O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto de lei que promete transformar as relações entre clientes e instituições financeiras no Brasil. A nova norma permite que débito automático seja realizado entre bancos diferentes e reduz o prazo da portabilidade de salários de 10 para apenas 2 dias úteis.
Nova lei vai permitir débito automático entre bancos e portabilidade em 2 dias!
Projeto aprovado no Senado permite débito automático entre bancos e portabilidade de salários em apenas dois dias úteis.
A medida, que segue agora para sanção presidencial, tem potencial para aumentar a concorrência bancária e facilitar a vida de milhões de brasileiros.
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O que muda com a nova lei

A proposta, relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AL), tem dois eixos principais: a autorização de débitos automáticos entre diferentes instituições financeiras e a redução do prazo para portabilidade de salários, aposentadorias e rendimentos.
Segundo Braga, o texto “busca ampliar os direitos dos consumidores, promover a competitividade e garantir maior transparência nas operações bancárias”. A iniciativa recebeu forte apoio de bancos digitais e fintechs, que veem na proposta uma forma de equilibrar o jogo com os grandes bancos tradicionais.
Já as instituições financeiras de maior porte demonstraram resistência, alegando que a mudança exigirá adaptações tecnológicas e poderá aumentar custos operacionais.
Portabilidade mais rápida e sem burocracia
A portabilidade salarial, um direito já existente desde 2018, permite que o trabalhador escolha em qual banco deseja receber seu pagamento, mesmo que a empresa utilize outro. O processo, que atualmente leva até 10 dias úteis, passará a ser concluído em até 2 dias, segundo o novo texto.
A principal mudança é que o banco de origem não poderá negar a transferência sob a justificativa de falta de informações ou inconsistências nos dados do empregador. Bastará que o cliente faça a solicitação na nova instituição financeira, e o processo será conduzido de forma automática.
Essa simplificação promete beneficiar trabalhadores de todo o país, especialmente aqueles que preferem operar com bancos digitais, que costumam oferecer tarifas menores e serviços mais ágeis.
Mais liberdade para o consumidor
Com o novo sistema, o consumidor terá maior autonomia sobre suas operações financeiras. A possibilidade de realizar débitos automáticos entre diferentes bancos facilitará, por exemplo, o pagamento de parcelas de empréstimos e faturas de cartões, mesmo quando o crédito e a conta corrente estão em instituições distintas.
O Banco Central será responsável por regulamentar o sistema de pagamentos que viabilizará essa integração entre bancos, garantindo segurança e rastreabilidade nas transações.
Débito automático entre bancos: como vai funcionar

A medida autoriza que o tomador de crédito — aquele que contrai um empréstimo ou financiamento — possa autorizar o débito automático de suas parcelas em qualquer conta de sua titularidade, inclusive em contas pré-pagas ou digitais.
Essa flexibilidade permitirá que o cliente indique uma ou mais contas para a cobrança. Caso opte por mais de uma, ele poderá definir a prioridade de débito, evitando atrasos e juros desnecessários.
O projeto também determina que o débito só poderá ocorrer com autorização prévia e expressa do cliente. Além disso, tanto o banco que concede o crédito quanto aquele que administra a conta deverão informar ao consumidor sobre a efetivação da cobrança, detalhando o contrato e a operação correspondente.
Exemplo prático
Imagine um consumidor que tenha um empréstimo com um banco tradicional, mas mantenha sua conta principal em um banco digital. Com a nova lei, ele poderá autorizar que as parcelas sejam debitadas automaticamente dessa conta digital, sem precisar transferir manualmente o dinheiro todos os meses.
Essa funcionalidade traz conveniência e segurança, reduzindo a chance de esquecimentos e multas por atraso, além de eliminar burocracias entre instituições.
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Transparência nas taxas de juros
Outro ponto importante do projeto é a obrigação dos bancos de informar com antecedência mínima de 30 dias qualquer alteração nas taxas de juros aplicadas a operações de crédito pré-aprovadas ou rotativas — como cartões de crédito e linhas pós-pagas.
Essa medida busca reforçar a transparência e a previsibilidade nas relações entre bancos e consumidores, permitindo que os clientes possam avaliar com antecedência as condições de crédito e decidir se desejam manter ou encerrar o contrato.
Segundo especialistas do setor, essa obrigação pode incentivar práticas mais justas e competitivas, já que os consumidores estarão mais bem informados sobre as mudanças de custos.
Impacto no sistema financeiro
A proposta aprovada representa mais um passo no movimento de modernização do sistema bancário brasileiro, iniciado com o Pix e o Open Finance. Essas inovações têm como objetivo aumentar a competição, reduzir tarifas e democratizar o acesso aos serviços financeiros.
Reação dos grandes bancos
Os grandes bancos têm se mostrado cautelosos. Algumas instituições alegam que a interoperabilidade entre sistemas pode elevar os riscos operacionais e exigir investimentos pesados em tecnologia e segurança da informação.
Por outro lado, as fintechs e bancos digitais comemoraram a decisão. Para eles, o novo modelo estimula a concorrência e corrige uma distorção que por anos limitou o poder de escolha do consumidor.
Imagem: Getty Images
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