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Descompasso entre Brasil e exterior pesa no preço da soja

Soja segue pressionada no Brasil com safra cheia em 2025/26. Entenda por que os preços caem, mesmo com alta em Chicago.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
soja

O mercado brasileiro de soja segue operando sob pressão, com cotações enfraquecidas e pouca reação mesmo diante de estímulos externos. No início de fevereiro, os preços continuam limitados pela expectativa de ampla oferta interna, refletindo a proximidade de uma safra expressiva no país. Na quarta-feira, 4 de fevereiro, o indicador do Cepea referente ao porto de Paranaguá (PR) recuou 0,17%, encerrando o dia a R$ 124,34 por saca.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), referência nacional em análises de commodities agrícolas, aponta que a pressão vem principalmente da expectativa de uma safra robusta no ciclo 2025/26. Mesmo com desafios climáticos pontuais, o volume total projetado mantém o mercado abastecido e limita reações mais firmes nas cotações internas.

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Safra 2025/26 mantém oferta elevada no Brasil

Chuvas atrasam colheita, mas não mudam o cenário

De acordo com Ênio Fernandes, analista da Terra Agronegócios, as dificuldades enfrentadas em algumas regiões produtoras, como áreas de Mato Grosso e Goiás, são consideradas pontuais. As chuvas excessivas têm atrasado a colheita, mas não comprometem o potencial produtivo do país.

Segundo o especialista, assim que as condições climáticas melhorarem, um grande volume de soja deve chegar ao mercado de forma concentrada. Esse fluxo tende a aumentar a oferta disponível tanto no Brasil quanto no exterior, reforçando a pressão baixista sobre os preços.

Produção elevada de soja influencia o mercado interno

O Brasil segue como o maior produtor e exportador mundial de soja, e a confirmação de uma safra volumosa pesa diretamente na formação de preços. Em anos de oferta abundante, compradores ganham poder de barganha, enquanto produtores enfrentam maior dificuldade para sustentar valores mais altos no mercado físico.

Esse contexto explica por que, mesmo com oscilações positivas em bolsas internacionais, o reflexo no mercado doméstico costuma ser limitado quando a oferta interna é elevada.

Bolsa de Chicago reage, mas impacto no Brasil é restrito

Alta impulsionada pela demanda chinesa

Na contramão do movimento observado no Brasil, a soja registrou forte valorização na Bolsa de Chicago (CBOT). Os contratos com vencimento em março subiram 2,49%, fechando a US$ 10,9225 por bushel. A alta foi sustentada pela expectativa de que a China amplie suas compras de soja dos Estados Unidos.

A possibilidade de aumento da demanda chinesa costuma gerar reações imediatas em Chicago, que funciona como referência global para o mercado de grãos. No entanto, essa valorização nem sempre se traduz automaticamente em preços mais altos no Brasil.

Câmbio e prêmio de exportação fazem diferença

Além da oferta interna, outros fatores limitam a transmissão da alta externa para o mercado brasileiro. A taxa de câmbio, os prêmios de exportação e os custos logísticos influenciam diretamente o valor recebido pelo produtor. Em momentos de real valorizado ou prêmios mais fracos nos portos, o impacto positivo de Chicago tende a ser reduzido.

Volatilidade cria oportunidades para o produtor rural

Travamento de preços no mercado futuro

Apesar do cenário de queda no mercado físico, Ênio Fernandes avalia que a volatilidade recente abriu oportunidades interessantes para alguns produtores. Com a soja próxima de US$ 11 por bushel em Chicago, muitos aproveitaram para travar vendas futuras, garantindo margens e reduzindo riscos.

Essa estratégia é comum entre produtores mais capitalizados ou com maior acesso a ferramentas de hedge, como contratos futuros e operações de barter com tradings e cooperativas.

Gestão de risco ganha importância

Em um ambiente de preços pressionados, a gestão de risco se torna ainda mais relevante. O uso de instrumentos de mercado, aliado ao planejamento financeiro da propriedade, pode ajudar o produtor a atravessar períodos de baixa sem comprometer a rentabilidade do negócio.

Especialistas do setor recomendam acompanhar indicadores oficiais, como os dados do Cepea, da Conab e do Ministério da Agricultura, além de manter diálogo constante com corretores e consultores de mercado.

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Cotações regionais mostram comportamento misto

Preços sobem em algumas praças

Levantamento da AgRural revela que, apesar da tendência geral de queda, algumas regiões registraram leves altas nas cotações. Em Ponta Grossa (PR), a saca de soja foi negociada a R$ 122, com valorização de R$ 1 em relação ao dia anterior. Em Passo Fundo (RS), o preço subiu R$ 0,50, encerrando o dia a R$ 123,50.

Esses movimentos pontuais refletem questões locais, como demanda imediata, logística e ritmo de colheita, mas não alteram o panorama nacional.

Mato Grosso segue com preços mais baixos

Em Primavera do Leste (MT), importante polo produtor, a saca foi cotada a R$ 104,50, também com alta de R$ 0,50. Ainda assim, os valores permanecem significativamente abaixo dos observados em regiões próximas aos portos, evidenciando o impacto do custo de transporte e da distância dos principais canais de exportação.

O que esperar para os próximos meses

Com a confirmação de uma safra cheia em 2025/26, o mercado brasileiro de soja deve continuar operando sob pressão. Movimentos de alta no mercado internacional podem gerar janelas de oportunidade, mas dificilmente mudarão a tendência de curto prazo sem uma alteração relevante no cenário de oferta ou câmbio.

Para o produtor, o momento exige atenção redobrada às estratégias de comercialização, buscando equilíbrio entre vendas imediatas e travamento de preços futuros, sempre considerando os custos de produção e a realidade regional.

Imagem: avicultura do nordeste/Reprodução

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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