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Tecnologia antecipa diagnóstico de retina e pode evitar perda de visão

Descubra como nova tecnologia antecipa diagnóstico da retina e ajuda a evitar a perda de visão. Saiba como funciona!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro4 min de leitura
Visão

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão revolucionando a forma como doenças oculares são diagnosticadas. Com o uso de uma técnica chamada óptica adaptativa, é possível detectar alterações microscópicas na retina antes mesmo que os primeiros sintomas visuais se manifestem.

A descoberta representa um avanço significativo para o tratamento precoce de patologias que podem causar perda total da visão.

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O que é a óptica adaptativa?

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Imagem: Freepik

Um olhar mais profundo dentro do olho humano

A óptica adaptativa é uma técnica originalmente utilizada em astronomia para corrigir distorções causadas pela atmosfera terrestre em telescópios. Adaptada para a oftalmologia, ela permite obter imagens da retina com altíssima resolução, comparável à de equipamentos de microscopia.

Como funciona?

  • Utiliza espelhos deformáveis e sensores para compensar distorções oculares.
  • Gera imagens em alta definição dos cones e bastonetes, células responsáveis pela captação da luz e formação das imagens visuais.
  • Permite visualizar danos celulares ainda invisíveis nos exames tradicionais.

Estudo com pacientes usuárias de hidroxicloroquina

Análise revela sinais de toxicidade antes de sintomas clínicos

O estudo da USP analisou 36 mulheres, sendo 18 usuárias de hidroxicloroquina — um medicamento amplamente utilizado no tratamento de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. A outra metade do grupo foi composta por mulheres saudáveis, que não faziam uso da substância.

Detalhes do estudo

  • Todas passaram por exames oftalmológicos completos.
  • Foram avaliados fatores como acuidade visual, refração ocular, comprimento axial dos olhos e dilatação pupilar.
  • As imagens por óptica adaptativa foram feitas em pontos específicos da retina, considerados sensíveis à toxicidade do medicamento.

Resultados preocupantes

Mesmo sem qualquer sinal de retinopatia nos exames convencionais, as usuárias de hidroxicloroquina apresentaram alterações significativas na densidade e espaçamento dos cones da retina. Essas alterações são indicativos iniciais de retinopatia tóxica, condição que pode evoluir para a perda irreversível da visão.

Importância do diagnóstico precoce

Lesões podem ser irreversíveis, mas são evitáveis com monitoramento

Uma das conclusões mais alarmantes do estudo é que os danos à retina podem se iniciar de forma silenciosa, sem qualquer sintoma. Sem exames específicos e sensíveis, como a óptica adaptativa, o diagnóstico tende a ser feito tardiamente, quando as lesões já são extensas e irreversíveis.

Impactos diretos na saúde ocular

  • Doenças como retinopatia induzida por medicamentos, degeneração macular e retinopatia diabética podem ser diagnosticadas precocemente.
  • A chance de preservar a visão aumenta consideravelmente.
  • A interrupção ou substituição de medicamentos tóxicos pode ser feita antes que o dano se instale.

Desafios para a adoção da nova tecnologia no Brasil

Óptica adaptativa ainda é pouco difundida no país

Apesar dos resultados promissores, o uso da óptica adaptativa em exames oftalmológicos ainda é restrito a ambientes acadêmicos e centros de pesquisa. A falta de equipamentos, profissionais capacitados e investimentos na saúde pública são entraves para sua disseminação.

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Barreiras identificadas

  • Alto custo dos equipamentos e manutenção.
  • Necessidade de treinamento específico para operar a tecnologia.
  • Ausência de protocolos padronizados para uso clínico.

Próximos passos da pesquisa

Milhões de brasileiros sofrem com condição ocular que pode causar perda da visão
Imagem: Freepik

Ampliação da base de pacientes e integração à rotina médica

A equipe de pesquisadores da USP planeja ampliar a amostragem do estudo, incluindo homens, diferentes faixas etárias e pessoas com outras doenças oftalmológicas. Além disso, há expectativa de integração da tecnologia a programas de rastreamento populacional para doenças da retina.

Objetivos futuros

  • Validar a eficácia do método em larga escala.
  • Incluir a técnica em diretrizes clínicas de prevenção à cegueira.
  • Propor parcerias com o Sistema Único de Saúde (SUS) para democratização do acesso.

Conclusão

A utilização da óptica adaptativa no diagnóstico precoce de lesões retinianas representa uma revolução no combate à cegueira evitável.

Ao permitir a identificação de danos microscópicos antes dos primeiros sintomas, essa tecnologia oferece uma janela de oportunidade valiosa para preservar a visão dos pacientes.

A ampliação do acesso a essa ferramenta pode transformar a oftalmologia preventiva no Brasil e no mundo. Com investimento e conscientização, é possível reduzir drasticamente os casos de perda irreversível da visão causados por diagnósticos tardios.

Imagem: rawpixel.com / Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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