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‘Trabalhei até de madrugada’: demitido do Itaú expõe rotina no home office

Demissões no Itaú em home office geram debate sobre monitoramento digital e impactos no trabalho.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes4 min de leitura
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O desligamento de mais de mil funcionários do Itaú Unibanco nesta semana gerou forte repercussão entre trabalhadores e sindicatos. O motivo alegado pelo banco foi baixa produtividade no regime de home office, medida a partir de indicadores digitais como uso de teclado, mouse e tempo de tela.

Entre os desligados está Marcos (nome fictício), profissional da área de tecnologia com quase dez anos de casa, premiado por desempenho e promovido ao longo da carreira. Apesar do histórico positivo, ele recebeu a notícia de que sua performance não atendia aos padrões da instituição.

O caso levanta questionamentos sobre transparência, métodos de monitoramento e os limites da vigilância digital no ambiente corporativo.

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Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

O caso de Marcos: da promoção à demissão

Carreira marcada por conquistas

Marcos construiu sua trajetória no Itaú com dedicação, recebendo promoções e prêmios de reconhecimento. A área de tecnologia, em que atuava, foi uma das mais demandadas durante a pandemia, com intensa carga de trabalho.

A surpresa da dispensa

Apesar disso, foi surpreendido ao ser chamado ao escritório em regime híbrido e informado de sua demissão. O supervisor alegou baixa produtividade no home office, associada ao tempo de tela inferior ao esperado.

“Já trabalhei em finais de semana, mais de sete dias seguidos, e mesmo assim alegaram que eu tinha baixa produtividade”, relatou.

Como o Itaú mede a produtividade no home office

Métricas digitais utilizadas

Segundo o banco, os indicadores analisados incluem:

  • Uso de mouse e teclado.
  • Participação em chamadas de vídeo.
  • Acesso a softwares licenciados.
  • Mensagens enviadas em plataformas corporativas.
  • Conclusão de cursos internos.

Limites do monitoramento

O Itaú afirma que não captura telas, áudios ou vídeos, restringindo-se a dados de uso de equipamentos corporativos.

O modelo híbrido adotado desde 2022, segundo a instituição, dá mais autonomia, mas exige também mecanismos de controle da jornada.

Divergência de percepções

Para Marcos, nunca ficou claro como funcionava o sistema de monitoramento. Ele relata que muitas vezes trabalhava sem pausas e mesmo assim sua performance foi questionada.

Impactos das demissões

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Imagem: Freepik e Canva

Abrangência dos cortes

O número exato não foi divulgado pelo Itaú, mas o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região estima que pelo menos 1 mil trabalhadores foram desligados em um curto período.

Falta de diálogo e transparência

Segundo relatos, os cortes ocorreram de forma abrupta, sem feedback prévio ou oportunidade de defesa.

“Rodou um facão e quem estava com a perna embaixo foi cortado”, afirmou Marcos.

Consequências para os trabalhadores

Muitos profissionais relatam dificuldades em comprovar sua produtividade. Para Marcos, o desligamento pode manchar sua imagem no mercado. Ainda assim, ele prefere não acionar a Justiça e já busca novas oportunidades.

A reação do sindicato

Críticas ao processo

O sindicato questiona a falta de transparência e considera as demissões desproporcionais.

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“Não é razoável usar mecanismos de monitoramento e vigilância para justificar cortes em massa. Isso pode gerar pressão excessiva, afetar a saúde mental e criar um ambiente opressivo”, declarou a entidade.

Possível ação coletiva

A entidade estuda medidas jurídicas para contestar as demissões e defende que mudanças estruturais no modelo de trabalho sejam negociadas com participação dos trabalhadores.

Especialistas em direito do trabalho opinam

Fiscalização é direito do empregador

De acordo com Paulo Renato Fernandes da Silva, professor da FGV Direito Rio, a empresa tem direito de fiscalizar os empregados, mesmo em home office.

Necessidade de cláusulas claras

O especialista ressalta a importância de contratos que detalhem os mecanismos de monitoramento, garantindo transparência e boa fé nas relações.

Boas práticas empresariais

Ele lembra que, embora a lei permita desligamentos sem justificativa, muitas empresas adotam medidas alternativas:

  • Feedbacks prévios.
  • Programas de capacitação.
  • Prazos para ajustes de conduta.

O que disse o Itaú sobre as demissões

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Reprodução/Canva.com

Em nota, o banco confirmou os desligamentos e justificou:

  • Foram fruto de “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.
  • Alguns casos apresentaram padrões “incompatíveis com os princípios de confiança, inegociáveis para o banco”.
  • O monitoramento digital tem respaldo em políticas internas e termos assinados pelos colaboradores.

A instituição afirmou ainda que as medidas preservam sua cultura organizacional e a confiança com clientes e sociedade.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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