A liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, determinada pelo Banco Central do Brasil, gerou dúvidas imediatas entre clientes sobre a devolução de valores mantidos em contas digitais do Will Bank. Diferentemente do que ocorre em falências de bancos tradicionais, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não será responsável pelo reembolso desses recursos.
Reembolso do Will Bank não passa pelo FGC, entenda o que está por trás disso
Entenda por que o dinheiro no Will Bank não tem cobertura do FGC, como será a devolução após a liquidação e o que fazer agora.
A explicação está na natureza jurídica da instituição e no tipo de conta oferecida aos clientes, o que altera completamente o mecanismo de proteção e devolução do dinheiro.
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Por que o FGC não cobre os valores do Will Bank
O FGC protege depósitos e determinados produtos financeiros mantidos em bancos e instituições equiparadas, como contas correntes, poupança, CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso do Will Bank, o modelo era diferente.
Will Bank não era banco
Apesar do nome comercial, o Will Bank não operava como banco múltiplo ou banco comercial. A instituição fazia parte da Will Financeira S.A., classificada como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI).
Esse tipo de instituição é autorizado pelo Banco Central a conceder crédito e oferecer serviços financeiros específicos, mas não pode captar depósitos bancários tradicionais.
Contas de pagamento pré-pagas não têm garantia do FGC
As contas disponibilizadas aos clientes eram contas de pagamento pré-pagas. Essa modalidade, regulada pelo Banco Central, permite movimentações como pagamentos, transferências e uso de cartão, mas não é considerada depósito bancário.
Por esse motivo, o dinheiro mantido nessas contas não se enquadra nas regras de cobertura do FGC, que são restritas a produtos financeiros específicos.
Como será feita a devolução do dinheiro aos clientes
Embora não haja cobertura do FGC, isso não significa perda automática dos recursos. A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção para contas de pagamento.
Recursos ficam separados do patrimônio da instituição
De acordo com normas do Banco Central e da Lei nº 12.865/2013, os valores mantidos em contas de pagamento devem permanecer segregados do patrimônio da instituição financeira.
Na prática, isso significa que o dinheiro dos clientes não pode ser usado para pagar dívidas da empresa. Esses recursos ficam depositados no Banco Central ou aplicados em títulos públicos federais, o que garante lastro e rastreabilidade.
Pagamento será feito pelo liquidante nomeado pelo Banco Central
Com a liquidação da Will Financeira S.A., o Banco Central nomeou um liquidante responsável por administrar o processo. Esse profissional tem a função de:
- Levantar todos os valores devidos aos clientes
- Verificar saldos existentes nas contas de pagamento
- Definir o cronograma de devolução
- Executar os pagamentos conforme autorização do Banco Central
Os clientes receberão os recursos diretamente do liquidante, seguindo instruções oficiais que ainda serão divulgadas.
Existe prazo para receber o dinheiro do Will Bank?
Não há um prazo fixo definido em lei para a devolução de recursos mantidos em contas de pagamento em casos de liquidação.
O tempo necessário depende de fatores como:
- Organização das informações financeiras da instituição
- Auditoria e validação dos saldos
- Homologação das etapas pelo Banco Central
- Capacidade operacional do liquidante
Em situações semelhantes ocorridas no mercado brasileiro, o processo pode levar semanas ou até meses. Por isso, é fundamental acompanhar apenas comunicações oficiais do Banco Central ou do liquidante nomeado.
O que acontece com empréstimos, financiamentos e cartão de crédito
A liquidação da instituição do Will Bank não interrompe automaticamente as obrigações dos clientes que possuem contratos ativos.
Cobranças continuam válidas
Mesmo sob regime de liquidação, a Will Financeira S.A. continua autorizada a cobrar:
- Parcelas de empréstimos pessoais
- Financiamentos em andamento
- Faturas de cartão de crédito
Esses valores fazem parte do ativo da instituição e são usados para quitar obrigações durante o processo de liquidação.
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Pix do Will Bank foi desativado
As chaves Pix vinculadas ao Will Bank perderam validade após a retirada da instituição do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), administrado pelo Banco Central.
Isso significa que não é mais possível receber transferências via Pix usando dados vinculados à conta antiga, reforçando a necessidade de aguardar instruções oficiais para movimentação ou devolução de valores.
Como o cliente deve agir agora
Diante do cenário, algumas medidas são recomendadas:
- Acompanhar comunicados do Banco Central do Brasil
- Evitar intermediários ou promessas de antecipação de valores
- Guardar extratos, comprovantes e registros da conta
- Desconfiar de contatos não oficiais solicitando dados pessoais
O próprio Banco Central costuma divulgar atualizações em seu site e canais institucionais sempre que há avanços no processo de liquidação.
Diferença entre proteção do FGC e proteção legal das contas de pagamento
Embora o FGC seja mais conhecido, ele não é o único mecanismo de proteção existente no sistema financeiro nacional.
No caso das contas de pagamento, a segurança está na obrigação legal de segregação dos recursos, que impede que o dinheiro dos clientes seja misturado ao caixa da empresa.
Essa distinção explica por que, mesmo sem FGC, há expectativa de devolução dos valores, ainda que em prazos mais longos.
Conclusão
O dinheiro mantido em contas digitais do Will Bank não será devolvido pelo FGC porque a instituição não era um banco e operava com contas de pagamento pré-pagas, modalidade sem cobertura do fundo garantidor. Ainda assim, a legislação brasileira assegura a separação desses recursos do patrimônio da financeira, permitindo a devolução direta aos clientes pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
A ausência de um prazo definido exige paciência e atenção às comunicações oficiais, evitando desinformação e golpes. O caso reforça a importância de compreender o tipo de instituição financeira e a natureza das contas antes de manter valores elevados em qualquer plataforma.
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital
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