O Desenrola Brasil 2.0 trouxe novas condições para brasileiros que enfrentam dívidas em atraso. A iniciativa permite renegociar determinados débitos com descontos que podem chegar a 90%, além de oferecer juros reduzidos e, em situações previstas nas regras, a possibilidade de utilizar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater o valor devido.
O programa contempla principalmente pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos, mas também possui frentes específicas para estudantes, pequenos negócios e produtores rurais.
A Medida Provisória nº 1.355/2026, que criou a nova fase, teve sua vigência prorrogada por 60 dias. Com isso, o prazo previsto para a medida passou a ser 14 de setembro de 2026.
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O que é o Desenrola Brasil 2.0?

O Novo Desenrola Brasil é uma iniciativa do governo federal para facilitar a renegociação de determinadas dívidas. A proposta busca permitir que consumidores inadimplentes troquem débitos em atraso por condições de pagamento mais favoráveis.
No caso do chamado Desenrola Famílias, podem ser contempladas pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos que tenham contratos de crédito elegíveis firmados até 31 de janeiro de 2026.
Também é necessário que as parcelas estejam atrasadas dentro do período estabelecido pelas regras do programa.
Entre as dívidas que podem entrar na renegociação estão operações de:
- cartão de crédito;
- cheque especial;
- crédito pessoal não consignado.
A simples existência de uma dívida ou negativação, porém, não garante a participação. O contrato precisa cumprir os critérios estabelecidos e a instituição financeira precisa participar da iniciativa.
Quem pode participar do Desenrola Brasil 2.0?
Para o Desenrola Famílias, o consumidor precisa atender aos requisitos previstos na medida provisória.
Entre os principais critérios estão:
- ter renda mensal de até cinco salários mínimos;
- possuir uma operação de crédito contratada até 31 de janeiro de 2026;
- ter parcelas em atraso pelo período determinado nas regras;
- possuir uma dívida enquadrada nas modalidades contempladas;
- negociar com uma instituição financeira participante.
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621. Dessa forma, cinco salários mínimos correspondem a R$ 8.105.
É fundamental observar que a renda, sozinha, não garante o acesso ao programa. Todos os demais requisitos precisam ser cumpridos.
Quais dívidas podem ser renegociadas?
O Desenrola Famílias concentra-se principalmente em modalidades de crédito bancário que costumam apresentar custos elevados para consumidores inadimplentes.
Entre as operações previstas estão dívidas relacionadas ao cartão de crédito, ao cheque especial e ao crédito pessoal sem consignação.
O programa também permite, de acordo com as condições estabelecidas, a substituição da dívida existente por uma nova operação destinada à sua reestruturação.
Por isso, quem possui financiamento imobiliário, empréstimo consignado ou outro tipo de contrato que não aparece entre as modalidades elegíveis não deve presumir que a dívida será incluída automaticamente.
A confirmação precisa ser feita com o banco responsável pelo contrato.
De quanto pode ser o desconto?
Os descontos podem chegar a 90% do valor da dívida, mas esse percentual não é aplicado igualmente para todos os consumidores.
O abatimento depende de fatores como a modalidade do crédito, o período de atraso e as condições da renegociação oferecida pela instituição financeira.
Isso significa que duas pessoas com dívidas diferentes podem receber propostas completamente distintas.
Por essa razão, o consumidor deve analisar a oferta apresentada pelo banco antes de aceitar o acordo.
Quais são os juros e o prazo?
Nas operações enquadradas nas regras do novo programa, a taxa de juros pode ser limitada a 1,99% ao mês, conforme a modalidade de renegociação.
O prazo pode chegar a 48 meses para as operações do Desenrola Famílias.
A quantidade de parcelas, entretanto, não deve ser analisada isoladamente. Uma prestação menor pode facilitar o pagamento mensal, mas um prazo maior pode aumentar o custo total da operação.
O ideal é comparar o valor final que será desembolsado antes de fechar o acordo.
Posso usar o FGTS para pagar a dívida?
Uma das novidades do Desenrola Brasil 2.0 é a possibilidade de utilização de parte do saldo do FGTS para amortizar ou quitar determinadas dívidas elegíveis.
O trabalhador precisa autorizar a consulta ao saldo disponível e cumprir as condições estabelecidas para utilizar o recurso.
O dinheiro é direcionado para a operação de renegociação, reduzindo o valor que permanecerá financiado.
A utilização do FGTS, porém, exige cautela. O trabalhador deve avaliar se vale a pena retirar recursos que poderiam ser utilizados em outras situações previstas na legislação trabalhista.
Como participar do Desenrola Brasil 2.0?
O programa não funciona como um cadastro único em que o consumidor entra e recebe automaticamente uma proposta.
A negociação ocorre por meio das instituições financeiras participantes.
O consumidor deve procurar o banco ou instituição responsável pela dívida e verificar se existe uma oferta dentro das condições do Desenrola.
O processo, em geral, envolve:
- verificar se a dívida atende aos critérios;
- procurar o banco credor;
- consultar a proposta de renegociação;
- conferir desconto, juros e número de parcelas;
- analisar o custo total;
- formalizar o acordo caso as condições sejam adequadas.
Quem pretende utilizar o FGTS também deverá seguir os procedimentos específicos para autorizar a consulta e utilização do saldo.
O governo oferece uma plataforma única para renegociar?
Não.
Essa é uma diferença importante em relação à percepção que alguns consumidores podem ter sobre o programa.
A renegociação é realizada diretamente com os bancos e instituições financeiras participantes. Por isso, não é necessário procurar intermediários que prometam liberar descontos mediante pagamento.
O consumidor deve utilizar os canais oficiais do banco onde a dívida está registrada.
Estudantes também podem renegociar dívidas?
Sim. O novo programa também contempla condições específicas para contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Dependendo da situação do contrato e do perfil do estudante, os descontos podem ser bastante elevados.
Para determinados estudantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), o abatimento pode chegar a 99% do valor consolidado da dívida, de acordo com as regras específicas.
Para estudantes que não estão inscritos no CadÚnico, há condições próprias, com descontos que podem chegar a 77% em determinadas situações.
As regras do Fies são diferentes das aplicadas ao Desenrola Famílias.
Pequenas empresas também estão incluídas?
O Novo Desenrola Brasil também possui medidas destinadas a outros grupos.
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Entre elas está o Desenrola Empresas, voltado à renegociação de determinadas dívidas de micro e pequenas empresas.
Há ainda medidas direcionadas ao setor rural, incluindo agricultores familiares que precisam regularizar débitos.
Cada frente possui regras próprias de participação, prazos e condições. Portanto, não é possível aplicar automaticamente as regras do Desenrola Famílias a empresas ou produtores rurais.
Até quando o Desenrola Brasil 2.0 vai funcionar?
A Medida Provisória nº 1.355/2026 foi publicada em maio e teve sua vigência prorrogada por mais 60 dias.
Com a prorrogação, o prazo indicado para a vigência da medida passou para 14 de setembro de 2026.
Como se trata de uma medida provisória, o Congresso Nacional ainda pode alterar, aprovar ou rejeitar o texto durante sua tramitação.
Por isso, consumidores interessados devem acompanhar as informações oficiais para verificar eventuais mudanças nas regras ou nos prazos.
Cuidado com golpes envolvendo o programa
A divulgação de programas de renegociação costuma ser acompanhada pelo surgimento de páginas falsas e mensagens fraudulentas.
Golpistas podem utilizar o nome do Desenrola Brasil para solicitar dados pessoais, informações bancárias ou pagamentos antecipados.
O consumidor deve desconfiar de mensagens que prometem desconto garantido, exigem pagamento para liberar a negociação ou direcionam para páginas desconhecidas.
Também não é necessário contratar uma pessoa ou empresa para fazer a renegociação em nome do consumidor.
A orientação mais segura é procurar diretamente o banco credor e consultar os canais oficiais do governo.
Como saber se a renegociação realmente vale a pena?
O desconto anunciado não deve ser o único fator analisado.
Antes de aceitar uma proposta, o consumidor precisa verificar:
- valor original da dívida;
- valor efetivamente descontado;
- taxa de juros;
- quantidade de parcelas;
- valor de cada prestação;
- custo total da nova operação;
- possibilidade de pagar à vista;
- impacto da parcela no orçamento mensal.
Um desconto elevado pode parecer vantajoso, mas uma renegociação que resulte em uma parcela incompatível com a renda pode levar novamente à inadimplência.
A melhor proposta é aquela que, além de reduzir o custo da dívida, permite que o consumidor consiga manter os pagamentos até o fim.
O que muda para quem está endividado?

Na prática, o Desenrola Brasil 2.0 cria uma possibilidade adicional para consumidores que possuem determinadas dívidas em atraso.
Em vez de continuar acumulando encargos, o consumidor elegível pode encontrar uma alternativa para reorganizar o débito, com desconto e condições de pagamento definidas dentro das regras do programa.
O uso do FGTS também pode reduzir o saldo da operação em casos permitidos.
Ainda assim, a renegociação não significa que a dívida desaparece. O consumidor precisa avaliar cuidadosamente o novo contrato e garantir que terá condições de cumprir o acordo.
Conclusão
O Desenrola Brasil 2.0 amplia as alternativas para consumidores que enfrentam determinadas dívidas em atraso. Entre as principais condições estão descontos que podem chegar a 90%, juros reduzidos e, para operações elegíveis, a possibilidade de utilizar parte do FGTS.
A iniciativa também contempla condições específicas para estudantes do Fies, micro e pequenas empresas e produtores rurais.
Para quem pretende renegociar, o primeiro passo é verificar se a dívida atende aos critérios e procurar diretamente a instituição financeira. Antes de aceitar qualquer proposta, é essencial comparar o valor das parcelas e, principalmente, o custo total da nova dívida.
Também é preciso ficar atento a golpes. O consumidor não deve pagar intermediários nem fornecer informações pessoais em links recebidos de fontes desconhecidas.



