O governo federal prepara uma nova etapa do Desenrola Brasil que pode ampliar o alcance do programa para brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos.
Desenrola deve ampliar alcance para renda acima de 5 salários mínimos
Governo prepara nova fase do Desenrola com medidas para brasileiros que ganham acima de 5 salários mínimos e enfrentam dívidas.
A sinalização foi feita pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, ao comentar os próximos passos do chamado Desenrola 2.0. Segundo ele, a equipe econômica trabalha em novas medidas para atingir públicos que ficaram fora da primeira fase do programa.
A expectativa é que a nova tranche seja anunciada até junho de 2026, embora o formato final ainda dependa da aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A possível ampliação do programa acontece em meio ao aumento histórico do endividamento das famílias brasileiras e ao crescimento da inadimplência em diversas linhas de crédito.
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Governo quer ampliar alcance do Desenrola
Inicialmente, o Desenrola Brasil foi direcionado principalmente para consumidores negativados com renda mensal de até cinco salários mínimos.
Agora, o governo avalia novos formatos para atingir uma parcela maior da população.
Segundo Rogério Ceron, o objetivo é criar soluções que contemplem diferentes perfis de endividados.
Faixa de renda pode mudar
De acordo com o secretário, as novas medidas não necessariamente seguirão o mesmo limite de renda adotado anteriormente.
Isso significa que o novo modelo poderá:
- ampliar a faixa salarial;
- criar regras específicas para determinados públicos;
- ou adotar critérios diferentes conforme o tipo de dívida.
A ideia, segundo a equipe econômica, é construir uma política pública mais ampla e estrutural.
Nova fase deve sair até junho
O governo trabalha para lançar a nova etapa do programa nas próximas semanas.
Ainda não há definição sobre:
- quantidade de medidas;
- novos públicos atendidos;
- linhas de crédito envolvidas;
- regras finais de adesão.
Também existe a possibilidade de os anúncios acontecerem gradualmente, conforme as negociações avancem.
Endividamento das famílias bate recorde
A discussão sobre a ampliação do Desenrola acontece em um momento delicado para a economia doméstica brasileira.
Dados recentes da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que o endividamento das famílias atingiu níveis recordes em 2026.
O crescimento das dívidas é impulsionado principalmente por:
- cartão de crédito;
- cheque especial;
- crédito pessoal;
- financiamentos;
- apostas online;
- empréstimos consignados.
Governo mira dívidas mais problemáticas
Segundo integrantes da equipe econômica, um dos focos da nova fase é atacar modalidades consideradas mais nocivas para o orçamento das famílias.
Entre elas estão:
- cartão consignado do INSS;
- cartão consignado para servidores;
- linhas de crédito com juros elevados;
- modalidades de curto prazo.
O governo considera que essas operações contribuíram para o aumento do superendividamento nos últimos anos.
Bancos também têm interesse na renegociação
O Ministério da Fazenda afirma que os bancos possuem interesse direto no avanço do programa.
Isso porque o crescimento da inadimplência pressiona os balanços financeiros das instituições.
Segundo Ceron, a utilização do Fundo de Garantia de Operações (FGO) permite ampliar descontos oferecidos aos consumidores.
Na prática:
- o banco reduz perdas;
- o cliente consegue abatimentos maiores;
- o risco da operação diminui.
Governo promete fiscalização dos descontos
O Ministério da Fazenda afirma que acompanhará de perto o cumprimento das regras pelas instituições financeiras.
Os bancos só poderão registrar operações no FGO caso respeitem os descontos mínimos definidos pelo programa.
O objetivo é evitar renegociações consideradas abusivas ou pouco vantajosas para os consumidores.
Desenrola tenta evitar novo ciclo de inadimplência
Uma das preocupações do governo é impedir que o programa estimule novos ciclos de endividamento.
Segundo Ceron, a nova versão do Desenrola busca atacar problemas estruturais do mercado de crédito brasileiro.
Entre os fatores apontados estão:
- excesso de oferta de crédito;
- juros elevados;
- facilidade de contratação digital;
- crescimento das apostas online;
- expansão acelerada da bancarização.
Dívidas antigas do primeiro Desenrola ficam de fora
O governo informou que débitos renegociados na edição anterior não serão elegíveis nesta nova etapa.
A intenção é focar em consumidores que passaram recentemente a enfrentar dificuldades financeiras.
Juros altos seguem como preocupação
Mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic, integrantes da equipe econômica reconhecem que o crédito continuará caro em diversas modalidades.
Linhas voltadas ao consumo costumam manter juros elevados mesmo em cenários de redução dos juros básicos da economia.
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Isso acontece principalmente em operações como:
- rotativo do cartão;
- cheque especial;
- crédito pessoal emergencial.
Governo estuda crédito mais barato
Além das renegociações, o Ministério da Fazenda também avalia criar linhas de crédito com custos mais baixos.
O desafio, segundo o governo, é oferecer crédito acessível sem estimular novo superendividamento.
A proposta envolve:
- taxas menores;
- uso de garantias;
- controle do risco;
- foco em reorganização financeira.
Crédito para geração de renda ganha espaço
Outra frente discutida pelo governo envolve financiamentos voltados para trabalho e geração de renda.
Entre os grupos avaliados estão:
- caminhoneiros;
- taxistas;
- motoristas de aplicativo.
A lógica é diferente do crédito para consumo.
Nesse caso, o objetivo seria facilitar aquisição de veículos e ferramentas de trabalho que possam aumentar renda dos profissionais.
Governo reservou bilhões para o programa
O governo já separou cerca de R$ 15 bilhões em garantias via FGO para operações ligadas ao Desenrola.
Os recursos também poderão atender:
- Pronampe;
- Procred;
- programas de crédito produtivo.
Segundo a Fazenda, existe potencial para renegociar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas elegíveis.
Especialistas defendem educação financeira
Embora programas de renegociação aliviem a pressão imediata das dívidas, especialistas alertam que o problema do endividamento não se resolve apenas com descontos.
Planejamento financeiro, controle de gastos e uso consciente do crédito continuam sendo fundamentais.
Sem mudanças no comportamento financeiro, muitos consumidores acabam voltando rapidamente à inadimplência mesmo após renegociar as dívidas.
Nova etapa pode ampliar impacto do Desenrola
A possível inclusão de brasileiros com renda acima de cinco salários mínimos pode transformar o Desenrola em uma política ainda mais abrangente.
A medida pode beneficiar consumidores que, apesar de terem renda maior, também enfrentam dificuldades causadas pelos juros altos e pelo aumento do custo de vida.
Enquanto o governo finaliza os detalhes da nova fase, milhões de brasileiros acompanham a expectativa de novas condições para renegociação de dívidas e acesso a crédito mais barato.
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