Cuidar de um animal de estimação pesa no orçamento. Entre consultas, vacinas, exames e alimentação, o gasto anual pode ultrapassar facilmente alguns milhares de reais. Agora, um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados quer permitir que parte dessas despesas seja abatida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).
Vitória dos tutores: Como os gastos com pets podem abater sua dívida com o Leão
Projeto na Câmara prevê dedução de até R$ 3 mil por ano com despesas de pets como cães e gatos no IRPF.
Trata-se do PL 4236/2025, que altera a Lei nº 9.250/1995 para incluir gastos com cães e gatos entre as deduções permitidas na declaração anual.
A proposta ainda não é lei. O texto está em análise no Congresso Nacional e precisa cumprir várias etapas antes de eventualmente entrar em vigor.
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O que o PL 4236/2025 propõe na prática
O projeto prevê a possibilidade de deduzir até R$ 3 mil por ano, por contribuinte, em despesas relacionadas a cães e gatos. O valor seria atualizado anualmente com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Quais despesas poderiam ser abatidas
De acordo com o texto oficial, seriam elegíveis:
- Alimentação;
- Consultas veterinárias;
- Exames laboratoriais e de imagem;
- Cirurgias;
- Vacinas;
- Medicamentos;
- Vermifugação;
- Castração;
- Planos de saúde animal.
Ou seja, tanto gastos preventivos quanto tratamentos médicos estariam incluídos.
Quem ficaria de fora
O projeto exclui animais destinados a:
- Atividade comercial;
- Produção agropecuária;
- Atividades esportivas.
A dedução seria restrita a pets mantidos como animais de companhia.
Quais seriam as exigências para deduzir
O texto impõe critérios rigorosos de comprovação, semelhantes aos já aplicados para despesas médicas humanas.
Nota fiscal obrigatória
Será necessário apresentar nota fiscal em nome do contribuinte, discriminando o serviço ou produto adquirido.
Identificação do animal
O tutor deverá comprovar a posse responsável por meio de:
- Registro do animal;
- Microchip;
- Ou outro documento formal que identifique o pet.
Profissionais habilitados
Os serviços precisarão ser prestados por profissional ou clínica devidamente inscritos no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV).
Essa exigência visa evitar fraudes e garantir que apenas despesas legítimas sejam deduzidas.
Impacto financeiro: quanto poderia mudar na prática
Para entender o efeito real, vale um exemplo:
Imagine um contribuinte que tenha gasto R$ 3 mil ao longo do ano com consultas, vacinas e ração premium para seu cão. Se a dedução estiver dentro do limite permitido, esse valor reduziria a base de cálculo do imposto.
Se ele estiver na faixa de 27,5%, a economia potencial poderia chegar a cerca de R$ 825 no ano.
No entanto, isso só valeria para quem declara no modelo completo. Quem opta pelo desconto simplificado (que aplica abatimento padrão de 20% limitado a um teto anual) não poderia acumular essa dedução adicional.
Justificativa: saúde pública e conceito de “Saúde Única”
O autor do projeto, deputado Capitão Alden, defende que a medida pode gerar efeitos positivos além do alívio tributário.
A proposta se apoia no conceito de “Saúde Única” (One Health), abordagem internacional que integra saúde humana, animal e ambiental como dimensões interligadas.
Redução de zoonoses
Doenças como raiva, leishmaniose e toxoplasmose podem ser transmitidas entre animais e humanos. Incentivar vacinação e acompanhamento veterinário regular tende a reduzir riscos sanitários.
No Brasil, órgãos como o Ministério da Saúde já adotam políticas alinhadas a essa visão integrada.
Impacto fiscal e debate no Congresso
A criação de uma nova dedução no IRPF reduz potencialmente a arrecadação da União. Por isso, projetos desse tipo costumam enfrentar análise detalhada na Comissão de Finanças e Tributação (CFT).
O PL 4236/2025 está apensado ao PL 6104/2023 e aguarda designação de relator na CFT.
Para virar lei, precisará:
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- Ser aprovado nas comissões competentes;
- Passar pelo plenário da Câmara;
- Ser aprovado pelo Senado;
- Ser sancionado pela Presidência da República.
Até lá, nenhuma dedução para pets está válida.
O que o contribuinte deve fazer agora
Por enquanto, despesas com cães e gatos não podem ser abatidas no Imposto de Renda.
Especialistas recomendam:
- Não incluir gastos com pets na declaração atual;
- Guardar notas fiscais, caso a lei venha a ser aprovada no futuro (dependendo das regras de vigência);
- Acompanhar a tramitação no site da Câmara dos Deputados.
Mercado pet e pressão social
O Brasil é um dos maiores mercados pet do mundo. Segundo dados do setor, o país figura entre os três maiores em faturamento global no segmento.
Esse crescimento aumenta a pressão por políticas públicas e reconhecimento do papel social dos animais de companhia.
Ainda assim, o debate divide opiniões: enquanto tutores defendem a dedução como medida de justiça tributária, economistas alertam para o impacto fiscal e a complexidade adicional no sistema do IR.
Pode valer já em 2026?
Mesmo que aprovado ainda em 2026, o projeto só poderia produzir efeitos no ano seguinte, respeitando o princípio da anterioridade tributária.
Isso significa que a dedução dificilmente impactaria a declaração referente ao ano-base atual.
Vale a pena acompanhar?
Sim. Mudanças no IRPF costumam afetar milhões de brasileiros.
Se aprovado, o projeto pode representar:
- Economia direta para tutores;
- Incentivo à prevenção veterinária;
- Maior formalização do setor.
Por enquanto, trata-se apenas de proposta legislativa. Mas o debate já ganhou força e deve continuar mobilizando sociedade civil, entidades veterinárias e especialistas em finanças públicas.
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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital
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