O governo central registrou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. Apesar de negativo, o resultado veio melhor que o esperado pelo mercado financeiro e representou uma queda real de 8,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
Contas públicas têm déficit de R$ 30 bi em fevereiro; veja o impacto
Déficit de R$30 bi em fevereiro pressiona dívida pública. Entenda impactos na economia, juros e cenário fiscal do Brasil.
O número reforça um cenário fiscal ainda desafiador, mas com sinais pontuais de melhora na arrecadação. Para o leitor, entender esses dados é essencial porque eles impactam diretamente inflação, juros, crédito e até o custo de vida.
Leia mais:
Milho tem alta nas cotações externas; mercado interno recua
O que é déficit primário e por que ele importa
O déficit primário ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública.
Por que esse indicador é relevante
O resultado primário é uma das principais métricas acompanhadas por economistas, investidores e pelo próprio governo. Ele indica a capacidade do país de equilibrar suas contas.
Quando há déficit:
- O governo precisa se endividar mais
- A dívida pública cresce
- Pode haver pressão sobre juros e inflação
Quando há superávit:
- O país consegue reduzir sua dívida
- Ganha mais confiança do mercado
- Abre espaço para juros menores
O que levou ao resultado de fevereiro
O desempenho de fevereiro foi influenciado por dois fatores principais: aumento das receitas e crescimento mais moderado das despesas.
Crescimento da arrecadação
As receitas líquidas somaram R$ 157,681 bilhões, com alta real de 5,6% frente a 2025. Entre os destaques:
- Aumento de 4,1% nas receitas administradas pela Receita Federal
- Crescimento expressivo de 35,6% na arrecadação do IOF
- Alta de 8,1% na Cofins
- Expansão de 5,6% na arrecadação da Previdência
Esse avanço mostra um cenário de atividade econômica ainda resiliente, com maior circulação de dinheiro e consumo.
Alta das despesas públicas
Mesmo com arrecadação maior, os gastos também cresceram. As despesas totais chegaram a R$ 187,727 bilhões, com aumento real de 3,1%.
Os principais aumentos vieram de:
- Despesas discricionárias (investimentos e custeio)
- Gastos com pessoal e encargos sociais
- Benefícios previdenciários
Esse movimento reflete tanto compromissos obrigatórios quanto decisões de política pública.
Resultado acumulado em 2026 ainda é positivo
Apesar do déficit em fevereiro, o resultado acumulado no ano segue positivo.
Nos dois primeiros meses de 2026, o governo registrou superávit primário de R$ 56,854 bilhões, impulsionado pelo resultado forte de janeiro.
Esse dado é importante porque mostra que o ano começou com certo equilíbrio fiscal, o que pode ajudar na credibilidade econômica.
Impacto na dívida pública brasileira
O principal efeito dos déficits primários é o aumento da dívida pública.
Atualmente, a dívida bruta do Brasil está em cerca de 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), um patamar considerado elevado para economias emergentes.
Por que a dívida preocupa
Quanto maior a dívida:
- Maior o risco percebido pelos investidores
- Mais altos tendem a ser os juros cobrados
- Menor o espaço para investimentos públicos
Além disso, a dívida também é impactada pelos juros básicos da economia.
Relação com a taxa Selic
A trajetória da dívida pública está diretamente ligada à taxa básica de juros, a Selic.
Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, um nível elevado que aumenta o custo de financiamento da dívida.
Expectativas do mercado
Segundo o Banco Central do Brasil, por meio do boletim Focus, a expectativa para o fim de 2026 é de uma Selic em 12,50%.
Esse número subiu em relação às projeções anteriores, refletindo incertezas no cenário internacional.
Influência do cenário global
Um dos fatores que tem afetado as expectativas de juros é a tensão geopolítica envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã.
Esse conflito pressiona os preços do petróleo, o que pode gerar:
- Aumento da inflação global
- Pressão sobre combustíveis no Brasil
- Necessidade de manter juros altos por mais tempo
A dívida brasileira é sustentável?
Apesar dos desafios, o Tesouro Nacional afirma que a dívida pública brasileira continua sustentável.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Segundo o secretário do Tesouro, existem diferentes mecanismos para equilibrar essa trajetória, como:
- Controle de gastos
- Aumento da arrecadação
- Crescimento econômico
Mesmo assim, o cenário exige atenção constante, principalmente se os juros permanecerem elevados por mais tempo.
Como isso afeta o seu dia a dia
Pode parecer distante, mas o déficit público impacta diretamente a vida do brasileiro.
Principais efeitos práticos
- Juros mais altos em empréstimos e financiamentos
- Crédito mais caro e restrito
- Inflação pressionada
- Menor capacidade do governo investir em serviços
Por outro lado, quando há melhora fiscal:
- O crédito tende a ficar mais barato
- O consumo aumenta
- A economia cresce com mais força
O que esperar para os próximos meses
O desempenho fiscal de 2026 vai depender de três fatores principais:
1. Arrecadação
Se a economia continuar aquecida, a arrecadação pode seguir crescendo.
2. Controle de gastos
O governo precisará equilibrar despesas obrigatórias e investimentos.
3. Juros e cenário externo
A evolução da Selic e do cenário internacional será decisiva para a dívida.
O mercado seguirá atento aos próximos dados fiscais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.
Conclusão
O déficit de fevereiro, embora menor que o esperado, reforça que o Brasil ainda enfrenta desafios fiscais importantes. O crescimento da arrecadação é um ponto positivo, mas o aumento das despesas e o nível elevado da dívida exigem cautela.
Para o cidadão, acompanhar esses indicadores é fundamental, pois eles influenciam diretamente o custo do crédito, a inflação e as oportunidades financeiras no país.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
