O Dia das Crianças 2025 é celebrado em 12 de outubro, e além de ser um momento de diversão e presentes, pode se tornar uma oportunidade para ensinar conceitos de finanças às crianças. Datas comemorativas que despertam o desejo por brinquedos e doces são ideais para introduzir conceitos de consumo consciente de forma natural, transformando momentos de lazer em aprendizado.
Dia das Crianças: saiba como ensinar finanças aos filhos
Aprenda como ensinar finanças aos filhos no Dia das Crianças 2025, com dicas práticas, lúdicas e adequadas à idade.
Criada no Brasil há cerca de 100 anos, a data tinha inicialmente o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a proteção da infância. Nos anos 1960, porém, começou a ganhar um caráter mais comercial, consolidando-se como a terceira data mais importante para o comércio brasileiro. Hoje, o desafio para os pais é equilibrar o desejo de presentear com o ensino sobre o valor do dinheiro.
Segundo pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), o valor médio gasto com presentes do Dia das Crianças em 2025 deve variar entre R$ 110 e R$ 220 em grandes capitais como o Rio.
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O impacto do consumo na infância

A exposição constante à publicidade e às redes sociais dificulta a tarefa dos pais de evitar o consumo excessivo. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com a Opinion Box, mostra que 65% dos pais acreditam que seus filhos são influenciados pelas redes sociais, enquanto 38% das crianças já possuem contas próprias nessas plataformas.
Especialistas afirmam que as crianças jamais deveriam ser alvo direto de publicidade. Programas como o Criança e Consumo, do Instituto Alana, trabalham para reduzir a pressão consumista sobre os pequenos. No entanto, produtos licenciados com personagens infantis ainda dominam o mercado.
Em 2017, a Associação Brasileira de Licenciamentos (Abral) indicava que 80% dos artigos licenciados no país eram destinados ao público infantil. Itens com personagens favoritos, como iogurtes, biscoitos e snacks, incentivam o desejo por consumo, tornando ainda mais importante a orientação dos pais.
A importância do diálogo e do exemplo
O principal recurso dos pais diante desse cenário é o diálogo constante e o exemplo. Ana Alves, economista, educadora financeira e mãe, destaca que ensinar a diferença entre desejo e necessidade desde cedo é essencial para a formação de consumidores conscientes.
“Ensinar a criança a desejar com consciência é o primeiro passo para formar adultos que não confundem felicidade com consumo”, afirma Ana.
Segundo a especialista, a educação financeira pode começar assim que a criança entende o conceito de “não”. Nessa fase, os pais podem explicar de onde vem o dinheiro, o valor do trabalho e a importância de cuidar de brinquedos e objetos pessoais. Conforme a criança cresce, é possível introduzir conceitos de poupança e investimentos de forma gradual.
“O primeiro ensinamento sempre será o exemplo. Evite comentários negativos e mentiras financeiras na frente dos filhos. A educação financeira deve ser prática e coerente”, acrescenta Ana.
Quando falar sobre finanças

Os pais são os primeiros educadores financeiros dos filhos. A pesquisa da Serasa e Opinion Box aponta que mais da metade dos pais inicia o ensino financeiro antes dos oito anos. Outros dados relevantes incluem:
- 26% começaram antes dos seis anos;
- 27% iniciaram entre seis e oito anos;
- 57% incentivam o uso de conteúdos educativos digitais;
- 41% acreditam que a educação financeira deve começar nos primeiros anos do ensino fundamental.
A educação financeira não precisa ser formal nem complicada. O aprendizado pode ocorrer de maneira prática e lúdica, integrando-se ao cotidiano da criança.
Dicas práticas para ensinar finanças
Alinhe conforme a idade
O tema deve ser introduzido gradualmente. Quando a criança aprende a somar e subtrair, é possível explicar como funcionam as cédulas, o troco e os preços.
Use jogos educativos
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Jogos de tabuleiro que simulam compras e vendas são ferramentas lúdicas que ensinam finanças sem formalidade, tornando o aprendizado divertido.
Conte com a literatura
Livros educativos sobre dinheiro e consumo ajudam a criança a entender conceitos financeiros de forma natural. A leitura conjunta permite acompanhar a compreensão e tirar dúvidas.
Convide a criança para as compras
Uma ida ao mercado com orçamento definido, por exemplo R$ 100, ensina sobre planejamento, comparação de preços e escolhas conscientes, tornando o aprendizado prático e realista.
Não sobrecarregue a criança
É importante que a criança compreenda a situação financeira familiar, mas sem detalhes sobre dívidas ou problemas específicos. O objetivo é ensinar, não gerar ansiedade. Evite discutir finanças quando estiver estressado ou preocupado com dinheiro.
Educação financeira: um investimento para o futuro
O Dia das Crianças é uma oportunidade para unir diversão e aprendizado. Ensinar finanças desde cedo ajuda a formar adultos conscientes, capazes de tomar decisões equilibradas e entender que felicidade não está ligada apenas ao consumo.
Ao investir tempo em diálogo, exemplos consistentes e métodos lúdicos, os pais plantam a semente da educação financeira, preparando seus filhos para enfrentar o mundo real com autonomia e responsabilidade. Em 2025, mais do que nunca, a data pode ser celebrada com alegria e aprendizado, transformando presentes em oportunidades de ensinar valores duradouros.
Imagem: Pixel-Shot / Shutterstock

