O início desta semana é marcado por expectativa elevada nos mercados financeiros, especialmente diante das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. A conjuntura global combina inflação ainda persistente, volatilidade nas taxas futuras e incertezas políticas no Brasil, elementos que influenciam de forma direta os ativos de risco, a renda fixa e o comportamento das bolsas internacionais.
Juros e inflação em destaque: principais decisões econômicas da semana no Brasil
As decisões de juros no Brasil e nos EUA, dados de inflação e a reação dos mercados globais definem o tom econômico da semana.
Ibovespa fecha em queda com pressão dos juros e volatilidade política
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O Ibovespa encerrou a semana passada em queda de 1,1% em reais e 2,5% em dólares, aos 157.369 pontos. O movimento refletiu tanto a sensibilidade das empresas ao avanço da curva de juros quanto a aversão ao risco causada por tensões políticas domésticas.
Setores mais impactados pela alta de juros
Entre as maiores quedas da semana estiveram companhias de varejo, altamente sensíveis ao crédito mais caro:
- C&A (CEAB3): -19,7%
- Lojas Renner (LREN3): -11,9%
- Azzas 2154 (AZZA3): -11,4%
A abertura da curva de juros, impulsionada principalmente por notícias políticas no cenário nacional, afetou diretamente empresas dependentes de consumo e financiamento.
Mineração e siderurgia em alta
- CSN (CSNA3): +5,6%
- Usiminas (USIM5): +4,4%
- Vale (VALE3): +4,2%
O minério de ferro registrou valorização de 1,2% na semana, beneficiando empresas exportadoras e contribuindo para mitigar parte das perdas do Ibovespa.
Renda fixa
O mercado de juros futuros registrou forte abertura ao longo da curva, influenciado principalmente pelo receio dos investidores após o anúncio de apoio político do ex-presidente Jair Bolsonaro à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026.
Desempenho dos principais vencimentos do DI
- DI jan/26: 14,9% (+0,1 bps na semana)
- DI jan/27: 13,79% (+20 bps)
- DI jan/29: 13,2% (+45,5 bps)
- DI jan/31: 13,45% (+45,5 bps)
- DI jan/35: 13,57% (+37 bps)
Apesar da abertura generalizada dos juros nominalizados, os juros reais medidos pelas NTN-Bs registraram leve fechamento, com o papel 2030 encerrando a 7,56% ao ano.
Comparação com os EUA
Nos Estados Unidos, as Treasuries também avançaram:
- Treasury 2 anos: 3,5624% (+6,9 bps)
- Treasury 10 anos: 4,138% (+12,38 bps)
O movimento reflete a expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve nesta semana.
Mercados globais
Os mercados internacionais iniciaram a semana em tom cauteloso, mas com viés positivo nos EUA, onde os índices futuros operam em leve alta:
- S&P 500: +0,1%
- Nasdaq 100: +0,2%
Por que o apetite ao risco aumentou?
O PCE de setembro, divulgado com atraso, mostrou desaceleração acima do esperado, reforçando apostas de corte de 25 bps pelo Fed. Os investidores precificam cerca de 88% de probabilidade de redução da taxa básica.
Além disso, balanços corporativos de grandes empresas como Oracle, Adobe, Costco e Broadcom prometem adicionar volatilidade nesta semana.
Europa: estabilidade e foco na política monetária
O Stoxx 600 opera estável (+0,1%), à espera do posicionamento do Fed, que servirá de referência para decisões do BCE, BoE e SNB. Ações de defesa lideram ganhos em meio a expectativas de um possível acordo de paz na guerra entre Rússia e Ucrânia.
Ásia: dados mistos e crescimento desigual
- China (CSI 300): +0,8%
- Hong Kong (HSI): -1,2%
- Japão (Nikkei): +0,2%
A economia chinesa apresentou crescimento expressivo das exportações (+5,9% em novembro), enquanto o Japão registrou contração anualizada de 2,3% no PIB do 3º trimestre.
IFIX
O IFIX avançou 0,27% na semana, impulsionado por fundos de tijolo e fundos de fundos (FOFs). As lajes corporativas foram o destaque, com valorização de 0,85%, ainda negociando com desconto relevante frente ao valor patrimonial.
A sexta-feira, porém, trouxe forte volatilidade, alinhada à abertura da curva de juros, e o índice reverteu ganhos do dia para fechar com leve queda de 0,05%.
Economia global
A semana é crucial para a política monetária internacional e nacional.
Japão: PIB em queda e expectativa de alta de juros
Mesmo com a contração forte do PIB, o Banco do Japão deve elevar juros em dezembro, sustentado pela inflação acima da meta por mais de três anos.
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China: exportações em alta e superávit robusto
A balança comercial registrou superávit de US$ 111,68 bilhões:
- Exportações: +5,9%
- Importações: +1,9%
A expansão foi puxada por Europa, Austrália e Sudeste Asiático, enquanto as vendas para os EUA caíram 29%.
Política brasileira
No Brasil, o anúncio do apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro ao nome de Flávio Bolsonaro para 2026 trouxe forte repercussão. Investidores reagiram com aversão ao risco, gerando abertura na curva de juros e queda em ativos domésticos.
Segundo informações de bastidores, a escolha foi vista como uma tentativa de apresentar um nome mais moderado para agradar tanto a classe política quanto o mercado.
FAQ
O que mais influencia os mercados nesta semana?
A decisão de juros do Fed e do Copom, além do IPCA e dados de atividade econômica, são os principais direcionadores.
Por que o Ibovespa caiu?
Abertura da curva de juros e incerteza política afetaram setores sensíveis ao crédito, como varejo.
A Selic deve cair?
Para janeiro, o mercado estima cerca de 65% de probabilidade de início dos cortes.
Como está o cenário internacional?
Os mercados operam com otimismo moderado, atentos ao Fed e aos dados da China.
Considerações finais
A semana será decisiva para o rumo dos mercados financeiros. Com decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além de dados relevantes de inflação e atividade, investidores devem permanecer atentos aos desdobramentos. A combinação entre cenário político doméstico, volatilidade dos juros e indicadores globais continuará guiando o comportamento dos ativos de risco.
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