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Brasil está chegando ao patamar de dívida da pandemia, diz economista

Brasil consegue armazenar apenas metade da safra de grãos, elevando custos logísticos. Entenda os impactos e os desafios do setor.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Brasil está chegando ao patamar de dívida da pandemia, diz economista

O Brasil caminha para colher uma das maiores safras de grãos de sua história, mas um problema estrutural continua comprometendo a competitividade do agronegócio nacional: a falta de capacidade de armazenagem. Enquanto países como os Estados Unidos conseguem estocar mais do que produzem anualmente, grande parte da produção brasileira precisa ser transportada imediatamente após a colheita, pressionando rodovias, elevando o custo do frete e reduzindo a margem dos produtores.

A limitação da infraestrutura de armazenagem é considerada um dos principais gargalos logísticos do país. Além de impactar diretamente os custos da cadeia produtiva, ela dificulta o planejamento das vendas, reduz a eficiência operacional e aumenta a dependência do transporte rodoviário durante os períodos de maior movimentação da safra.

Dados reunidos no relatório “Retrato da Logística de Grãos do Brasil”, elaborado pela nstech com base em informações da Esalq-Log, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e do Ministério dos Transportes, mostram que o avanço da produção agrícola exige investimentos cada vez maiores em infraestrutura e tecnologia para evitar perdas econômicas.

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Imagem: Achmad Khoeron – Freepik

Brasil armazena apenas metade da produção de grãos

O estudo evidencia uma diferença significativa entre a infraestrutura brasileira e a de outros grandes produtores agrícolas.

Nos Estados Unidos, a capacidade de armazenagem corresponde a aproximadamente 150% da produção anual de grãos, permitindo que os produtores escolham o momento mais favorável para vender suas colheitas.

Outro diferencial é que mais de 65% dos silos americanos estão localizados dentro das propriedades rurais, reduzindo deslocamentos e proporcionando maior autonomia aos agricultores.

No Brasil, a realidade é bastante diferente.

A capacidade nacional permite armazenar apenas cerca de 50% da produção, enquanto somente 17% dos silos estão instalados nas fazendas. Isso obriga grande parte dos produtores a transportar rapidamente a safra para armazéns de terceiros ou diretamente aos portos e centros de distribuição.

Safra recorde amplia o desafio logístico

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos deverá alcançar 356,3 milhões de toneladas na safra 2025/2026, estabelecendo um novo recorde nacional.

O crescimento é impulsionado por fatores como:

  • aumento da produtividade nas lavouras;
  • expansão da área cultivada;
  • adoção de tecnologias agrícolas;
  • melhorias genéticas nas sementes;
  • maior eficiência no manejo das culturas.

Embora o avanço da produção seja positivo para a economia, ele também amplia a necessidade de investimentos em armazenagem, transporte e infraestrutura logística.

Sem essa expansão, o risco é que os gargalos atuais se tornem ainda mais evidentes.

Falta de silos aumenta custos para os produtores

A insuficiência de espaços para armazenagem provoca uma série de consequências ao longo da cadeia produtiva.

Entre os principais impactos estão:

Transporte imediato da produção

Sem locais suficientes para estocar os grãos, muitos produtores precisam retirar rapidamente a colheita das fazendas.

Esse movimento concentra o transporte em poucos meses do ano, justamente durante o pico da safra.

Fretes mais caros

Com maior demanda por caminhões em um curto período, os preços do frete tendem a subir.

Esse aumento reduz a rentabilidade do produtor rural e eleva os custos para toda a cadeia do agronegócio.

Menor poder de negociação

Sem capacidade para armazenar a produção, muitos agricultores acabam vendendo os grãos logo após a colheita, período em que a oferta costuma ser maior e os preços podem estar menos atrativos.

Com silos próprios, seria possível aguardar melhores oportunidades de mercado.

Transporte rodoviário continua predominando

Mesmo com investimentos recentes em infraestrutura ferroviária, o transporte rodoviário segue como principal responsável pelo escoamento da produção agrícola brasileira.

De acordo com o levantamento, em 2023 a distribuição ocorreu da seguinte forma:

  • rodovias: 69%;
  • ferrovias: 22%;
  • hidrovias: 9%.

Para 2025, a expectativa é de uma pequena evolução da participação ferroviária.

A projeção aponta:

  • rodovias: cerca de dois terços da movimentação;
  • ferrovias: 25%;
  • hidrovias: 9%.

Embora o avanço das ferrovias seja positivo, o caminhão continuará sendo o principal meio de transporte da safra brasileira.

Dependência das estradas gera ineficiências

A forte concentração do transporte nas rodovias provoca diversos desafios logísticos.

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Entre eles estão:

Congestionamentos durante a safra

Nos períodos de colheita, milhares de caminhões utilizam simultaneamente as principais rotas agrícolas, aumentando filas em armazéns, terminais e portos.

Maior desgaste da infraestrutura

O intenso fluxo de veículos pesados acelera o desgaste das rodovias, elevando os custos de manutenção e aumentando o risco de atrasos.

Custos operacionais elevados

Segundo o diretor de Agronegócio da nstech, Thiago Cardoso, o modelo atual ainda expõe ineficiências relevantes.

O relatório estima que exista um excedente de aproximadamente 70 mil caminhões atuando em rotas de longa distância durante os períodos de maior movimentação, consequência da concentração do transporte logo após a colheita.

Tecnologia ganha papel estratégico

O estudo destaca que a digitalização da logística agrícola deixou de representar apenas um diferencial competitivo.

Hoje, soluções tecnológicas são consideradas essenciais para aumentar a eficiência operacional.

Entre as principais aplicações estão:

  • planejamento inteligente de rotas;
  • monitoramento em tempo real das cargas;
  • gestão integrada da cadeia logística;
  • otimização da ocupação dos veículos;
  • redução de viagens ociosas;
  • maior previsibilidade das operações.

Além disso, práticas alinhadas aos critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) vêm sendo cada vez mais exigidas por compradores internacionais e investidores.

Expansão da armazenagem pode transformar a logística

Banco do Brasil
Imagem: Getty Images/wsfurlan

Especialistas apontam que ampliar a rede de silos é uma das medidas mais eficazes para reduzir os gargalos logísticos do agronegócio brasileiro.

Com maior capacidade de armazenagem dentro das propriedades rurais, os produtores conseguem:

  • distribuir o transporte ao longo do ano;
  • reduzir filas em armazéns e portos;
  • diminuir a pressão sobre o mercado de fretes;
  • negociar a produção em momentos mais favoráveis;
  • reduzir perdas operacionais;
  • aumentar a competitividade das exportações brasileiras.

Além de beneficiar o produtor, esse modelo torna toda a cadeia logística mais eficiente e menos dependente dos períodos de pico da safra.

(Pinterest/Divulgação)

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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