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Haddad diz que não é verdade a informação de que estatais tiveram déficit recorde

Haddad nega déficit recorde de estatais apontado pelo Banco Central e defende análise baseada na contabilidade empresarial.

Eveline MendesPor Eveline Mendes4 min de leitura
Ministro da Fazenda Fernando Haddad sendo entrevistado, com um microfone e um celular, de pessoas ao seu redor, perto de seu rosto iof

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou na última segunda-feira (30) que as empresas estatais tenham registrado um déficit recorde, como apontado pelo Banco Central (BC).

A declaração foi feita após a divulgação de um levantamento que indicou um déficit de R$ 6,04 bilhões entre janeiro e novembro de 2024, envolvendo 13 empresas estatais não dependentes do Tesouro Nacional. Segundo o BC, este é o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica em 2002.

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A Contabilidade Pública e a Contabilidade Empresarial

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Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Haddad argumentou que os números divulgados pelo Banco Central podem não refletir a realidade financeira das empresas, devido a diferenças entre a contabilidade pública e a contabilidade empresarial.

“Quando você faz investimento, às vezes aparece como déficit, o que não é”, afirmou Haddad.

A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, reforçou essa visão ao defender que a análise da saúde financeira das estatais deve ser feita com base na contabilidade empresarial, que considera investimentos como ativos amortizáveis ao longo do tempo.

Como o Banco Central Calcula o Déficit?

O resultado do Banco Central é apurado mensalmente, considerando apenas receitas e despesas do ano corrente. Esse método, segundo Dweck, desconsidera fatores como:

  • Investimentos financiados com recursos acumulados em anos anteriores.
  • Amortização de despesas ao longo do tempo.

De acordo com a ministra, muitas das empresas citadas no relatório do BC utilizaram recursos acumulados em caixa para retomar investimentos paralisados durante o governo anterior, quando estavam incluídas no Plano Nacional de Desestatização. Essa retomada gera um déficit contábil público, mas não necessariamente prejuízo.

Estatais com Lucro e Pagamento de Dividendos

Apesar do déficit apontado pelo Banco Central, Dweck revelou que nove das 13 estatais analisadas registraram lucro e até mesmo pagaram dividendos significativos aos acionistas. Isso contradiz a ideia de prejuízo generalizado entre as empresas.

“Na contabilidade empresarial, você considera o investimento como ativo diferido, o que muda completamente a análise financeira”, explicou a ministra.

Quais Estatais Registraram Prejuízo?

Embora a maioria das estatais apresentem resultados positivos, Dweck admitiu que três empresas, incluindo os Correios, enfrentaram prejuízo em 2024. O governo, segundo ela, está implementando medidas para reestruturar essas companhias e melhorar sua saúde financeira.

Entre as ações recentes, destaca-se um decreto presidencial assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visa discutir a reestruturação de estatais e fortalecer a sustentabilidade econômica dessas empresas.

Contexto Histórico das Estatais no Brasil

Durante o governo Jair Bolsonaro, diversas estatais foram incluídas no Plano Nacional de Desestatização, o que limitou sua capacidade de realizar investimentos. Com a retirada dessas empresas do plano em 2023, houve uma retomada de investimentos em projetos de médio e longo prazo.

No entanto, essa mudança gerou impactos na contabilidade pública, que registra esses gastos como despesas correntes, resultando no déficit apontado pelo BC.

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Impactos e Perspectivas

O debate em torno do déficit recorde das estatais reflete diferenças metodológicas e políticas entre o Banco Central e o governo federal.

Enquanto o BC segue critérios rígidos de contabilidade pública, o governo defende a utilização da contabilidade empresarial para fornecer uma visão mais completa da saúde financeira das empresas.

Considerações finais

O suposto déficit recorde das estatais em 2024 abriu um importante debate sobre como avaliar a saúde financeira dessas empresas. As declarações de Haddad e Dweck destacam a necessidade de uma análise mais abrangente, que leve em conta investimentos de longo prazo e os resultados empresariais.

Com iniciativas voltadas à reestruturação e fortalecimento das estatais, o governo busca equilibrar o impacto econômico de suas decisões com a sustentabilidade fiscal, garantindo a eficiência e relevância dessas empresas no cenário nacional.

FAQ

  1. O que é o déficit recorde das estatais?
    É o valor negativo de R$ 6,04 bilhões apurado pelo Banco Central entre janeiro e novembro de 2024, envolvendo 13 empresas estatais não dependentes do Tesouro.
  2. Por que o governo contesta o déficit?
    O governo argumenta que a metodologia do Banco Central não considera investimentos como ativos amortizáveis e utiliza apenas dados de receitas e despesas do ano corrente.
  3. Quantas estatais registraram lucro?
    Das 13 empresas analisadas, nove registraram lucro em 2024, segundo o Ministério da Gestão e Inovação.
  4. Quais medidas o governo está tomando?
    O governo assinou um decreto para reestruturar empresas estatais e melhorar sua saúde financeira.
  5. Quais empresas tiveram prejuízo?
    Três empresas, incluindo os Correios, registraram prejuízo em 2024.

Imagem: Salty View/Shutterstock.com

Eveline Mendes

Autor

Eveline Mendes

Eveline Mendes é administradora com ampla experiência em gestão de pessoas e atendimento ao público. No Seu Crédito Digital, dedica-se a produzir conteúdos que facilitam o acesso da população a direitos, programas assistenciais e soluções de crédito. Sua missão é tornar a informação acessível, ajudando os brasileiros a conquistarem mais segurança e autonomia financeira.

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