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Demissões no Itaú geram críticas por ausência de feedback e humanização

Demissões no Itaú levantam críticas de ex-funcionários e do sindicato, que aponta ausência de feedback e falta de transparência no processo.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Itaú

O Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, enfrenta uma onda de críticas após a confirmação de cerca de 1.000 desligamentos. As demissões, segundo relatos de ex-funcionários, foram conduzidas de maneira abrupta, sem explicações detalhadas, feedback prévio ou qualquer chance de defesa.

A justificativa oficial foi uma “revisão de condutas relacionadas ao trabalho remoto”, mas a falta de transparência e de diálogo com os trabalhadores gerou desconforto entre colaboradores e no movimento sindical.

De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a ausência de comunicação entre chefes e equipes antes das dispensas indica não apenas um problema de gestão, mas também de respeito aos direitos trabalhistas e à dignidade dos profissionais.

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Relatos de demissões frias e ausência de diálogo

Itaú
Imagem: Joa Souza / shutterstock.com

Funcionários sem chance de resposta

Uma ex-funcionária da área de tecnologia, que pediu anonimato, relatou que foi surpreendida com a demissão após pouco mais de um ano de casa. Efetivada em regime híbrido — dois dias presenciais e três em home office —, ela afirmou que nunca havia recebido críticas formais sobre sua produtividade.

Segundo a profissional, o desligamento ocorreu de forma seca:

“Na hora fiquei sem chão. Apenas me entregaram o termo de rescisão para assinar e pediram para devolver os equipamentos. Não houve espaço para esclarecimentos ou defesa”, contou.

O caso não foi isolado. Outros ex-colaboradores afirmam que a justificativa se resumiu a “problemas de produtividade e aderência à cultura da empresa”, sem qualquer reunião prévia de alinhamento ou feedbacks periódicos, prática considerada fundamental em grandes corporações.


O posicionamento do sindicato

Questionamentos sobre critérios de avaliação

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, disse que a entidade não foi informada previamente e que não há clareza sobre os critérios usados pelo banco.

“O sindicato não conhece as métricas pelas quais eles estão sendo avaliados ou qual é o sistema de monitoramento. Nunca recebemos queixas de trabalhadores sobre queda de produtividade relacionada ao home office”, destacou.

Mobilização para acompanhar os trabalhadores

O sindicato anunciou que fará reuniões com os funcionários que permaneceram no banco para entender como está sendo feita a gestão das equipes e avaliar se há possibilidade de reversão dos desligamentos.

Para Neiva, os bancos, por serem concessões públicas, precisam ter responsabilidade social:

“Eles não podem descartar trabalhadores dessa forma, sem respeito ao movimento sindical e ao compromisso com a sociedade”, afirmou.


A versão do Itaú

O Itaú Unibanco não confirmou o número de desligamentos, mas divulgou uma nota oficial na qual afirma que os cortes ocorreram após uma revisão “criteriosa” das condutas relacionadas ao trabalho remoto e ao registro de jornada. Segundo o banco, em alguns casos foram identificados “padrões incompatíveis com os princípios de confiança”.

Nota oficial na íntegra

“O Itaú Unibanco realizou desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”

O banco não respondeu aos questionamentos sobre a ausência de feedbacks, a abrangência geográfica dos desligamentos e se os cortes se restringiram ao estado de São Paulo.


Especialistas questionam conduta empresarial

A importância do feedback no ambiente corporativo

Para especialistas em gestão de pessoas, desligamentos sem feedback prévio ferem princípios básicos de liderança e comunicação. O consultor em recursos humanos Marcos Ferreira explica que empresas de grande porte costumam adotar políticas de avaliação contínua, com acompanhamento formal de desempenho.

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“A ausência de feedbacks impede que o colaborador tenha a chance de corrigir possíveis falhas. O desligamento, nesse caso, se transforma em um processo traumático e gera insegurança entre os demais funcionários”, afirma.

Riscos de desgaste de imagem

Além do impacto interno, há o risco de repercussões externas. Segundo a pesquisadora em reputação corporativa Helena Duarte, a forma como o Itaú conduziu as demissões pode abalar sua imagem como empregador.

“O discurso de confiança precisa ser sustentado na prática. Quando a narrativa não se alinha à experiência real dos colaboradores, a empresa corre o risco de ser percebida como incoerente”, observa.


O dilema do trabalho remoto nos bancos

empregos remotos
Imagem: Freepik

A discussão também abre espaço para um tema que ainda divide opiniões: a produtividade no home office. Desde a pandemia, grandes bancos adotaram formatos híbridos, mas a adaptação não foi uniforme. Enquanto alguns setores relatam ganhos de eficiência, outros reclamam de queda de engajamento e dificuldades de monitoramento.

Para o sindicato, o argumento da baixa produtividade no trabalho remoto não se sustenta sem evidências concretas. A entidade defende que a solução deveria ser mais diálogo e ajustes internos, e não cortes em massa.


O que esperar daqui para frente

As críticas às demissões no Itaú devem manter o tema em evidência nos próximos meses. O sindicato promete intensificar a pressão para que o banco reveja sua postura e ofereça mais transparência nos critérios de avaliação.

Do lado da instituição, a tendência é reforçar a defesa de que os desligamentos são parte de um processo de gestão e que não colocam em risco sua política de valorização dos colaboradores.

No entanto, o episódio acendeu um alerta no setor financeiro sobre a necessidade de equilibrar resultados empresariais, gestão humanizada e responsabilidade social.


Conclusão

As demissões no Itaú revelam não apenas a fragilidade de alguns processos de gestão, mas também a crescente cobrança da sociedade por mais humanização nas relações de trabalho. Em um setor altamente competitivo e lucrativo, como o bancário, os impactos vão além das estatísticas: atingem a confiança entre empresa, colaboradores e a opinião pública.

Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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