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R$ 9,7 bilhões em dinheiro esquecido; veja se tem direito a uma parte

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · · 4 min de leitura
Dinheiro esquecido

Criado pelo Banco Central, o Sistema de Valores a Receber (SVR) permite que qualquer cidadão consulte se há quantias de dinheiro esquecido em contas bancárias inativas, consórcios finalizados, tarifas cobradas indevidamente, entre outros exemplos. A plataforma também contempla a possibilidade de consultar e solicitar valores de pessoas falecidas, mediante comprovação de herança ou representação legal.

Após quase um ano fora do ar, o sistema foi reativado em março de 2023 com novas funcionalidades, incluindo agendamento para saque e fontes adicionais de recursos. Ainda que parte dos valores tenha sido transferida ao Tesouro Nacional, o BC segue atualizando os dados, garantindo a continuidade do acesso dos cidadãos aos seus recursos.

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Quantidade de beneficiários e valores disponíveis

dinheiro esquecido
Imagem: rafapress / shutterstock.com

Milhões ainda não acessaram o sistema

Apesar da ampla divulgação, muitos brasileiros ainda não buscaram seus recursos. De acordo com os números mais recentes:

  • 30,6 milhões de pessoas já fizeram o resgate de seus valores.
  • 51,7 milhões de CPFs e CNPJs ainda não retiraram o que têm direito.
  • Em muitos casos, o beneficiário pode ter valores em faixas diferentes e, por isso, pode aparecer mais de uma vez nas estatísticas.

A divisão dos beneficiários por faixa de valor é a seguinte:

Faixa de valorQuantidade de beneficiários
Até R$ 1037,9 milhões
De R$ 10,01 a R$ 10014,4 milhões
De R$ 100,01 a R$ 1.0006 milhões
Acima de R$ 1.000,011,1 milhão

Onde está esse dinheiro esquecido?

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Os valores esquecidos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras:

  • Bancos: R$ 5,93 bilhões
  • Administradoras de consórcio: R$ 2,3 bilhões
  • Cooperativas de crédito: R$ 829,6 milhões
  • Instituições de pagamento: R$ 430,9 milhões
  • Financeiras: R$ 166,3 milhões
  • Outros (diversas categorias): R$ 31 milhões
  • Corretoras e distribuidoras: R$ 7,8 milhões

Essa diversidade mostra que o dinheiro pode estar espalhado em diversas fontes e, muitas vezes, ser fruto de tarifas indevidas ou contas esquecidas.


Como saber se você tem direito?

Passo a passo para consultar e resgatar valores no site do BC

O processo é simples e pode ser feito de forma totalmente online, com segurança e rapidez:

1. Acesse o site oficial

Entre no endereço: www.bcb.gov.br/meubc/valores-a-receber

2. Informe seus dados

Digite seu CPF ou CNPJ e a data de nascimento ou de abertura da empresa.

3. Verifique se há valores disponíveis

Caso haja saldo a receber, será possível seguir para a etapa de agendamento da retirada.

4. Faça o resgate

Você precisará acessar com conta Gov.br de nível prata ou ouro para confirmar a identidade e concluir o processo.


Quem pode solicitar valores de pessoas falecidas?

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Imagem: Brastock / shutterstock.com

Herdeiros têm direito aos valores, mediante comprovação

O SVR também permite o saque de recursos pertencentes a pessoas que já faleceram. Nesses casos, é necessário apresentar documentação que comprove o vínculo legal com o titular da conta. Os seguintes perfis podem solicitar o valor:

  • Herdeiro legal
  • Inventariante
  • Testamenteiro
  • Representante legal

O sistema pode solicitar documentos como certidão de óbito, escritura pública de inventário ou alvará judicial.


O que pode estar sendo devolvido?

Tipos de valores contemplados no SVR

Os valores esquecidos contemplam diversas situações e tipos de operações financeiras:

  • Contas corrente ou poupança encerradas com saldo disponível
  • Tarifas bancárias cobradas indevidamente
  • Parcelas de crédito não devolvidas
  • Recursos de consórcios encerrados não retirados
  • Cotas de capital de cooperativas
  • Contas de pagamento pré ou pós-paga com saldo
  • Registros em corretoras ou distribuidoras

Ou seja, há uma ampla gama de situações em que os consumidores podem ter dinheiro a receber — muitas vezes sem saber.


Destino dos recursos esquecidos e polêmica com o Tesouro Nacional

STF decidirá se valores poderão ser usados pelo governo

Uma parte dos recursos esquecidos foi transferida ao Tesouro Nacional, como forma de compensar a prorrogação da desoneração da folha de pagamento até 2027, o que gerou questionamentos judiciais. A medida, que inclui os R$ 9,7 bilhões disponíveis no SVR, poderá compor os R$ 55 bilhões necessários para cobrir o benefício.

Contudo, a legalidade dessa transferência está em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Até lá, os saques continuam sendo autorizados normalmente, mas o impasse pode afetar futuras políticas públicas.

Imagem: Marcello Casal Júnior/Agência Brasil

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