O mês de novembro reserva um encontro inédito entre dois eventos de grande impacto no bolso do brasileiro: o pagamento da primeira parcela do 13º salário e a realização da Black Friday, que ocorrerão exatamente na mesma data: sexta-feira, 28 de novembro. Essa coincidência, por um lado, representa uma oportunidade de consumo reforçado com dinheiro extra no bolso, mas por outro acende um alerta para os riscos financeiros e de segurança digital.
Black Friday: 1ª parcela do 13º salário cai no mesmo dia; saiba como não gastar tudo de uma vez
Primeira parcela do 13º cai em 28 de novembro, mesmo dia da Black Friday. Veja como usar o valor com consciência, evitar dívidas e mais!
A expectativa é que essa combinação movimente a economia, gere aumento de vendas no comércio físico e online e estimule compras em setores estratégicos. Ao mesmo tempo, especialistas pedem cautela e organização financeira para que o bônus trabalhista não se transforme em endividamento logo no início de 2026.
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O que diz a lei sobre o pagamento do 13º salário?
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determina que o 13º salário deve ser pago em duas parcelas:
- Primeira parcela: até 30 de novembro
- Segunda parcela: até 20 de dezembro
Como o dia 30 de novembro de 2025 cairá em um domingo, o depósito da primeira parte deve ocorrer até o último dia útil anterior, que será a sexta-feira, 28 de novembro.
Valor da primeira parcela
A primeira parcela equivale a 50% da remuneração mensal do trabalhador, sem descontos. Os tributos (como o INSS e o IRRF) incidem apenas sobre a segunda parcela, paga em dezembro.
A Black Friday de 2025: R$ 11 bilhões em movimento
A Black Friday será realizada, como de costume, na quarta sexta-feira de novembro, coincidindo neste ano com o pagamento do 13º. De acordo com estimativa da Neotrust, o volume de vendas para esta edição deve ultrapassar os R$ 11 bilhões, consolidando a data como a mais relevante do calendário do varejo nacional.
O impacto do 13º no consumo da Black Friday
Vanessa Martins, diretora de marketing da Neotrust, afirma que a coincidência entre o 13º e a data promocional tende a aumentar a confiança do consumidor e impulsionar o volume de vendas.
“Quando o consumidor entra na data com reforço de renda, ele tende a comprar mais e com mais confiança”, diz.
Isso ocorre porque o salário extra proporciona maior liquidez imediata, o que favorece tanto as compras à vista quanto o parcelamento com entrada.
Oportunidade ou armadilha? Especialistas falam sobre riscos
O entusiasmo com a renda adicional e as ofertas da Black Friday pode levar muitos consumidores a extrapolar seus orçamentos. Gean Duarte, economista e CEO da Bixa Rica, alerta para o risco de comprometer o início do ano com dívidas feitas por impulso.
“É ótimo aproveitar a Black Friday, mas só se for com consciência e planejamento. Do contrário, o desconto de novembro pode se transformar na dívida de janeiro”, afirma.
Despesas que vêm logo depois
Logo após a Black Friday e as festas de fim de ano, começam os gastos tradicionais de início de ano:
- IPVA
- IPTU
- Material escolar
- Renovação de matrículas e cursos
- Cartão de crédito acumulado de dezembro
Por isso, o uso consciente do 13º salário deve prever reserva para essas obrigações fixas, especialmente para quem não tem fundo de emergência estruturado.
Planejamento financeiro: como usar o 13º com inteligência
Especialistas em finanças pessoais indicam que o 13º salário pode ser dividido entre três prioridades:
1. Quitar dívidas
Priorizar o pagamento de dívidas com altos juros, como cartão de crédito e cheque especial, é a melhor aplicação para quem está negativado ou com faturas em atraso.
2. Antecipar despesas futuras
Separar parte do valor para gastos de início de ano evita o acúmulo de contas em janeiro, período em que há alta no número de inadimplentes.
3. Aproveitar com consciência
Se as dívidas estão controladas e o planejamento do início de ano está resolvido, usar o 13º para aproveitar a Black Friday pode ser vantajoso, desde que com moderação e foco em compras úteis ou planejadas.
Dicas para aproveitar a Black Friday sem cair em ciladas
Com o aumento da procura e dos valores transacionados, cresce também o número de fraudes, golpes digitais e práticas enganosas. A seguir, veja recomendações para se proteger.
Golpes mais comuns
Segundo Victor Thomazetti, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, os principais golpes aplicados na Black Friday incluem:
- Phishing: sites falsos que imitam grandes marcas para roubar dados
- Boletos falsos: gerados por golpistas com o objetivo de desviar o pagamento
- Promoções enganosas: anúncios com preços irreais, criados para atrair cliques e instalar vírus
Como se proteger
- Desconfie de ofertas “milagrosas”: promoções com até 80% de desconto devem ser analisadas com muito critério.
- Pesquise a reputação da loja: consulte o CNPJ no site da Receita Federal e verifique se a empresa está no Reclame Aqui.
- Prefira cartões virtuais: eles limitam o uso de dados do cartão físico e reduzem riscos de clonagem.
- Evite clicar em links enviados por e-mail ou WhatsApp: acesse os sites digitando o endereço diretamente no navegador.
- Use carteiras digitais para compras presenciais: elas evitam o manuseio de cartão e aumentam a proteção.
Tecnologia contra fraudes
O Itaú informou que investiu mais de R$ 11 bilhões em tecnologia para aprimorar a segurança nas transações. Entre as soluções desenvolvidas estão:
- Hub de Segurança: plataforma que monitora em tempo real transações suspeitas
- Alerta Pix: notificação automática em caso de movimentações atípicas
Essas tecnologias ajudam a evitar perdas financeiras tanto para os consumidores quanto para as instituições bancárias e varejistas.
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Perfis de consumidor e estratégias para a data
A junção do 13º com a Black Friday também permite a segmentação de perfis e estratégias diferentes para lidar com os recursos.
Perfil 1 – Endividado
- Recomendação: usar o 13º para pagar dívidas
- Black Friday: evitar compras por impulso
Perfil 2 – Organizado
- Recomendação: antecipar despesas de início de ano
- Black Friday: aproveitar promoções em compras planejadas
Perfil 3 – Investidor
- Recomendação: reservar parte do 13º para investimentos de curto e médio prazo
- Black Friday: comprar apenas se houver uma oportunidade real
Perfil 4 – Consumidor emocional
- Recomendação: criar limite de gastos e usar cartão pré-pago para controlar impulsos
- Black Friday: fazer lista e pesquisar antes
E se eu não receber a primeira parcela do 13º até 28 de novembro?
O empregador que não fizer o pagamento da primeira parcela do 13º até o prazo legal (28 de novembro de 2025) poderá ser autuado e multado por descumprimento da legislação trabalhista.
O que fazer?
- Converse com o setor de RH da empresa e registre a pendência.
- Se não houver resolução, registre uma denúncia no Ministério do Trabalho ou nos sindicatos da categoria.
- Também é possível recorrer à Justiça do Trabalho para garantir o direito.
Efeitos no comércio e na economia
O comércio varejista aposta na sinergia entre o pagamento do 13º e a Black Friday para bater recordes de vendas, especialmente nos segmentos de:
- Eletrodomésticos
- Eletrônicos
- Moda e calçados
- Móveis e decoração
- Turismo e passagens aéreas
Estímulo econômico
Com maior poder de compra, o consumidor tende a antecipar compras de fim de ano, o que injeta capital no mercado, estimula a produção e favorece a contratação temporária, impulsionando empregos sazonais.
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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital
