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Desenrola deve ampliar alcance para renda acima de 5 salários mínimos

Governo prepara nova fase do Desenrola com medidas para brasileiros que ganham acima de 5 salários mínimos e enfrentam dívidas.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
desenrola

O governo federal prepara uma nova etapa do Desenrola Brasil que pode ampliar o alcance do programa para brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos.

A sinalização foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, ao comentar os próximos passos do chamado Desenrola 2.0. Segundo ele, a equipe econômica trabalha em novas medidas para atingir públicos que ficaram fora da primeira fase do programa.

A expectativa é que a nova tranche seja anunciada até junho de 2026, embora o formato final ainda dependa da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A possível ampliação do programa acontece em meio ao aumento histórico do endividamento das famílias brasileiras e ao crescimento da inadimplência em diversas linhas de crédito.

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Governo quer ampliar alcance do Desenrola

Inicialmente, o Desenrola Brasil foi direcionado principalmente para consumidores negativados com renda mensal de até cinco salários mínimos.

Agora, o governo avalia novos formatos para atingir uma parcela maior da população.

Segundo Rogério Ceron, o objetivo é criar soluções que contemplem diferentes perfis de endividados.

Faixa de renda pode mudar

De acordo com o secretário, as novas medidas não necessariamente seguirão o mesmo limite de renda adotado anteriormente.

Isso significa que o novo modelo poderá:

  • ampliar a faixa salarial;
  • criar regras específicas para determinados públicos;
  • ou adotar critérios diferentes conforme o tipo de dívida.

A ideia, segundo a equipe econômica, é construir uma política pública mais ampla e estrutural.

Nova fase deve sair até junho

O governo trabalha para lançar a nova etapa do programa nas próximas semanas.

Ainda não há definição sobre:

  • quantidade de medidas;
  • novos públicos atendidos;
  • linhas de crédito envolvidas;
  • regras finais de adesão.

Também existe a possibilidade de os anúncios acontecerem gradualmente, conforme as negociações avancem.

Endividamento das famílias bate recorde

A discussão sobre a ampliação do Desenrola acontece em um momento delicado para a economia doméstica brasileira.

Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que o endividamento das famílias atingiu níveis recordes em 2026.

O crescimento das dívidas é impulsionado principalmente por:

Governo mira dívidas mais problemáticas

Segundo integrantes da equipe econômica, um dos focos da nova fase é atacar modalidades consideradas mais nocivas para o orçamento das famílias.

Entre elas estão:

  • cartão consignado do INSS;
  • cartão consignado para servidores;
  • linhas de crédito com juros elevados;
  • modalidades de curto prazo.

O governo considera que essas operações contribuíram para o aumento do superendividamento nos últimos anos.

Bancos também têm interesse na renegociação

O Ministério da Fazenda afirma que os bancos possuem interesse direto no avanço do programa.

Isso porque o crescimento da inadimplência pressiona os balanços financeiros das instituições.

Segundo Ceron, a utilização do Fundo de Garantia de Operações (FGO) permite ampliar descontos oferecidos aos consumidores.

Na prática:

  • o banco reduz perdas;
  • o cliente consegue abatimentos maiores;
  • o risco da operação diminui.

Governo promete fiscalização dos descontos

O Ministério da Fazenda afirma que acompanhará de perto o cumprimento das regras pelas instituições financeiras.

Os bancos só poderão registrar operações no FGO caso respeitem os descontos mínimos definidos pelo programa.

O objetivo é evitar renegociações consideradas abusivas ou pouco vantajosas para os consumidores.

Desenrola tenta evitar novo ciclo de inadimplência

Uma das preocupações do governo é impedir que o programa estimule novos ciclos de endividamento.

Segundo Ceron, a nova versão do Desenrola busca atacar problemas estruturais do mercado de crédito brasileiro.

Entre os fatores apontados estão:

  • excesso de oferta de crédito;
  • juros elevados;
  • facilidade de contratação digital;
  • crescimento das apostas online;
  • expansão acelerada da bancarização.

Dívidas antigas do primeiro Desenrola ficam de fora

O governo informou que débitos renegociados na edição anterior não serão elegíveis nesta nova etapa.

A intenção é focar em consumidores que passaram recentemente a enfrentar dificuldades financeiras.

Juros altos seguem como preocupação

Mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic, integrantes da equipe econômica reconhecem que o crédito continuará caro em diversas modalidades.

Linhas voltadas ao consumo costumam manter juros elevados mesmo em cenários de redução dos juros básicos da economia.

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Isso acontece principalmente em operações como:

  • rotativo do cartão;
  • cheque especial;
  • crédito pessoal emergencial.

Governo estuda crédito mais barato

Além das renegociações, o Ministério da Fazenda também avalia criar linhas de crédito com custos mais baixos.

O desafio, segundo o governo, é oferecer crédito acessível sem estimular novo superendividamento.

A proposta envolve:

  • taxas menores;
  • uso de garantias;
  • controle do risco;
  • foco em reorganização financeira.

Crédito para geração de renda ganha espaço

Outra frente discutida pelo governo envolve financiamentos voltados para trabalho e geração de renda.

Entre os grupos avaliados estão:

  • caminhoneiros;
  • taxistas;
  • motoristas de aplicativo.

A lógica é diferente do crédito para consumo.

Nesse caso, o objetivo seria facilitar aquisição de veículos e ferramentas de trabalho que possam aumentar renda dos profissionais.

Governo reservou bilhões para o programa

O governo já separou cerca de R$ 15 bilhões em garantias via FGO para operações ligadas ao Desenrola.

Os recursos também poderão atender:

  • Pronampe;
  • Procred;
  • programas de crédito produtivo.

Segundo a Fazenda, existe potencial para renegociar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas elegíveis.

Especialistas defendem educação financeira

Embora programas de renegociação aliviem a pressão imediata das dívidas, especialistas alertam que o problema do endividamento não se resolve apenas com descontos.

Planejamento financeiro, controle de gastos e uso consciente do crédito continuam sendo fundamentais.

Sem mudanças no comportamento financeiro, muitos consumidores acabam voltando rapidamente à inadimplência mesmo após renegociar as dívidas.

Nova etapa pode ampliar impacto do Desenrola

A possível inclusão de brasileiros com renda acima de cinco salários mínimos pode transformar o Desenrola em uma política ainda mais abrangente.

A medida pode beneficiar consumidores que, apesar de terem renda maior, também enfrentam dificuldades causadas pelos juros altos e pelo aumento do custo de vida.

Enquanto o governo finaliza os detalhes da nova fase, milhões de brasileiros acompanham a expectativa de novas condições para renegociação de dívidas e acesso a crédito mais barato.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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