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Desenrola 2 alcança só 25% dos inadimplentes e reacende debate

Ministério da Fazenda admite ausência de estudo técnico consolidado para o Desenrola 2; programa pode alcançar 20 milhões de brasileiros.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
Desenrola 2 alcança só 25% dos inadimplentes e reacende debate

O Governo Federal lançou o Desenrola 2 como uma das principais apostas para reduzir a inadimplência no Brasil, mas a iniciativa já enfrenta críticas por ter sido estruturada sem um estudo técnico consolidado que justificasse suas regras e abrangência. Em resposta a questionamentos da imprensa, o Ministério da Fazenda reconheceu que não produziu um documento único para fundamentar os critérios do programa.

A nova versão do programa de renegociação de dívidas mira consumidores com débitos bancários em atraso e promete alcançar milhões de brasileiros negativados. Ainda assim, especialistas questionam a ausência de análises técnicas detalhadas e alertam para possíveis limitações da medida.

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Fazenda admite ausência de estudo técnico do Desenrola 2

O Ministério da Fazenda informou que o Desenrola 2 foi elaborado com base em avaliações internas do governo e conversas com representantes do setor financeiro. Segundo a pasta, foram considerados dados públicos sobre inadimplência e os recursos disponíveis para financiar a política.

A resposta veio após questionamentos sobre os critérios adotados pelo programa Desenrola, especialmente a decisão de contemplar dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 90 dias e dois anos.

Na prática, o governo confirmou que não existe um estudo técnico consolidado que possa ser compartilhado para justificar oficialmente esses parâmetros.

O tema ganhou repercussão porque o Desenrola 2 se tornou uma das principais vitrines econômicas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tentativa de reduzir o alto nível de endividamento das famílias brasileiras.

Programa pode atingir apenas parte dos inadimplentes

Dados recentes da Serasa apontam que o Brasil possui cerca de 82 milhões de consumidores endividados. Apesar disso, as estimativas do governo indicam que aproximadamente 20 milhões de pessoas poderão ser atendidas pelo Desenrola 2.

Isso representa cerca de um quarto do total de inadimplentes do país.

A limitação ocorre porque o programa possui regras específicas e não contempla todos os tipos de dívida existentes no mercado. O foco principal está em débitos bancários e financeiros.

Entre as modalidades incluídas estão:

Já dívidas tributárias, contas públicas e outros débitos com o governo ficaram fora da iniciativa.

Especialistas criticam improviso em políticas públicas

A ausência de um estudo técnico detalhado gerou críticas de especialistas em gestão pública e economia. O cientista político Sérgio Praça afirmou que é preocupante uma política pública de grande impacto social ser estruturada sem análises técnicas robustas.

Segundo ele, medidas dessa dimensão deveriam apresentar projeções claras sobre alcance, custos, riscos e resultados esperados.

O debate ganhou força porque essa não seria a primeira política recente do governo lançada sem documentação técnica aprofundada.

Pé-de-Meia também foi alvo de questionamentos

O programa Ministério da Educação Pé-de-Meia, criado para incentivar a permanência de estudantes no ensino médio, também enfrentou críticas semelhantes.

Com custo estimado em bilhões de reais, a iniciativa foi baseada principalmente em dados antigos e estudos limitados, segundo avaliações feitas por especialistas e parlamentares.

Na época do lançamento, o governo citou estimativas de retorno econômico para justificar o programa, mas parte dos estudos mencionados não chegou a ser divulgada oficialmente.

A situação levantou discussões sobre transparência e planejamento técnico em políticas públicas financiadas com recursos federais.

Como funciona o Desenrola 2

O Desenrola 2 foi estruturado para facilitar a renegociação de dívidas bancárias e permitir que consumidores negativados possam recuperar crédito no mercado.

As regras incluem:

Dívidas contempladas

O programa abrange dívidas:

  • Contraídas até 31 de janeiro de 2026;
  • Com atraso entre 90 dias e dois anos;
  • Ligadas a instituições financeiras participantes.

Desnegativação de dívidas pequenas

O Ministério da Fazenda também esclareceu que o programa não prevê perdão automático de dívidas de até R$ 100.

Na verdade, a medida prevê apenas a retirada da negativação em determinados casos para permitir a participação do consumidor no programa de renegociação.

Isso significa que a dívida continua existindo e poderá ser cobrada posteriormente.

Governo exclui dívidas tributárias do programa

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Um dos pontos que mais chamaram atenção foi a decisão de deixar de fora as dívidas tributárias e débitos com o poder público.

Segundo o Ministério da Fazenda, a escolha ocorreu porque o governo decidiu priorizar dívidas que não envolvessem subsídios ou recursos públicos diretamente.

Por outro lado, especialistas apontam uma contradição: o programa utiliza dinheiro público por meio do Fundo Garantidor de Operações (FGO), abastecido pelo Tesouro Nacional.

Fundo garantidor pode receber bilhões

O governo autorizou inicialmente o uso de R$ 2 bilhões do Fundo Garantidor de Operações no Desenrola 2.

Além disso, integrantes da equipe econômica avaliam ampliar esse valor em até R$ 5 bilhões adicionais.

Na prática, o fundo funciona como uma garantia para reduzir riscos das operações financeiras realizadas pelas instituições participantes.

A estratégia busca estimular bancos a oferecer condições de renegociação consideradas mais acessíveis para consumidores inadimplentes.

Bancos públicos continuarão seguindo juros de mercado

Outro questionamento direcionado ao Ministério da Fazenda envolveu os juros cobrados por bancos públicos, especialmente a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

Em algumas modalidades de crédito, as taxas praticadas pelas instituições públicas são semelhantes — e em certos casos até superiores — às cobradas por bancos privados.

A pasta informou que não pretende intervir diretamente na definição dessas taxas.

Segundo o governo, bancos públicos seguem as mesmas regras do sistema financeiro nacional e precisam respeitar critérios de mercado, além de normas regulatórias.

O Ministério da Fazenda também argumentou que intervenções artificiais nos juros poderiam gerar impactos negativos sobre a concorrência no sistema bancário.

Desenrola 2 reacende debate sobre planejamento econômico

O lançamento do Desenrola 2 amplia o debate sobre a necessidade de políticas públicas sustentadas por estudos técnicos detalhados, especialmente em programas que envolvem bilhões de reais e atingem milhões de brasileiros.

Enquanto o governo defende a urgência de criar alternativas para reduzir a inadimplência e estimular a economia, críticos apontam que a falta de planejamento documentado pode dificultar a avaliação dos resultados e da eficiência da medida no longo prazo.

Com milhões de famílias enfrentando dificuldades financeiras, o sucesso do programa dependerá não apenas da adesão dos bancos, mas também da capacidade de oferecer condições realmente viáveis para que os consumidores consigam renegociar suas dívidas e voltar ao mercado de crédito.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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