O desligamento de mais de mil funcionários do Itaú Unibanco nesta semana gerou forte repercussão entre trabalhadores e sindicatos. O motivo alegado pelo banco foi baixa produtividade no regime de home office, medida a partir de indicadores digitais como uso de teclado, mouse e tempo de tela.
‘Trabalhei até de madrugada’: demitido do Itaú expõe rotina no home office
Demissões no Itaú em home office geram debate sobre monitoramento digital e impactos no trabalho.
Entre os desligados está Marcos (nome fictício), profissional da área de tecnologia com quase dez anos de casa, premiado por desempenho e promovido ao longo da carreira. Apesar do histórico positivo, ele recebeu a notícia de que sua performance não atendia aos padrões da instituição.
O caso levanta questionamentos sobre transparência, métodos de monitoramento e os limites da vigilância digital no ambiente corporativo.
Leia mais:
Itaú pode pagar dividendos bilionários mesmo após recomendação neutra

O caso de Marcos: da promoção à demissão
Carreira marcada por conquistas
Marcos construiu sua trajetória no Itaú com dedicação, recebendo promoções e prêmios de reconhecimento. A área de tecnologia, em que atuava, foi uma das mais demandadas durante a pandemia, com intensa carga de trabalho.
A surpresa da dispensa
Apesar disso, foi surpreendido ao ser chamado ao escritório em regime híbrido e informado de sua demissão. O supervisor alegou baixa produtividade no home office, associada ao tempo de tela inferior ao esperado.
“Já trabalhei em finais de semana, mais de sete dias seguidos, e mesmo assim alegaram que eu tinha baixa produtividade”, relatou.
Como o Itaú mede a produtividade no home office
Métricas digitais utilizadas
Segundo o banco, os indicadores analisados incluem:
- Uso de mouse e teclado.
- Participação em chamadas de vídeo.
- Acesso a softwares licenciados.
- Mensagens enviadas em plataformas corporativas.
- Conclusão de cursos internos.
Limites do monitoramento
O Itaú afirma que não captura telas, áudios ou vídeos, restringindo-se a dados de uso de equipamentos corporativos.
O modelo híbrido adotado desde 2022, segundo a instituição, dá mais autonomia, mas exige também mecanismos de controle da jornada.
Divergência de percepções
Para Marcos, nunca ficou claro como funcionava o sistema de monitoramento. Ele relata que muitas vezes trabalhava sem pausas e mesmo assim sua performance foi questionada.
Impactos das demissões

Abrangência dos cortes
O número exato não foi divulgado pelo Itaú, mas o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região estima que pelo menos 1 mil trabalhadores foram desligados em um curto período.
Falta de diálogo e transparência
Segundo relatos, os cortes ocorreram de forma abrupta, sem feedback prévio ou oportunidade de defesa.
“Rodou um facão e quem estava com a perna embaixo foi cortado”, afirmou Marcos.
Consequências para os trabalhadores
Muitos profissionais relatam dificuldades em comprovar sua produtividade. Para Marcos, o desligamento pode manchar sua imagem no mercado. Ainda assim, ele prefere não acionar a Justiça e já busca novas oportunidades.
A reação do sindicato
Críticas ao processo
O sindicato questiona a falta de transparência e considera as demissões desproporcionais.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
“Não é razoável usar mecanismos de monitoramento e vigilância para justificar cortes em massa. Isso pode gerar pressão excessiva, afetar a saúde mental e criar um ambiente opressivo”, declarou a entidade.
Possível ação coletiva
A entidade estuda medidas jurídicas para contestar as demissões e defende que mudanças estruturais no modelo de trabalho sejam negociadas com participação dos trabalhadores.
Especialistas em direito do trabalho opinam
Fiscalização é direito do empregador
De acordo com Paulo Renato Fernandes da Silva, professor da FGV Direito Rio, a empresa tem direito de fiscalizar os empregados, mesmo em home office.
Necessidade de cláusulas claras
O especialista ressalta a importância de contratos que detalhem os mecanismos de monitoramento, garantindo transparência e boa fé nas relações.
Boas práticas empresariais
Ele lembra que, embora a lei permita desligamentos sem justificativa, muitas empresas adotam medidas alternativas:
- Feedbacks prévios.
- Programas de capacitação.
- Prazos para ajustes de conduta.
O que disse o Itaú sobre as demissões

Em nota, o banco confirmou os desligamentos e justificou:
- Foram fruto de “revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada”.
- Alguns casos apresentaram padrões “incompatíveis com os princípios de confiança, inegociáveis para o banco”.
- O monitoramento digital tem respaldo em políticas internas e termos assinados pelos colaboradores.
A instituição afirmou ainda que as medidas preservam sua cultura organizacional e a confiança com clientes e sociedade.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
Pode ser do seu interesse:
