O grupo Disney anunciou um acordo para encerrar um processo movido pela Federal Trade Commission (FTC), nos Estados Unidos, envolvendo privacidade de crianças no YouTube. Pelo acordo, a companhia pagará US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 54 milhões em conversão direta) e se compromete a revisar seus conteúdos publicados na plataforma de vídeos.
Coleta de dados no YouTube gera processo milionário contra Disney
Disney fecha acordo milionário com FTC por violar lei de privacidade infantil no YouTube e ajusta conteúdos.
A ação judicial se originou a partir de vídeos de contação de histórias do canal da Disney no YouTube, lançados a partir de 2020. Segundo a FTC, esses conteúdos foram erroneamente sinalizados como adequados para todas as idades, embora não fossem destinados especificamente ao público infantil. O descuido gerou coleta de dados não autorizada de usuários menores de idade, violando a Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA).
“A Disney tem uma longa tradição de adotar os padrões mais altos de concordância com leis de privacidade para crianças”, afirmou a companhia em nota oficial, reconhecendo o erro.
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O que motivou a multa da FTC

A acusação central da FTC aponta que, ao não sinalizar corretamente os vídeos como conteúdo infantil, a Disney permitiu a coleta de dados pessoais de crianças sem a devida autorização dos responsáveis legais.
No YouTube, essa classificação é feita no momento da publicação: o dono do canal deve escolher entre as opções “Sim, é conteúdo para crianças” ou “Não é conteúdo para crianças”. A escolha correta é crucial porque influencia diretamente restrições de anúncios e coleta de dados.
Por que a sinalização importa
Conteúdos marcados como somente para crianças no YouTube possuem diversas restrições:
- Proibição de anúncios personalizados, que coletam dados com base em histórico de navegação;
- Sem reprodução automática na página inicial;
- Interação limitada, sem cards, telas finais, comentários, chat ao vivo, botão “Doar” ou sino de notificação;
- Recursos de reprodução restritos, como “Salvar na playlist”, “Assistir mais tarde” e mini-player.
Essas medidas visam proteger crianças e garantir que a coleta de dados só ocorra com consentimento legal.
Precedente na indústria
O caso da Disney é histórico, pois marca a primeira vez que uma empresa foi penalizada por violar leis de privacidade infantil no YouTube desde as mudanças de 2019. Naquele ano, um processo anterior da FTC contra o YouTube resultou em pagamento de mais de US$ 150 milhões, estabelecendo padrões mais rígidos para a sinalização de vídeos infantis.
Especialistas afirmam que o caso da Disney pode influenciar outras empresas de mídia digital, reforçando a necessidade de compliance rigoroso e revisão constante de conteúdo voltado para crianças.
Medidas da Disney após o acordo
Além do pagamento da multa, a Disney se comprometeu a:
- Adequar o conteúdo do canal no YouTube à legislação vigente;
- Criar um comitê interno de revisão de vídeos, garantindo que futuras publicações estejam corretas quanto à classificação etária;
- Implementar processos de compliance para prevenir incidentes semelhantes no futuro.
O objetivo é garantir conformidade com a COPPA e prevenir sanções adicionais, reforçando a imagem da empresa como referência em responsabilidade digital.
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Como funciona a COPPA
A Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças foi criada para proteger menores de 13 anos nos Estados Unidos. Entre os principais pontos estão:
- Consentimento dos responsáveis legais para coleta de dados pessoais;
- Restrições em publicidade direcionada;
- Limitação de recursos de interação em plataformas digitais;
- Obrigatoriedade de transparência sobre dados coletados e uso posterior.
No contexto do YouTube, a legislação exige que o criador de conteúdo indique claramente a faixa etária para que a plataforma aplique restrições automáticas.
Impacto para empresas de mídia e tecnologia

O caso evidencia que empresas de conteúdo digital precisam de atenção rigorosa à classificação de vídeos infantis. O não cumprimento das normas pode resultar em:
- Multas milionárias;
- Processos regulatórios e judiciais;
- Danos à reputação;
- Alterações obrigatórias em conteúdo e operações.
Especialistas recomendam treinamento contínuo de equipes e sistemas de revisão automatizados, prevenindo erros que possam gerar penalidades semelhantes.
Com informações de: TecMundo
