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Decisão judicial: os bastidores da soltura de empresários investigados no caso Banco Master

Acompanhe os bastidores da decisão que libertou empresários ligados ao Banco Master e entenda o avanço das investigações. Leia a análise.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
Banco Master

A soltura de dois empresários investigados no caso Banco Master reacendeu discussões sobre o rumo das investigações e sobre a atuação das autoridades envolvidas. Detidos temporariamente durante a operação Compliance Zero, André Felipe de Oliveira Seixas Maia e Henrique Souza e Silva Peretto deixaram a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo após o fim do prazo de três dias de prisão. A decisão ocorreu em meio ao aprofundamento das apurações sobre a suposta negociação de créditos irregulares que movimentou bilhões de reais e colocou o Banco Master no centro das atenções.

Segundo a defesa, os empresários foram liberados por volta da meia-noite e seguiram diretamente para suas residências na capital paulista. O advogado Luiz Felipe Mallmann de Magalhães afirmou que ambos estão à disposição das autoridades e buscarão colaborar com os esclarecimentos necessários. A libertação, embora esperada devido à natureza temporária da prisão, abriu espaço para novos debates sobre a estrutura usada na operação e o papel das empresas envolvidas.

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Como as investigações chegaram a Maia e Peretto

A operação apontou que Maia e Peretto ocupam cargos de direção na Cartos Sociedade de Crédito Direto. A companhia teria criado a Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito, considerada pelos investigadores uma empresa de fachada responsável por intermediar créditos supostamente inexistentes. A Tirreno, fundada em novembro do ano passado e dirigida por Maia, teria vendido ao Banco Master cerca de R$ 12,2 bilhões em dívidas que, posteriormente, foram revendidas ao BRB (Banco de Brasília).

A PF apura se a Tirreno funcionava como uma blindagem operacional da Cartos. Documentos anexados ao processo apontam que a empresa teria atuado na originação dos créditos repassados ao Banco Master, que, por sua vez, os cedeu ao BRB. O Ministério Público Federal destaca que a ausência de “coobrigação” na transação levantou suspeitas, pois transferia todo o risco de inadimplência ao banco público.

O papel do Banco Master no centro do escândalo

O Banco Master está no epicentro do caso devido à participação de seus diretores e ao volume financeiro movimentado. De acordo com o MPF, parte das transferências ocorreu no mesmo período em que foi anunciada a operação de venda do Banco Master, o que agravou as suspeitas. As transações, segundo o órgão, ocorreram “sem documentação adequada” e contrariando normas regulatórias, indicando um esforço para evitar a possível quebra da instituição antes da avaliação final do Banco Central.

A investigação aponta que gestores do BRB teriam agido em conluio com diretores do Banco Master para viabilizar a operação. O MPF afirma haver indícios de gestão fraudulenta, motivados pela transferência bilionária de créditos considerados inconsistentes.

A disputa sobre onde os presos deveriam ficar

A Polícia Federal solicitou a transferência de Maia e Peretto para o sistema penitenciário estadual, justificando que não teria estrutura para manter presos preventivamente por período indeterminado. No entanto, a Justiça do Distrito Federal decidiu que a permanência na Superintendência da PF deveria ser mantida por três dias, prazo que se encerrou na madrugada de hoje.

A decisão judicial expôs a divergência entre órgãos responsáveis pela custódia dos investigados, mas, ao final, a PF cumpriu o tempo determinado e liberou os empresários.

O que dizem as empresas investigadas

O caso também envolve contrapontos e notas de esclarecimento. A Cartos afirma não ser alvo da investigação e nega qualquer irregularidade. Segundo a empresa, todas as operações seguem normas de compliance e regulamentações do Banco Central.

O BRB, por sua vez, declarou que a compra dos créditos foi realizada conforme suas regras internas e que só após análise detalhada identificou inconsistências na documentação fornecida pelo Banco Master. A instituição informou que notificou o Banco Central imediatamente e passou a substituir os ativos envolvidos na operação.

Prisões preventivas seguem mantidas

Enquanto Maia e Peretto foram soltos, outros cinco investigados permanecem presos preventivamente. Entre eles está Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que permanece detido sem prazo determinado para liberação. A defesa de alguns dos envolvidos já apresentou pedidos de habeas corpus, que ainda aguardam análise judicial.

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Quem continua preso:

  • Daniel Vorcaro — dono do Banco Master
  • Luiz Antônio Bull — diretor de riscos, compliance, RH e operações
  • Alberto Felix de Oliveira Neto — superintendente de Tesouraria
  • Augusto Ferreira Lima — ex-CEO da instituição
  • Ângelo Antônio Ribeiro da Silva — diretor do Banco Master

Esses nomes permanecem sob investigação intensa, com o MPF buscando aprofundar o entendimento sobre a suposta rede de operações irregulares.

O cenário atual

A libertação de Maia e Peretto não altera, por ora, o foco das apurações. As autoridades continuam investigando se houve coordenação entre empresas privadas e agentes do BRB para movimentar créditos considerados fictícios. O caso promete se estender nas próximas semanas, com novos depoimentos, análise documental e possível apresentação de denúncias.

A soltura dos dois empresários marca apenas uma etapa do caso Banco Master, que segue cercado de suspeitas sobre créditos bilionários, possíveis fraudes e articulações entre instituições financeiras. As próximas decisões judiciais deverão definir o rumo da investigação, que continua sob grande atenção pública e institucional.

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Com informações de: Economia – UOL

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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