A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação policial de grande repercussão nacional. Ela foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital.
Investigação aponta que Deolane movimentava valores antes de registrar BO por uso indevido de dados
Deolane Bezerra foi presa em operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Polícia aponta movimentações suspeitas.
A ação também teve como alvo Marco Willians Herbas Camacho, considerado pelas autoridades o principal líder da facção criminosa, além de familiares e operadores financeiros investigados.
Segundo os investigadores, a operação revelou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com atividades declaradas oficialmente e apontou o uso de empresas e contas bancárias para ocultar a origem de recursos ilícitos.
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Como começou a investigação
As apurações tiveram origem em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material, segundo a Polícia Penal, continha referências à estrutura financeira da organização criminosa, ordens internas e possíveis ações contra agentes públicos.
Com o avanço das investigações, os policiais identificaram ligações entre integrantes da facção e uma transportadora de cargas sediada no interior paulista. A empresa passou a ser investigada por suspeita de funcionar como uma companhia de fachada usada para movimentar dinheiro do crime organizado.
A partir daí, nasceram diferentes fases investigativas, incluindo a Operação Lado a Lado e, posteriormente, a Operação Vérnix.
O que a polícia encontrou contra Deolane
De acordo com o relatório policial, imagens de comprovantes bancários direcionados a contas de Deolane foram encontradas no celular de Ciro César Lemos, apontado como operador financeiro da organização.
Os investigadores afirmam que a descoberta desses depósitos ocorreu oficialmente em 28 de março de 2022, quando relatórios de perícia em dispositivos eletrônicos foram anexados ao processo.
Dois dias depois, Deolane registrou um boletim de ocorrência alegando que terceiros estariam utilizando seus dados pessoais de forma fraudulenta para abrir contas bancárias e movimentar dinheiro.
Para a Polícia Civil, o registro do boletim não foi uma coincidência. O relatório sustenta que a influenciadora teria sido alertada sobre o avanço das investigações e tentou criar uma narrativa preventiva para justificar futuras descobertas financeiras.
Polícia contesta versão apresentada pela defesa
As autoridades afirmam que a quebra de sigilo bancário demonstrou que as contas citadas no boletim eram efetivamente movimentadas pela própria influenciadora.
Segundo os investigadores, se os valores recebidos fossem referentes exclusivamente a serviços advocatícios ou contratos comerciais lícitos, não haveria necessidade de alegar fraude bancária ou utilização indevida de documentos.
O relatório policial também aponta que Deolane teria usado sua imagem pública, empresas registradas e patrimônio de alto padrão como mecanismos para dar aparência legal a movimentações suspeitas.
A defesa da influenciadora nega irregularidades e afirma que todos os fatos serão esclarecidos judicialmente.
Operação mira núcleo financeiro da facção
Além de Deolane, a operação também teve como alvo Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pelas autoridades como operador financeiro da organização criminosa.
Mandados de prisão e busca e apreensão foram expedidos contra parentes de Marcola, incluindo:
- Alejandro Camacho
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho
- Paloma Sanches Herbas Camacho
Segundo a investigação, os recursos movimentados pela transportadora seriam destinados a integrantes da cúpula da facção e familiares.
Os investigadores afirmam que contas vinculadas a Deolane e Everton teriam sido utilizadas para intermediar parte dessas transações financeiras.
Deolane falou após prisão
Após ser levada para a sede da Polícia Civil em São Paulo, Deolane falou rapidamente com jornalistas.
“A Justiça vai ser feita”, declarou a influenciadora ao deixar a delegacia.
Questionada sobre as acusações envolvendo lavagem de dinheiro para Marcola, ela respondeu apenas que estava “trabalhando”.
Posteriormente, Deolane foi encaminhada para a Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, onde aguardaria audiência de custódia.
Nome de Deolane chegou à Interpol
Outro ponto que chamou atenção na investigação foi a inclusão temporária do nome da influenciadora na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
Na ocasião, Deolane estava em Roma e retornou ao Brasil um dia antes da operação policial.
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca na residência da influenciadora em Barueri e em outros endereços ligados a ela.
Também foram alvo de buscas um influenciador apontado como filho de criação da advogada e um contador investigado por possível participação na movimentação financeira.
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O que é lavagem de dinheiro
Lavagem de dinheiro é o processo usado para ocultar a origem ilegal de recursos obtidos por meio de crimes como tráfico de drogas, corrupção, fraude e organizações criminosas.
No Brasil, o crime está previsto na Lei nº 9.613/1998. A legislação prevê penas que podem chegar a até 10 anos de prisão, além de multas.
Em muitos casos, os investigados utilizam empresas, imóveis, veículos de luxo, contas de terceiros e movimentações empresariais para dificultar o rastreamento dos valores.
Segundo especialistas em combate ao crime financeiro, organizações criminosas costumam buscar pessoas com forte exposição pública ou empresas formalmente registradas para criar aparência de legalidade.
Empresas de fachada estão no centro das investigações
A investigação aponta que a transportadora utilizada pelo grupo funcionava como uma engrenagem financeira da organização criminosa.
Os policiais afirmam que a empresa apresentava movimentações milionárias incompatíveis com sua capacidade econômica declarada.
Além disso, foram identificadas compras de caminhões, pagamentos a terceiros e administração de patrimônio em nome de integrantes da facção.
As autoridades acreditam que o esquema funcionava em camadas, dificultando o rastreamento direto do dinheiro.
Caso deve ter novos desdobramentos
A expectativa é de que as investigações avancem para análise detalhada de contratos, patrimônio, movimentações bancárias e ligações empresariais dos investigados.
Especialistas avaliam que o caso pode se tornar uma das maiores apurações recentes envolvendo influenciadores digitais e suspeitas de lavagem de dinheiro no Brasil.
Até o momento, a defesa de Deolane Bezerra sustenta que sua renda é compatível com suas atividades como advogada, empresária e influenciadora digital.
O processo segue em andamento e os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante as próximas etapas judiciais.
Imagem: BandNews/Reprodução
Com Informações de G1
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