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Reembolso do Will Bank não passa pelo FGC, entenda o que está por trás disso

Entenda por que o dinheiro no Will Bank não tem cobertura do FGC, como será a devolução após a liquidação e o que fazer agora.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Will Bank

A liquidação da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, determinada pelo Banco Central do Brasil, gerou dúvidas imediatas entre clientes sobre a devolução de valores mantidos em contas digitais do Will Bank. Diferentemente do que ocorre em falências de bancos tradicionais, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não será responsável pelo reembolso desses recursos.

A explicação está na natureza jurídica da instituição e no tipo de conta oferecida aos clientes, o que altera completamente o mecanismo de proteção e devolução do dinheiro.

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Por que o FGC não cobre os valores do Will Bank

O FGC protege depósitos e determinados produtos financeiros mantidos em bancos e instituições equiparadas, como contas correntes, poupança, CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.

No caso do Will Bank, o modelo era diferente.

Will Bank não era banco

Apesar do nome comercial, o Will Bank não operava como banco múltiplo ou banco comercial. A instituição fazia parte da Will Financeira S.A., classificada como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI).

Esse tipo de instituição é autorizado pelo Banco Central a conceder crédito e oferecer serviços financeiros específicos, mas não pode captar depósitos bancários tradicionais.

Contas de pagamento pré-pagas não têm garantia do FGC

As contas disponibilizadas aos clientes eram contas de pagamento pré-pagas. Essa modalidade, regulada pelo Banco Central, permite movimentações como pagamentos, transferências e uso de cartão, mas não é considerada depósito bancário.

Por esse motivo, o dinheiro mantido nessas contas não se enquadra nas regras de cobertura do FGC, que são restritas a produtos financeiros específicos.

Como será feita a devolução do dinheiro aos clientes

Embora não haja cobertura do FGC, isso não significa perda automática dos recursos. A legislação brasileira prevê mecanismos de proteção para contas de pagamento.

Recursos ficam separados do patrimônio da instituição

De acordo com normas do Banco Central e da Lei nº 12.865/2013, os valores mantidos em contas de pagamento devem permanecer segregados do patrimônio da instituição financeira.

Na prática, isso significa que o dinheiro dos clientes não pode ser usado para pagar dívidas da empresa. Esses recursos ficam depositados no Banco Central ou aplicados em títulos públicos federais, o que garante lastro e rastreabilidade.

Pagamento será feito pelo liquidante nomeado pelo Banco Central

Com a liquidação da Will Financeira S.A., o Banco Central nomeou um liquidante responsável por administrar o processo. Esse profissional tem a função de:

  • Levantar todos os valores devidos aos clientes
  • Verificar saldos existentes nas contas de pagamento
  • Definir o cronograma de devolução
  • Executar os pagamentos conforme autorização do Banco Central

Os clientes receberão os recursos diretamente do liquidante, seguindo instruções oficiais que ainda serão divulgadas.

Existe prazo para receber o dinheiro do Will Bank?

Não há um prazo fixo definido em lei para a devolução de recursos mantidos em contas de pagamento em casos de liquidação.

O tempo necessário depende de fatores como:

  • Organização das informações financeiras da instituição
  • Auditoria e validação dos saldos
  • Homologação das etapas pelo Banco Central
  • Capacidade operacional do liquidante

Em situações semelhantes ocorridas no mercado brasileiro, o processo pode levar semanas ou até meses. Por isso, é fundamental acompanhar apenas comunicações oficiais do Banco Central ou do liquidante nomeado.

O que acontece com empréstimos, financiamentos e cartão de crédito

A liquidação da instituição do Will Bank não interrompe automaticamente as obrigações dos clientes que possuem contratos ativos.

Cobranças continuam válidas

Mesmo sob regime de liquidação, a Will Financeira S.A. continua autorizada a cobrar:

Esses valores fazem parte do ativo da instituição e são usados para quitar obrigações durante o processo de liquidação.

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Pix do Will Bank foi desativado

As chaves Pix vinculadas ao Will Bank perderam validade após a retirada da instituição do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), administrado pelo Banco Central.

Isso significa que não é mais possível receber transferências via Pix usando dados vinculados à conta antiga, reforçando a necessidade de aguardar instruções oficiais para movimentação ou devolução de valores.

Como o cliente deve agir agora

Diante do cenário, algumas medidas são recomendadas:

  • Acompanhar comunicados do Banco Central do Brasil
  • Evitar intermediários ou promessas de antecipação de valores
  • Guardar extratos, comprovantes e registros da conta
  • Desconfiar de contatos não oficiais solicitando dados pessoais

O próprio Banco Central costuma divulgar atualizações em seu site e canais institucionais sempre que há avanços no processo de liquidação.

Diferença entre proteção do FGC e proteção legal das contas de pagamento

Embora o FGC seja mais conhecido, ele não é o único mecanismo de proteção existente no sistema financeiro nacional.

No caso das contas de pagamento, a segurança está na obrigação legal de segregação dos recursos, que impede que o dinheiro dos clientes seja misturado ao caixa da empresa.

Essa distinção explica por que, mesmo sem FGC, há expectativa de devolução dos valores, ainda que em prazos mais longos.

Conclusão

O dinheiro mantido em contas digitais do Will Bank não será devolvido pelo FGC porque a instituição não era um banco e operava com contas de pagamento pré-pagas, modalidade sem cobertura do fundo garantidor. Ainda assim, a legislação brasileira assegura a separação desses recursos do patrimônio da financeira, permitindo a devolução direta aos clientes pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.

A ausência de um prazo definido exige paciência e atenção às comunicações oficiais, evitando desinformação e golpes. O caso reforça a importância de compreender o tipo de instituição financeira e a natureza das contas antes de manter valores elevados em qualquer plataforma.

Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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