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Desemprego sobe em mais de 10 estados no Brasil

A taxa de desemprego subiu em 12 estados no 1º trimestre de 2025, segundo o IBGE. Apesar disso, o índice nacional foi o menor para o período desde 2012.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
Desemprego

O Brasil registrou aumento da taxa de desemprego em 12 estados no primeiro trimestre de 2025, conforme dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número integra a versão regional da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que revela diferenças marcantes entre as regiões do país.

Apesar do avanço da desocupação em parte dos estados, a taxa média nacional ficou em 7%, ante 6,2% no último trimestre de 2024. De acordo com o IBGE, essa é a menor taxa para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012, evidenciando um cenário de relativa resiliência no mercado de trabalho.

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Quais estados registraram aumento do desemprego?

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Segundo o levantamento, o desemprego avançou nos seguintes 12 estados entre janeiro e março de 2025, em comparação com o último trimestre de 2024:

  • Piauí: +2,7 pontos percentuais (p.p.)
  • Amazonas: +1,7 p.p.
  • Ceará: +1,5 p.p.
  • Pará: +1,5 p.p.
  • Pernambuco: +1,4 p.p.
  • Minas Gerais: +1,4 p.p.
  • Rio Grande do Norte: +1,3 p.p.
  • Maranhão: +1,3 p.p.
  • Rio de Janeiro: +1,1 p.p.
  • Mato Grosso: +1 p.p.
  • Paraná: +0,8 p.p.
  • Rio Grande do Sul: +0,7 p.p.

Nas outras 15 unidades da federação, o índice permaneceu estável, sem variações estatisticamente significativas.

Desemprego sobe, mas resultado nacional surpreende

Embora a taxa nacional tenha subido para 7%, o resultado foi classificado como positivo dentro do padrão sazonal, segundo o técnico do IBGE William Kratochwill. Ele destacou que os primeiros trimestres costumam registrar aumento da desocupação, devido ao encerramento de vagas temporárias criadas para o fim de ano.

“O aumento de 0,8 ponto percentual foi menor que a média dos aumentos [1,1 p.p.] para esse trimestre, o que garantiu que essa taxa de desocupação fosse a menor para um primeiro trimestre na série histórica”, explicou Kratochwill.

Estados com maiores e menores taxas de desemprego

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Imagem: tsyhun / shutterstock.com

O ranking dos estados revela disparidades significativas entre as regiões do Brasil:

Maiores taxas de desocupação (1º trimestre de 2025):

  • Pernambuco: 11,6%
  • Bahia: 10,9%
  • Piauí: 10,2%

Menores taxas de desocupação:

  • Santa Catarina: 3%
  • Rondônia: 3,1%
  • Mato Grosso: 3,5%

Esses dados revelam que os estados do Norte e Nordeste concentram os maiores índices de desemprego, enquanto o Sul se destaca com os menores.

Renda média do trabalho atinge recorde nacional

Apesar do aumento do desemprego, a renda média do trabalho no país atingiu o recorde histórico, sendo estimada em R$ 3.410 por mês no primeiro trimestre de 2025. O valor representa um avanço de 1,2% em relação aos últimos três meses de 2024.

No entanto, apenas três estados registraram aumentos significativos de rendimento:

  • Rio de Janeiro: +6,8%
  • Santa Catarina: +5,8%
  • Pernambuco: +4,7%

Segundo o IBGE, essas unidades da federação têm peso suficiente para influenciar a média nacional. Estados com menor população ou economia menos dinâmica não têm esse impacto estatístico.

Disparidades na formalização do emprego

A formalização também varia entre os estados. No primeiro trimestre de 2025, 74,6% dos empregados do setor privado tinham carteira de trabalho assinada no país. Mas esse percentual oscila fortemente entre as regiões.

Maiores índices de formalização:

  • Santa Catarina: 87,8%
  • São Paulo: 83,4%
  • Rio Grande do Sul: 81,5%

Menores índices de formalização:

  • Maranhão: 51,8%
  • Piauí: 52,0%
  • Pará: 55,1%

Esses dados indicam que estados do Sul e Sudeste mantêm relações de trabalho mais regulares, enquanto regiões do Norte e Nordeste têm uma presença maior de empregos informais ou precarizados.

Informalidade ainda afeta grande parte dos trabalhadores

A taxa de informalidade no Brasil foi de 38% da população ocupada no primeiro trimestre de 2025. Isso significa que mais de 1 em cada 3 trabalhadores atua sem carteira assinada ou sem registro de empresa (CNPJ).

Estados com maior informalidade:

  • Maranhão: 58,4%
  • Pará: 57,5%
  • Piauí: 54,6%
  • Amazonas: 53,3%
  • Ceará: 52,5%
  • Bahia: 51,9%
  • Paraíba: 51,3%

Em contrapartida, os menores índices de informalidade foram registrados em:

  • Santa Catarina: 25,3%
  • Distrito Federal: 28,2%
  • São Paulo: 29,3%

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Um ano antes, oito estados apresentavam informalidade superior a 50%. Agora são sete, indicando uma leve melhora, ainda que insuficiente.

Por que a informalidade é mais comum em certas regiões?

Segundo o IBGE, a informalidade tende a ser maior onde a economia é menos desenvolvida, com pouca presença de grandes empresas e menor capacidade de geração de empregos formais.

“Isso é mais comum de acontecer nas regiões onde a economia não é tão desenvolvida, onde não há tanta presença de empresas maiores”, afirmou William Kratochwill.

A informalidade, embora funcione como alternativa de renda, traz consequências negativas, como:

  • Ausência de direitos trabalhistas (férias, 13º, INSS);
  • Falta de acesso a crédito formal;
  • Menor proteção social em momentos de crise.

A força do emprego temporário e os desafios sazonais

O aumento do desemprego no início do ano tem relação direta com a sazonalidade do mercado de trabalho. Durante os últimos meses do ano anterior, há contratações temporárias, especialmente no varejo e serviços, que são encerradas em janeiro.

Esse movimento eleva o número de pessoas à procura de trabalho no primeiro trimestre, aumentando a taxa de desocupação, mesmo que o número de vagas permaneça estável ou em recuperação.

O que esperar dos próximos trimestres?

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Imagem: Tong_stocker / Shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

A tendência, segundo analistas do IBGE, é que a taxa de desemprego volte a cair gradualmente ao longo do ano, à medida que o mercado se reequilibra e setores como construção civil, agricultura e turismo retomam fôlego após o período de baixa atividade.

No entanto, fatores como:

  • Inflação persistente,
  • Juros elevados,
  • Incertezas políticas e fiscais,

podem impactar negativamente a geração de empregos, principalmente formais.

Considerações finais

O primeiro trimestre de 2025 evidenciou desigualdades regionais no mercado de trabalho brasileiro, com 12 estados apresentando aumento na taxa de desemprego e grande disparidade nas taxas de informalidade e renda. Ainda assim, a taxa nacional de 7% foi a menor da série histórica para o período, demonstrando que o mercado se mantém resiliente, apesar das pressões sazonais.

A elevação da renda média nacional e a queda do número de estados com informalidade acima de 50% são sinais positivos. Porém, o corte na formalização no Norte e Nordeste e o ritmo lento de recuperação em estados mais pobres ainda representam grandes desafios.

Aos gestores públicos, especialistas e sociedade civil, os dados servem de alerta: é preciso atuar de forma regionalizada e estratégica, investindo em qualificação profissional, inclusão produtiva, estímulo ao microcrédito e atração de empresas, sobretudo nas áreas mais vulneráveis.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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