O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (27) que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 6,2% no trimestre encerrado em maio de 2025.
Taxa de desemprego recua para 6,2% no trimestre encerrado em maio, informa IBGE
Taxa de desemprego no Brasil recua a 6,2% no trimestre até maio de 2025, atingindo o menor patamar desde 2015, segundo dados pelo IBGE.
O resultado representa o menor índice desde o final de 2015, superando as expectativas do mercado e reforçando sinais de recuperação do mercado de trabalho nacional.
A mediana das projeções de economistas consultados pela agência Reuters apontava para uma taxa de 6,4%, o que indica que o dado oficial foi mais favorável do que o esperado.
Em relação ao trimestre imediatamente anterior (dezembro de 2024 a fevereiro de 2025), quando o índice estava em 6,8%, houve queda de 0,6 ponto percentual. Já na comparação com o mesmo trimestre de 2024 (7,1%), a queda é ainda mais expressiva: 1,0 ponto percentual.
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O que explica a queda do desemprego no país

Crescimento do emprego com carteira assinada
Um dos principais fatores apontados pelo IBGE para a melhora no índice de desocupação foi o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, que atingiu o recorde de 39,8 milhões de pessoas.
Houve estabilidade (alta de 0,8%) em relação ao trimestre anterior, e um crescimento significativo de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2024.
Esse avanço reflete um processo de formalização do mercado de trabalho, em um cenário no qual empresas começam a retomar contratações e projetos paralisados durante períodos de incerteza econômica.
Queda expressiva no número de desalentados
Outro destaque da pesquisa é a redução no número de desalentados — aqueles que desistiram de procurar trabalho por acreditarem que não conseguiriam encontrar uma ocupação.
O recuo foi de 10,6% em relação ao trimestre encerrado em abril e de 13,1% na comparação anual. Essa diminuição pode indicar maior confiança dos trabalhadores no mercado e melhor percepção de oportunidades.
Panorama detalhado do mercado de trabalho
Composição da população ocupada
A população ocupada atingiu 101,4 milhões de pessoas, crescimento de 1,1% em relação ao trimestre anterior, o que representa cerca de 1,1 milhão de brasileiros a mais trabalhando.
Destaques por setor:
- Comércio e serviços foram os setores com maior geração de vagas.
- Construção civil e indústria também apresentaram melhora, embora em menor ritmo.
- O setor público manteve-se praticamente estável.
Subutilização da força de trabalho
A taxa de subutilização — que considera pessoas que trabalham menos horas do que gostariam ou que estão disponíveis para trabalhar mas não conseguem encontrar ocupação — caiu para 17,8%, contra 18,5% no trimestre anterior.
Esse dado é relevante porque mostra não apenas mais gente empregada, mas também melhor aproveitamento da capacidade de trabalho da população.
Rendimento médio real
O rendimento médio real habitual do trabalhador ficou em R$ 2.975, apresentando alta de 1,6% em comparação com o trimestre anterior e de 2,2% na comparação anual.
O aumento da renda indica recuperação do poder de compra, o que, por sua vez, contribui para o aquecimento do consumo interno — um dos motores da economia brasileira.
O que dizem especialistas sobre o resultado
Avaliação positiva, mas com alertas
Economistas consultados pela CNN e outras agências destacam que a queda na taxa de desemprego é uma boa notícia, principalmente em um cenário de juros altos e crescimento econômico moderado.
Segundo a economista Mariana Bueno, da LCA Consultores, “a expansão do emprego formal, aliada à queda no desalento, mostra um mercado de trabalho resiliente. No entanto, é necessário observar se esse ritmo se mantém no segundo semestre, com possível desaceleração da atividade econômica.”
Riscos e desafios para o restante de 2025
Alguns analistas apontam que a redução da taxa Selic pode ajudar a manter o fôlego da geração de empregos, especialmente no setor de serviços e na construção civil. Porém, há riscos fiscais e incertezas políticas que podem comprometer os investimentos e, consequentemente, as contratações.
Além disso, a pressão sobre o orçamento das famílias ainda é alta, especialmente por conta do endividamento recorde e da inflação de alimentos.
Comparação com anos anteriores
Evolução histórica da taxa de desemprego
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Desde 2015, quando o país enfrentou o início de uma forte recessão, a taxa de desemprego ultrapassou os dois dígitos, chegando ao ápice de 14,7% em 2021, durante o auge da pandemia da Covid-19.
De lá para cá, houve um processo gradual de recuperação:
- 2022: 9,3%
- 2023: 8,1%
- 2024: 7,1%
- 2025 (maio): 6,2%
Essa trajetória confirma a retomada do mercado de trabalho e a saída do país de um ciclo prolongado de crise.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
Quais setores devem continuar gerando empregos
As previsões do IBGE e de consultorias apontam que os seguintes setores devem seguir em crescimento:
- Tecnologia da informação: alta demanda por profissionais qualificados.
- Serviços e turismo: recuperação pós-pandemia e eventos nacionais.
- Agronegócio: embora mais volátil, segue gerando empregos em regiões específicas.
- Construção civil: beneficiada por incentivos públicos e investimentos em infraestrutura.
Políticas públicas e reformas
O governo federal tem defendido a aprovação de reformas voltadas à modernização das relações de trabalho e redução da informalidade. Além disso, programas de capacitação técnica e digitalização devem ganhar força nos próximos meses.
Carteira de trabalho completa 80 anos em busca de modernização

Em meio à divulgação dos dados de desemprego, a carteira de trabalho — símbolo do vínculo formal no Brasil — completa 80 anos em 2025. Criada em 1935, ela passou por diversas transformações ao longo das décadas, e nos últimos anos ganhou versão digital, acessível via aplicativo.
A expectativa do Ministério do Trabalho é que a carteira digital amplie o acesso a informações sobre vínculos, contribuições e benefícios, tornando o processo mais transparente para trabalhadores e empregadores.
Conclusão
A queda da taxa de desemprego para 6,2% no trimestre encerrado em maio representa um importante marco para o mercado de trabalho brasileiro, que atinge seu melhor resultado desde 2015.
O avanço do emprego formal, a queda do desalento e o aumento da renda média são indicativos de que a economia começa a consolidar uma trajetória de recuperação.
Contudo, os desafios permanecem, e o ritmo dessa retomada dependerá de fatores como a política monetária, o equilíbrio fiscal e a estabilidade institucional.
Com um cenário ainda volátil, é essencial que as ações do governo e do setor privado estejam alinhadas para garantir geração de empregos de qualidade e inclusão produtiva no longo prazo.
