Encontrar o Rivotril nas farmácias brasileiras tornou-se cada vez mais difícil. O sedativo mais popular do país está em falta nas versões em gotas de 2,5 mg/mL e comprimidos sublinguais de 0,25 mg, impactando milhares de pacientes que dependem do medicamento para tratamento de transtornos de ansiedade, crises epilépticas e distúrbios do sono. Segundo fabricantes e o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a escassez se deve a uma combinação de fatores logísticos e regulatórios que afetaram a produção das versões menos concentradas do medicamento.
Rivotril some das prateleiras em todo o Brasil, saiba o motivo
Rivotril desaparece das farmácias brasileiras; versões em gotas e sublinguais estão em falta devido a mudança na produção e recall de lotes.
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Transferência da produção para a Europa

De acordo com a Biopas Brasil, responsável pela comercialização do medicamento referência, o problema decorre da transferência da fabricação dos insumos que eram feitos no Brasil para a Europa. A versão em gotas passará a ser produzida na Itália e a sublingual na Espanha. Até que a produção se estabilize, o Rivotril pode ficar meses fora das prateleiras. A expectativa é que as gotas retornem ao mercado ainda em 2025, enquanto a versão sublingual só deve ser disponibilizada no início de 2026.
Problemas de comunicação com a Anvisa
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Blanver, detentora do registro do Rivotril no Brasil, não comunicou a mudança de local de produção dentro do prazo mínimo exigido de 180 dias. A agência só recebeu a notificação em agosto de 2025, quando a interrupção já estava em curso. Caso seja confirmado o descumprimento das regras, a empresa poderá ser multada e ter o registro dos medicamentos suspenso. Em nota, a Blanver afirmou que “todos os procedimentos de comunicação foram realizados de acordo com a regulamentação brasileira”. Vale lembrar que não é a primeira vez que a produção sofre interrupções: em novembro de 2024, a empresa anunciou a descontinuação de comprimidos de 0,5 mg e 2 mg em diversas embalagens.
Recall de lotes da Teuto reforça insegurança
Além das versões originais, o Rivotril possui genéricos fabricados por EMS, Medley e Teuto. A Teuto, porém, anunciou o recolhimento voluntário de um lote da solução oral, após identificar falha na eficácia. O lote afetado é o 3591454, e os pacientes devem interromper o consumo e procurar substituição na farmácia. A medida foi comunicada à Anvisa e à rede de distribuição, seguindo normas de segurança. Canais de atendimento foram disponibilizados pela Teuto: telefone 0800 6218 001 e e-mail [email protected]. Segundo o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), 14,3% da população brasileira utilizava benzodiazepínicos em 2023, incluindo Rivotril e Lexotan, reforçando o impacto do desabastecimento.
Alternativas para pacientes durante a escassez

Com o medicamento em falta, médicos e pacientes buscam alternativas para evitar interrupção abrupta, que pode ser arriscada. Segundo a farmacêutica Jeane Nogueira, “o desmame de benzodiazepínicos deve ser conduzido com cuidado, de forma gradual, respeitando as particularidades de cada paciente para manter o equilíbrio da saúde mental”. O acompanhamento médico é essencial para evitar sintomas de abstinência, que podem incluir ansiedade intensa, insônia e crises epilépticas.
Os perigos do uso prolongado do Rivotril
O clonazepam, princípio ativo do Rivotril, é eficaz no tratamento de transtornos de ansiedade, epilepsia e distúrbios do sono, mas apresenta alto potencial de dependência química. Segundo Jeane, cerca de 75% da produção mundial de clonazepam é consumida no Brasil, tornando o medicamento um dos mais prescritos e vendidos do país. O uso contínuo pode causar alterações de humor, paranoia, pensamentos irracionais e até demência precoce. Além disso, a bula alerta para interações perigosas com álcool e outros sedativos, que podem ser fatais.
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Impacto na saúde mental e no cotidiano dos pacientes
A falta do Rivotril afeta diretamente a rotina de milhares de brasileiros, principalmente aqueles que dependem do medicamento para controlar crises de ansiedade e epilepsia. A escassez também aumenta a pressão sobre profissionais de saúde para encontrar alternativas seguras e garantir que o desmame seja feito sem comprometer a saúde mental. Especialistas recomendam não substituir o medicamento por automedicação e sempre procurar orientação médica antes de qualquer alteração no tratamento.
Perspectivas para o mercado farmacêutico

O desabastecimento do Rivotril evidencia fragilidades na logística farmacêutica, na regulação de produção e comunicação com a Anvisa. A situação também reforça a necessidade de maior transparência das empresas e de planos de contingência para evitar impacto direto sobre os pacientes. O cenário alerta para possíveis mudanças na política de importação e fabricação de medicamentos essenciais, já que a dependência de insumos importados deixa o mercado vulnerável a atrasos.
Considerações finais
Enquanto a produção do Rivotril não se normaliza, a orientação médica e o cuidado no desmame de benzodiazepínicos são cruciais para evitar crises de abstinência e garantir a segurança dos pacientes. A situação do medicamento demonstra como a dependência de fornecedores externos e a falta de comunicação adequada podem impactar diretamente a saúde pública. O Brasil acompanha de perto a volta das versões em falta, que promete apenas em 2025 e 2026. Pacientes e profissionais de saúde seguem atentos às informações da Anvisa e das fabricantes, enquanto estratégias de substituição segura são avaliadas para minimizar os riscos do desabastecimento.
