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Desemprego baixo segura inadimplência, mas Selic de 15% ameaça futuro do setor

Inadimplência cai com desemprego baixo, mas Selic em 15% preocupa mercado imobiliário. Veja dados da Caixa e impactos futuros.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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O mercado imobiliário brasileiro começou 2025 com um dado relevante: a inadimplência caiu e, consequentemente, a quantidade de imóveis retomados pela Caixa Econômica Federal também diminuiu. Esse movimento está diretamente relacionado ao fato de que o desemprego baixo segura inadimplência, trazendo fôlego às famílias que enfrentaram períodos difíceis nos últimos anos.

No primeiro trimestre de 2025, a Caixa reintegrou 8.762 imóveis, número 33,4% menor em comparação ao mesmo período de 2024, quando o total havia sido de 13.166 unidades. O resultado mostra o menor nível de retomadas desde 2022, segundo dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação.

O valor de mercado dessas propriedades somou R$ 1,15 bilhão, queda de 25,8% em relação ao mesmo período de 2024.

Leia mais: Taxa de desemprego no Brasil atinge 5,6%, menor desde 2012

Mercado de trabalho aquecido: fator decisivo

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Um dos principais motivos para a melhora é o aquecimento do mercado de trabalho. O Brasil encerrou 2024 com a menor taxa de desemprego da história, além de ganhos reais no salário médio.

“Essa queda reflete o mercado de trabalho mais aquecido e a ampliação das renegociações com os bancos. As famílias conseguiram se reorganizar financeiramente”, explicou Bruno Pira, especialista em mercado imobiliário.

Esse ambiente favorável foi determinante para reduzir o índice de inadimplência dos financiamentos imobiliários da Caixa, que ao longo de 2024 caiu para 1,19%. O percentual, que mede atrasos acima de 90 dias, representou uma melhora de 0,43 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Oscilações no início de 2025

Apesar da melhora, os dados do primeiro trimestre de 2025 mostram um leve aumento da inadimplência, que chegou a 1,42%. Mesmo assim, especialistas explicam que esse movimento não compromete imediatamente os níveis de retomadas de imóveis, já que as reintegrações acontecem após longos períodos de atraso.

Ou seja, a prova de que o desemprego baixo segura inadimplência continua válida, pelo menos por enquanto.

Histórico recente: recorde em 2024

O desempenho atual ganha relevância quando comparado ao que ocorreu em 2024. Naquele ano, a Caixa retomou 49.935 imóveis, superando o recorde de 39.591 unidades em 2023.

Esse aumento foi atribuído ao fim das medidas emergenciais adotadas durante a pandemia, que haviam reduzido drasticamente as retomadas. Na época, pausas e reduções nas parcelas foram autorizadas pelo governo para evitar um colapso financeiro entre os mutuários.

Com a retomada da normalidade, 2024 marcou um recorde de reintegrações, mas agora os números de 2025 sinalizam uma trajetória inversa.

Selic em 15%: uma ameaça ao futuro do setor

Se, de um lado, o desemprego baixo segura inadimplência, de outro, a alta da taxa básica de juros (Selic) preocupa especialistas. Atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, a Selic encarece os novos financiamentos e pode esfriar o setor imobiliário no médio prazo.

Apesar disso, os contratos já firmados não sofrem impacto direto, o que explica por que a inadimplência não disparou mesmo com a Selic elevada.

“Quem pega um empréstimo, mesmo que com juros altos, normalmente tem uma programação financeira, pelo menos para um curto prazo, e dificilmente deixa de honrar as primeiras parcelas”, avaliou Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário.

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Ainda assim, o risco futuro existe. Quanto mais tempo a Selic permanecer em níveis elevados, maior será a dificuldade de acesso ao crédito imobiliário, afetando especialmente famílias de menor renda.

Impactos para as famílias e para o mercado

O cenário atual pode ser resumido em dois pontos centrais:

  • Positivo: o mercado de trabalho aquecido garante que famílias tenham condições de manter seus financiamentos em dia, evitando perdas patrimoniais.
  • Negativo: a Selic em 15% reduz a atratividade do crédito imobiliário, dificultando novos financiamentos e podendo frear o crescimento do setor.

Com isso, enquanto os números de retomadas e inadimplência ainda se mantêm sob controle, há uma preocupação com o que pode acontecer caso os juros permaneçam em patamares tão elevados por muito tempo.

O que esperar dos próximos meses

Menos dias de trabalho, mais saúde Entenda os impactos da escala reduzida
Imagem; Freepik

Especialistas acreditam que, no curto prazo, a tendência é de manutenção da estabilidade, já que o desemprego baixo segura inadimplência. Porém, o comportamento da Selic será determinante para definir o ritmo do mercado imobiliário.

Se houver redução gradual da taxa, é possível que o setor retome um crescimento sustentável, atraindo novos compradores e diminuindo riscos. Caso contrário, a retração pode impactar não apenas bancos e construtoras, mas também o sonho da casa própria para milhares de brasileiros.

Com informações de: UOL

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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