Em meados de abril, a Voepass Linhas Aéreas anunciou uma suspensão temporária de suas operações, que teve como consequência direta a demissão em massa de seus funcionários.
Demissões em massa na Voepass: funcionários buscam garantir seus direitos
Demissões em massa na Voepass geram denúncias sobre pagamento de direitos como FGTS. Sindicato atua judicialmente para reparações.
De acordo com relatos de ex-colaboradores, a medida não apenas encerrou contratos de trabalho, como também desencadeou um impasse jurídico e social.
Segundo relatos, centenas de profissionais afirmam não ter recebido seus direitos trabalhistas, como o recolhimento do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), férias proporcionais, verbas rescisórias corretas e indenizações.
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A suspensão das atividades da companhia

A empresa justificou a decisão como uma resposta aos desafios econômicos enfrentados, agravados pela paralisação das operações regionais.
“A suspensão temporária afetou milhares de brasileiros que utilizam a aviação regional todos os dias e provocou um impacto direto no caixa da companhia”, informou a Voepass em nota enviada ao Portal PANROTAS.
Contudo, os danos colaterais da decisão atingiram duramente os funcionários, muitos dos quais dedicaram anos de suas vidas à companhia.
Depoimentos revelam drama humano por trás das demissões
Trabalhadores afirmam ter recebido valores errados
Uma ex-comissária de bordo da Voepass, que trabalhou por cinco anos na empresa, relatou à Record TV que recebeu apenas R$ 2.100 em sua rescisão — valor muito inferior ao que deveria, considerando seu tempo de serviço e os descontos aplicados em folha. O caso dela não é isolado.
“Verifiquei minha rescisão junto com o sindicato e percebi que estava errada. Ao conversar com colegas, descobrimos que praticamente todas estavam incorretas. Disseram que depositariam o restante depois, mas isso nunca aconteceu”, afirmou, sob condição de anonimato.
O peso emocional e financeiro das demissões
Além da questão trabalhista, muitos ex-funcionários relatam os impactos emocionais e familiares da perda repentina do emprego.
Em diversos casos, os salários da Voepass representavam a única fonte de renda da casa. Sem rescisão correta e sem acesso imediato ao FGTS, centenas de famílias foram jogadas em situação de instabilidade financeira.
Sindicato Nacional dos Aeronautas move ação coletiva
Ação na Justiça busca assegurar os direitos dos trabalhadores
O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), por meio de seu secretário Clauver Castilho, confirmou à imprensa que ingressou com uma ação coletiva contra a Voepass. O objetivo é garantir judicialmente que os direitos trabalhistas dos demitidos sejam pagos de forma integral.
“De uma hora para outra, essas pessoas perderam tudo. Famílias inteiras dependiam dos salários dos funcionários da Voepass. Agora o Poder Judiciário precisa agir para rever esses valores e assegurar que os direitos sejam respeitados”, declarou Castilho.
Possíveis implicações legais para a Voepass
Caso fique comprovado que a empresa descumpriu sistematicamente obrigações trabalhistas, ela poderá enfrentar multas administrativas, processos por dano moral coletivo e sanções da Justiça do Trabalho.
A empresa também corre o risco de ser incluída na lista de empregadores que praticam irregularidades trabalhistas, o que pode impactar negativamente futuras concessões ou parcerias públicas.
O que dizem os especialistas em direito trabalhista
Falhas na rescisão podem configurar má-fé
Segundo advogados ouvidos por nossa reportagem, o não pagamento de verbas rescisórias no prazo legal pode configurar infração grave e, dependendo do caso, má-fé empresarial.
“Se a empresa desconta valores em folha e não os repassa, como no caso do FGTS, estamos diante de uma prática ilegal que pode ser tratada até mesmo como apropriação indébita”, alerta a advogada trabalhista Helena Duarte.
Possibilidades de ressarcimento e bloqueio de bens
A Justiça pode determinar bloqueios de contas bancárias da Voepass para garantir o pagamento das dívidas trabalhistas. Também é possível pedir, em casos extremos, a responsabilização dos sócios, principalmente se for constatada intenção deliberada de burlar a legislação.
Histórico de dificuldades e contexto da crise
Voepass já enfrentava instabilidade antes da paralisação
Embora o anúncio da suspensão temporária tenha sido feito em abril de 2025, fontes do setor afirmam que a companhia já dava sinais de instabilidade financeira meses antes.
A retração no setor de aviação regional, agravada pelo aumento dos custos operacionais e pela diminuição do fluxo de passageiros, contribuiu para o cenário de colapso.
A aviação regional em crise
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A Voepass não é a única empresa afetada. Outras companhias de aviação regional enfrentam dificuldades semelhantes, com cancelamentos de rotas e reestruturações. A crise no setor pode ser atribuída a uma combinação de fatores, incluindo:
- Aumento do preço do querosene de aviação
- Redução de subsídios públicos para rotas regionais
- Queda na demanda por voos em cidades menores
- Competição desleal de plataformas de transporte terrestre
Caminhos para os trabalhadores prejudicados
Como buscar seus direitos na Justiça
Os ex-funcionários da Voepass que não foram incluídos na ação coletiva podem procurar a Justiça do Trabalho de forma individual. Para isso, é recomendável reunir:
- Cópias de contracheques
- Contrato de trabalho
- Comunicação de dispensa
- Comprovantes de descontos em folha (FGTS, INSS etc.)
- Declaração do sindicato ou relatos de outros funcionários
Apoio jurídico gratuito
Sindicatos e defensores públicos têm prestado orientação jurídica gratuita aos trabalhadores afetados. Em cidades com sede da Justiça do Trabalho, é possível agendar atendimento diretamente com a Vara ou Posto de Atendimento Trabalhista.
Reação da empresa e próximos passos

Voepass ainda não respondeu à ação coletiva
Até o fechamento desta reportagem, a Voepass não havia divulgado nota oficial sobre a ação coletiva movida pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas. O site oficial da companhia também não traz informações atualizadas sobre os desligamentos e o andamento das tratativas com ex-funcionários.
Possível retomada das operações ainda é incerta
Embora a suspensão tenha sido anunciada como “temporária”, não há previsão concreta para o retorno das atividades. A retomada depende de reestruturação financeira, novo aporte de capital e aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Considerações finais
As demissões em massa na Voepass revelam não apenas uma crise empresarial, mas uma questão humana e social de grandes proporções.
A falta de pagamento de direitos trabalhistas, somada à incerteza sobre o futuro da companhia, coloca em xeque a estabilidade de centenas de famílias brasileiras.
O caso escancara a vulnerabilidade dos trabalhadores do setor aéreo, especialmente em empresas de médio porte, e acende o alerta para a necessidade de fiscalização mais rígida por parte das autoridades competentes.
Enquanto isso, o movimento sindical e os próprios trabalhadores seguem mobilizados, em busca do que lhes é de direito: dignidade, respeito e justiça.
