O início do terceiro trimestre de 2025 trouxe resultados mistos para os grandes bancos brasileiros. Dados compilados pelo Banco Central e analisados por instituições financeiras indicam um cenário desafiador, principalmente para o Banco do Brasil (BB).
BB amarga desempenho abaixo do esperado em julho, dizem dados do BC
Números mostram desempenho de bancos brasileiros em julho de 2025, com queda do Banco do Brasil e crescimento de carteiras de crédito de outros bancos.
A divulgação dos números impactou fortemente os papéis das principais instituições na Bolsa de Valores. Na sessão desta quarta-feira (1), BBAS3 caiu 0,77%, a R$ 21,92; ITUB4 recuou 1,73%, a R$ 38,38; BBDC4 perdeu 1,70%, a R$ 17,39; e SANB11 caiu 1,26%, a R$ 29,03.
Leia mais:
INSS pago além do teto? Profissionais da saúde podem solicitar restituição
Banco do Brasil enfrenta trimestre desafiador

Em julho, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$780 milhões, um desempenho inferior aos R$976 milhões alcançados em junho. Apesar de apresentar melhora em relação a maio, quando o lucro líquido foi de R$516 milhões, o valor ainda está distante dos resultados verificados no início do ano.
Análise dos bancos de investimento
A equipe do Bradesco BBI classificou o lucro do BB como “muito fraco”, projetando R$2,3 bilhões em uma base trimestral, o que representa 41% abaixo das previsões da instituição. Além disso, os analistas destacaram a queda de 0,8% na carteira de crédito na comparação mensal.
O Citi também destacou a redução do lucro em julho, mas ressaltou que as expectativas para o terceiro trimestre e para o ano de 2025 já estavam ajustadas para baixo. Segundo o banco, a atenção deve se voltar para o nível de renegociação de empréstimos rurais, que pode impactar positivamente os resultados apenas em 2026.
Perspectivas futuras
Os analistas enfatizaram que os números de julho representam apenas um mês do trimestre e que o resultado final do período pode sofrer ajustes gerenciais. A volatilidade ao longo dos meses pode alterar o desempenho apresentado, sendo importante observar os próximos relatórios para ter uma visão consolidada.
Itaú Unibanco mantém crescimento consistente
O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido de R$4,214 bilhões em julho, superando os R$3,487 bilhões registrados em junho. A carteira de crédito da instituição cresceu 0,4% no mês, demonstrando estabilidade em um cenário econômico desafiador.
Destaques do desempenho
O crescimento do lucro do Itaú foi impulsionado principalmente pelo aumento da carteira de crédito e pela gestão eficiente de receitas e despesas. Segundo analistas, o banco segue consolidando sua posição como líder no setor financeiro brasileiro, mantendo indicadores sólidos mesmo em períodos de instabilidade.
Bradesco apresenta leve retração
O Bradesco registrou lucro de R$2,008 bilhões em julho, ligeiramente abaixo dos R$2,052 bilhões apurados em junho. Apesar da redução, a carteira de crédito apresentou alta de 1,3% no mês, sinalizando expansão moderada das operações de crédito.
Avaliação do mercado
Para analistas do setor, a performance do Bradesco mostra resiliência em meio a um cenário desafiador, com leve queda nos lucros compensada pelo crescimento da carteira de crédito. A expectativa é que os resultados do banco permaneçam estáveis nos próximos meses, com ajustes pontuais em função das condições econômicas e das políticas internas.
Santander Brasil cresce de forma gradual

O Santander Brasil registrou lucro líquido de R$1,843 bilhão em julho, um aumento significativo em relação aos R$1,530 bilhões registrados em junho. A carteira de crédito do banco cresceu 0,2% no período, indicando expansão gradual das operações.
Estratégias do banco
Segundo especialistas, o crescimento do Santander reflete a capacidade da instituição de manter consistência na geração de lucro, mesmo diante de desafios macroeconômicos. O banco tem investido em digitalização e diversificação de produtos, o que contribui para maior eficiência operacional e aumento da base de clientes.
Nubank e Inter: performance de bancos digitais
O Nubank registrou lucro de R$1,258 bilhão em julho, abaixo dos R$1,464 bilhão do mês anterior, mas com aumento de 3,5% na carteira de crédito. Já o Banco Inter teve lucro de R$30 milhões em julho, uma queda significativa em relação aos R$88 milhões de junho, com aumento de 1,4% na carteira de crédito.
Desafios e oportunidades
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Apesar da queda nos lucros, os bancos digitais continuam expandindo suas carteiras de crédito, o que indica potencial de crescimento futuro. A expectativa do mercado é que, com maior maturidade e ajustes estratégicos, essas instituições consigam equilibrar rentabilidade e expansão da base de clientes nos próximos trimestres.
Impacto do cenário econômico nos bancos
O desempenho dos bancos brasileiros no início do terceiro trimestre reflete não apenas fatores internos, mas também influências externas, como a política de juros, inflação e perspectivas de crescimento econômico. A Selic, por exemplo, tem impacto direto na rentabilidade das carteiras de crédito e na margem financeira das instituições.
Volatilidade e expectativas
A volatilidade observada nos resultados mensais reforça a necessidade de análise cautelosa. O mercado financeiro avalia que os próximos meses serão decisivos para consolidar o desempenho anual, com atenção especial para renegociações de empréstimos, inadimplência e ajustes estratégicos.
Comparativo entre bancos tradicionais e digitais

Enquanto os bancos tradicionais, como Itaú, Bradesco e Santander, mostram estabilidade e crescimento gradual, os bancos digitais enfrentam maiores oscilações de lucro, mas com expansão consistente de suas carteiras. Esse movimento evidencia a transformação do setor financeiro, com maior competição e inovação tecnológica.
Perspectivas de crescimento
Analistas destacam que, a médio prazo, a digitalização e o aumento do crédito direcionado a novos clientes podem equilibrar os resultados dos bancos digitais. Para os bancos tradicionais, a estratégia de diversificação e foco em eficiência operacional continuará sendo determinante para manutenção da lucratividade.
Conclusão
O início do terceiro trimestre de 2025 mostrou que os bancos brasileiros enfrentam desafios distintos. O Banco do Brasil apresenta resultados mais frágeis, enquanto Itaú, Bradesco e Santander mantêm estabilidade e crescimento moderado. Os bancos digitais, embora com lucros voláteis, seguem expandindo suas carteiras, indicando potencial de longo prazo.
A análise mensal dos resultados financeiros reforça a importância de monitorar de perto os números trimestrais e as estratégias adotadas pelos bancos, considerando o impacto do cenário econômico e das políticas monetárias.
Pode ser do seu interesse:
