Milhões de brasileiros que mantêm suas contas em dia podem ser beneficiados por uma nova iniciativa do governo federal voltada à redução do custo das dívidas. O chamado Desenrola Adimplentes pretende criar alternativas para consumidores e empresas que não estão negativados, mas enfrentam dificuldades por causa de juros elevados em modalidades de crédito.
Governo lança Desenrola Adimplentes para quem mantém as contas em dia
Novo programa do governo pretende reduzir juros de dívidas para brasileiros que pagam em dia. Entenda quem pode participar.
A proposta surge como uma nova etapa das medidas de renegociação financeira, ampliando o foco para um grupo que normalmente fica fora dos programas tradicionais: pessoas que conseguem pagar suas obrigações, mas acabam comprometendo grande parte da renda com taxas consideradas altas.
O anúncio das novas medidas será feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, em cerimônia no Palácio do Planalto.
A expectativa é que o programa permita substituir dívidas caras por operações com juros menores, utilizando mecanismos de garantia para facilitar o acesso ao crédito mais barato.
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O que é o Desenrola Adimplentes?
O Desenrola Adimplentes é uma proposta do governo federal voltada para consumidores que não possuem o nome negativado, mas possuem contratos de crédito com custos elevados.
A ideia é diferente do programa tradicional de renegociação de dívidas, que teve como principal objetivo atender pessoas inadimplentes.
Agora, o foco está em quem continua pagando as parcelas, mas enfrenta dificuldades por causa de juros altos em produtos financeiros como:
- cartão de crédito;
- cheque especial;
- empréstimos pessoais;
- outras linhas de crédito com taxas elevadas.
Na prática, o programa busca oferecer uma alternativa para trocar uma dívida cara por uma dívida com condições mais favoráveis.
Como deve funcionar a redução dos juros?
A proposta prevê uma operação semelhante à portabilidade ou substituição de crédito.
O consumidor poderá migrar uma dívida com juros elevados para uma nova modalidade com custo menor.
O funcionamento deve envolver:
- identificação de contratos com taxas altas;
- contratação de uma nova operação de crédito;
- pagamento da dívida anterior;
- continuidade do pagamento em condições mais acessíveis.
A operação será viabilizada com apoio do FGO (Fundo Garantidor de Operações), mecanismo usado para ampliar a segurança das instituições financeiras e facilitar a concessão de crédito.
Quem poderá ser beneficiado pelo programa?
O público principal são brasileiros que:
- estão pagando suas dívidas em dia;
- não possuem restrição no CPF;
- utilizam linhas de crédito com juros elevados;
- têm dificuldade de equilibrar o orçamento por causa do custo financeiro.
Um exemplo comum é o trabalhador que utiliza frequentemente o cartão de crédito ou precisa recorrer ao crédito pessoal para complementar a renda, mesmo mantendo os pagamentos em dia.
Nesse caso, a pessoa não aparece nos cadastros de inadimplência, mas pode estar presa a uma dívida cara.
Governo também mira trabalhadores informais
Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo estudava uma nova rodada do Desenrola voltada para pessoas físicas e empresas.
Segundo ele, um dos públicos considerados importantes são trabalhadores informais, que muitas vezes não possuem renda fixa mensal e acabam pagando juros mais altos por terem menos acesso a crédito tradicional.
Esse grupo inclui pessoas que trabalham por conta própria, fazem atividades temporárias ou possuem renda variável.
Brasil tem milhões de consumidores endividados
A criação de novas medidas ocorre em um cenário de forte endividamento das famílias brasileiras.
Dados divulgados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil indicam que o país chegou a cerca de 75 milhões de consumidores negativados.
O número representa aproximadamente 44,8% da população adulta.
Entre os devedores, a maior concentração está entre pessoas de 30 a 39 anos, faixa que reúne milhões de brasileiros em fase de maior participação no mercado de trabalho e com maior volume de compromissos financeiros.
A distribuição por gênero também mostra diferença: mulheres representam pouco mais da metade dos consumidores negativados.
Por que os juros são um problema para os brasileiros?
Mesmo quando o consumidor consegue pagar suas contas, os juros podem dificultar a organização financeira.
Algumas modalidades possuem custos elevados, principalmente quando utilizadas de forma recorrente.
Entre as principais preocupações estão:
Cartão de crédito
O cartão oferece facilidade de pagamento, mas pode se tornar caro quando o consumidor entra no parcelamento da fatura ou no crédito rotativo.
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Apesar de ser uma alternativa rápida para emergências, possui histórico de taxas elevadas.
Crédito pessoal
Pode ajudar em momentos de necessidade, mas o custo final depende do perfil do cliente e das condições contratadas.
O objetivo do programa é justamente reduzir esse peso financeiro para quem já demonstra compromisso com os pagamentos.
Qual a diferença entre o Desenrola tradicional e o novo programa?
A principal diferença está no público atendido.
O programa tradicional foi direcionado principalmente para pessoas negativadas, oferecendo oportunidades de negociação e descontos para regularização do CPF.
Já o Desenrola Adimplentes pretende alcançar consumidores que:
- não estão inadimplentes;
- continuam pagando suas parcelas;
- precisam de crédito mais barato.
A proposta amplia o debate sobre endividamento, mostrando que o problema não está apenas em deixar de pagar, mas também no custo elevado do dinheiro.
O programa já está valendo?
Ainda não.
As medidas dependem da regulamentação e dos detalhes oficiais apresentados pelo governo.
Informações como critérios de participação, limites de valores, bancos envolvidos e regras específicas devem ser divulgadas após o anúncio do pacote.
Por isso, consumidores interessados devem acompanhar apenas os canais oficiais para evitar golpes.
Cuidados antes de contratar uma nova dívida

Mesmo com programas de redução de juros, especialistas recomendam atenção antes de assumir novos compromissos.
Alguns cuidados importantes:
- comparar o custo total do crédito;
- verificar o valor das parcelas;
- analisar se a nova dívida realmente reduz o gasto mensal;
- evitar contratar empréstimos sem necessidade.
Trocar uma dívida cara por outra mais barata pode ajudar no orçamento, mas exige planejamento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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