O déficit nominal do setor público consolidado brasileiro ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão pelo quinto mês consecutivo, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) referentes ao acumulado de 12 meses até agosto de 2024.
O número, que inclui União, estados, municípios e estatais, reforça a preocupação sobre a situação fiscal do Brasil sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O que é o déficit nominal?

O déficit nominal é o saldo negativo nas contas públicas resultando da diferença entre as receitas e despesas, incluindo o pagamento de juros da dívida pública. Ou seja, ele reflete o quanto o governo gasta a mais do que arrecada, somado ao custo financeiro da dívida.
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A situação fiscal de um país é analisada por meio desse indicador ao mostrar o grau de desequilíbrio nas finanças públicas, considerando todas as obrigações financeiras.
Detalhes do resultado de agosto
No acumulado dos 12 meses até agosto de 2024, o déficit nominal foi de R$ 1,111 trilhão, valor significativo que já vinha se mantendo em patamar elevado desde abril. Embora tenha havido uma leve redução de 1,4% em relação a julho, representando R$ 16,18 bilhões a menos, o montante ainda revela uma situação preocupante para as contas públicas brasileiras.
De janeiro a agosto de 2024, o déficit acumulou um aumento expressivo de R$ 143,9 bilhões. Desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, o aumento foi ainda mais impactante, atingindo R$ 650,9 bilhões.
Juros da dívida: o principal vilão
Grande parte desse rombo se deve ao pagamento de juros da dívida pública. O Banco Central divulgou que, no acumulado de 12 meses até agosto, o Brasil gastou R$ 855 bilhões apenas em juros, correspondendo a 76,9% do déficit nominal total. Esse valor, embora expressivo, mostrou um recuo em relação a julho, quando os juros representaram R$ 14,8 bilhões a mais.
O pagamento de juros continua a ser um dos maiores obstáculos para o equilíbrio fiscal do país. Com uma taxa de juros elevada, atualmente em 13,75%, a dívida pública se torna ainda mais cara de ser financiada, ampliando o custo financeiro do governo.
Saldo entre receitas e despesas
O déficit primário é o saldo negativo que exclui o pagamento de juros da dívida e reflete, de forma mais direta, a diferença entre receitas e despesas correntes do governo. No acumulado de 12 meses até agosto, o déficit primário ficou em R$ 256,3 bilhões, uma leve melhora em comparação ao valor registrado em julho (R$ 257,7 bilhões).
Em agosto, especificamente, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 21,4 bilhões. Dentro desse cenário, o governo central foi o principal responsável pelo rombo, com um saldo negativo de R$ 22,3 bilhões. Já os governos regionais (estados e municípios) apresentaram superávit de R$ 435 milhões, e as estatais, um saldo positivo de R$ 469 milhões.
Esse desempenho variado entre os diferentes entes federativos reflete a complexidade da gestão fiscal no Brasil, onde os desequilíbrios nas contas da União acabam puxando o déficit consolidado para baixo, enquanto estados e municípios, em alguns casos, conseguem apresentar resultados positivos.
Déficit primário em relação ao PIB
O déficit primário, quando comparado ao Produto Interno Bruto (PIB), corresponde a 2,26% do total gerado pela economia brasileira nos últimos 12 meses. Esse percentual é relevante, pois permite uma visão mais clara da capacidade de o país gerar riqueza em comparação ao volume de suas despesas não financeiras.
O desempenho fraco do PIB brasileiro em 2024 contribuiu para o aumento do déficit. O crescimento econômico abaixo das expectativas e a alta inflação dificultam a geração de receitas fiscais, agravando o desequilíbrio nas contas públicas.
Crescimento da dívida pública bruta
Além do déficit nominal, outro dado preocupante divulgado pelo Banco Central foi o aumento da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Essa métrica inclui as obrigações financeiras do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos governos estaduais e municipais.
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Em agosto, a dívida bruta atingiu 78,6% do PIB, o maior patamar desde outubro de 2021. Em termos nominais, isso representa um total de R$ 8,9 trilhões em dívida. Desde o início de 2024, a dívida aumentou 4,1 pontos percentuais, e, no governo Lula, o salto foi de 6,9 pontos percentuais.
Fatores que impulsionaram o aumento da dívida
Dois fatores principais explicam o aumento da dívida bruta:
- Juros nominais apropriados: Esses juros contribuíram para um acréscimo de 0,7 ponto percentual na dívida em relação ao PIB. Como mencionado anteriormente, os juros altos são um dos maiores custos para o governo, e a manutenção da Selic em patamares elevados tem sido uma das principais causas desse aumento.
- Variação do PIB nominal: A queda no PIB nominal, que resultou em uma redução de 0,5 ponto percentual na dívida, também pesou no aumento da proporção da dívida em relação ao tamanho da economia.
Impactos e desafios para o governo

O crescimento acelerado da dívida pública e o elevado déficit nominal representam um desafio significativo para o governo Lula. A equipe econômica enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas sem prejudicar a retomada do crescimento econômico e, ao mesmo tempo, sem deixar de políticas sociais importantes.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vem defendendo a importância de reformas fiscais para conter o avanço da dívida e melhorar a gestão das contas públicas. Entre as medidas em estudo estão a revisão de benefícios fiscais e o aumento da eficiência na arrecadação de tributos.
Considerações finais
O déficit nominal do governo brasileiro, que ultrapassa R$ 1 trilhão pelo quinto mês consecutivo, é um reflexo claro das dificuldades fiscais enfrentadas pelo país.
O aumento expressivo dos gastos com juros da dívida e o crescimento da dívida bruta em relação ao PIB mostram que o governo precisa tomar medidas urgentes para conter o avanço do rombo nas contas públicas.
