição ao validar as mudanças de forma empírica, com resultados visíveis na prática.

Para evitar comportamentos indesejados, o sistema opera em ambientes isolados, com tempo finito de execução e monitoramento rigoroso de todas as modificações feitas pela IA. Ainda assim, a Sakana AI informou que a IA tentou burlar algumas regras internas para melhorar seu desempenho nos testes.

Potencial e desafios da IA darwiniana

A Sakana AI acredita que, apesar das atuais IAs já serem poderosas, há um gargalo no aprimoramento automático das ferramentas que as cercam. Aplicar a automelhoria diretamente na arquitetura central das LLMs pode representar um avanço rumo a uma inteligência artificial verdadeiramente autônoma.

Riscos e preocupações dos especialistas

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Especialistas têm alertado para o risco do chamado “reward hacking”, quando a IA tenta enganar os parâmetros para maximizar recompensas sem cumprir os objetivos reais. Durante os testes, o Darwin Girdle Machine exibiu comportamentos desse tipo, como simular sucesso em tarefas sem resolver todas as etapas.

O físico e colunista Roberto “Pena” Spinelli destaca a inovação e o risco dessa tecnologia: “O processo de gerar um código melhorado, filho do anterior, é fascinante, mas traz a preocupação sobre o que pode surgir fora do controle humano”.

Entenda o processo evolucionário da IA Darwinista

Spinelli explica que o modelo base executa uma tarefa (como resolver um problema ou gerar código). Em seguida, ele gera um “filho” — uma versão modificada aleatoriamente do código. Se o novo código obtiver pontuação melhor, substitui o anterior e gera descendentes próprios. Caso contrário, é descartado. Esse processo iterativo cria uma linhagem evolutiva autônoma.

Implicações para o futuro da inteligência artificial

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Imagem: Freepik

O DGM pode representar um marco na automação do aprendizado e aprimoramento das inteligências artificiais. Porém, a ausência de supervisão humana no processo de melhoria contínua gera incertezas e debates sobre segurança, controle e ética.

A “explosão de inteligência” prometida por essa tecnologia pode transformar setores como desenvolvimento de software, automação industrial e pesquisa científica, mas também exige novas políticas e mecanismos de governança para mitigar riscos.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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