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Déficit Nominal do Governo Lula Fica Acima de R$ 1 Trilhão pelo 5º mês seguido

: O déficit nominal do governo Lula supera R$ 1 trilhão pelo 5º mês consecutivo. Veja os principais fatores que contribuíram para o desequilíbrio!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Lula

O déficit nominal do setor público consolidado brasileiro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão pelo quinto mês consecutivo, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) referentes ao acumulado de 12 meses até agosto de 2024.

O número, que inclui União, estados, municípios e estatais, reforça a preocupação sobre a situação fiscal do Brasil sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O que é o déficit nominal?

Notas de real, calculadora e caneta. déficit zero
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

O déficit nominal é o saldo negativo nas contas públicas resultando da diferença entre as receitas e despesas, incluindo o pagamento de juros da dívida pública. Ou seja, ele reflete o quanto o governo gasta a mais do que arrecada, somado ao custo financeiro da dívida.

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A situação fiscal de um país é analisada por meio desse indicador ao mostrar o grau de desequilíbrio nas finanças públicas, considerando todas as obrigações financeiras.

Detalhes do resultado de agosto

No acumulado dos 12 meses até agosto de 2024, o déficit nominal foi de R$ 1,111 trilhão, valor significativo que já vinha se mantendo em patamar elevado desde abril. Embora tenha havido uma leve redução de 1,4% em relação a julho, representando R$ 16,18 bilhões a menos, o montante ainda revela uma situação preocupante para as contas públicas brasileiras.

De janeiro a agosto de 2024, o déficit acumulou um aumento expressivo de R$ 143,9 bilhões. Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, o aumento foi ainda mais impactante, atingindo R$ 650,9 bilhões.

Juros da dívida: o principal vilão

Grande parte desse rombo se deve ao pagamento de juros da dívida pública. O Banco Central divulgou que, no acumulado de 12 meses até agosto, o Brasil gastou R$ 855 bilhões apenas em juros, correspondendo a 76,9% do déficit nominal total. Esse valor, embora expressivo, mostrou um recuo em relação a julho, quando os juros representaram R$ 14,8 bilhões a mais.

O pagamento de juros continua a ser um dos maiores obstáculos para o equilíbrio fiscal do país. Com uma taxa de juros elevada, atualmente em 13,75%, a dívida pública se torna ainda mais cara de ser financiada, ampliando o custo financeiro do governo.

Saldo entre receitas e despesas

O déficit primário é o saldo negativo que exclui o pagamento de juros da dívida e reflete, de forma mais direta, a diferença entre receitas e despesas correntes do governo. No acumulado de 12 meses até agosto, o déficit primário ficou em R$ 256,3 bilhões, uma leve melhora em comparação ao valor registrado em julho (R$ 257,7 bilhões).

Em agosto, especificamente, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 21,4 bilhões. Dentro desse cenário, o governo central foi o principal responsável pelo rombo, com um saldo negativo de R$ 22,3 bilhões. Já os governos regionais (estados e municípios) apresentaram superávit de R$ 435 milhões, e as estatais, um saldo positivo de R$ 469 milhões.

Esse desempenho variado entre os diferentes entes federativos reflete a complexidade da gestão fiscal no Brasil, onde os desequilíbrios nas contas da União acabam puxando o déficit consolidado para baixo, enquanto estados e municípios, em alguns casos, conseguem apresentar resultados positivos.

Déficit primário em relação ao PIB

O déficit primário, quando comparado ao Produto Interno Bruto (PIB), corresponde a 2,26% do total gerado pela economia brasileira nos últimos 12 meses. Esse percentual é relevante, pois permite uma visão mais clara da capacidade de o país gerar riqueza em comparação ao volume de suas despesas não financeiras.

O desempenho fraco do PIB brasileiro em 2024 contribuiu para o aumento do déficit. O crescimento econômico abaixo das expectativas e a alta inflação dificultam a geração de receitas fiscais, agravando o desequilíbrio nas contas públicas.

Crescimento da dívida pública bruta

Além do déficit nominal, outro dado preocupante divulgado pelo Banco Central foi o aumento da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Essa métrica inclui as obrigações financeiras do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos governos estaduais e municipais.

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Em agosto, a dívida bruta atingiu 78,6% do PIB, o maior patamar desde outubro de 2021. Em termos nominais, isso representa um total de R$ 8,9 trilhões em dívida. Desde o início de 2024, a dívida aumentou 4,1 pontos percentuais, e, no governo Lula, o salto foi de 6,9 pontos percentuais.

Fatores que impulsionaram o aumento da dívida

Dois fatores principais explicam o aumento da dívida bruta:

  1. Juros nominais apropriados: Esses juros contribuíram para um acréscimo de 0,7 ponto percentual na dívida em relação ao PIB. Como mencionado anteriormente, os juros altos são um dos maiores custos para o governo, e a manutenção da Selic em patamares elevados tem sido uma das principais causas desse aumento.
  2. Variação do PIB nominal: A queda no PIB nominal, que resultou em uma redução de 0,5 ponto percentual na dívida, também pesou no aumento da proporção da dívida em relação ao tamanho da economia.

Impactos e desafios para o governo

Lula Telebras
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O crescimento acelerado da dívida pública e o elevado déficit nominal representam um desafio significativo para o governo Lula. A equipe econômica enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas sem prejudicar a retomada do crescimento econômico e, ao mesmo tempo, sem deixar de políticas sociais importantes.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vem defendendo a importância de reformas fiscais para conter o avanço da dívida e melhorar a gestão das contas públicas. Entre as medidas em estudo estão a revisão de benefícios fiscais e o aumento da eficiência na arrecadação de tributos.

Considerações finais

O déficit nominal do governo brasileiro, que ultrapassa R$ 1 trilhão pelo quinto mês consecutivo, é um reflexo claro das dificuldades fiscais enfrentadas pelo país.

O aumento expressivo dos gastos com juros da dívida e o crescimento da dívida bruta em relação ao PIB mostram que o governo precisa tomar medidas urgentes para conter o avanço do rombo nas contas públicas.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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