A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou, na última segunda-feira (2), o Projeto de Lei 2012/24, que retira a exigência de frequência mínima de 80% para estudantes beneficiários do programa Pé-de-Meia, desde que residam em municípios em situação de calamidade pública.
Nova medida pode garantir pagamento do Pé-de-Meia a estudantes afetados por desastres; veja como funciona
Câmara aprova projeto que dispensa a frequência mínima de 80% no Pé-de-Meia para estudantes em áreas de calamidade pública. Medida beneficia alunos vulneráveis.
A proposta, apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), teve relatório favorável com substitutivo do deputado Maurício Carvalho (União-RO), mantendo a essência do projeto, mas com ajustes de redação. O objetivo é proteger os estudantes mais vulneráveis em tempos de crise, como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
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Um passo importante para a equidade educacional

Medida busca proteger estudantes em vulnerabilidade
A aprovação da proposta representa uma importante flexibilização das regras do programa Pé-de-Meia. O relator Maurício Carvalho destacou o impacto devastador das enchentes no Rio Grande do Sul, que afetaram 554 escolas e mais de 213 mil estudantes. “As famílias mais vulneráveis são as mais atingidas por situações extremas. Garantir a continuidade do benefício do Pé-de-Meia é essencial para apoiar esses jovens”, afirmou o parlamentar.
Segundo dados da Agência Brasil, os eventos climáticos de 2024 no estado gaúcho impactaram 2,3 milhões de pessoas, desalojando mais de 580 mil cidadãos. A destruição da infraestrutura escolar e a interrupção das aulas evidenciaram a necessidade urgente de medidas emergenciais na área da educação.
Conheça o programa Pé-de-Meia
Objetivo é reduzir a evasão escolar com incentivo financeiro
Instituído pela Lei 14.818/24, o Pé-de-Meia é uma política pública do governo federal que oferece uma espécie de poupança a estudantes do ensino médio da rede pública, inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).
Os alunos recebem depósitos mensais em conta poupança, vinculados à sua frequência escolar e participação em exames educacionais, como o Enem. O valor pode chegar a R$ 9.200 ao longo dos três anos do ensino médio, com parcelas específicas por matrícula, presença, aprovação e conclusão dos estudos.
De acordo com o Ministério da Educação, cerca de 2,5 milhões de estudantes já são beneficiários do programa em todo o país.
Condições para receber o benefício
Para ter acesso ao Pé-de-Meia, o estudante precisa:
- Estar matriculado no ensino médio público;
- Ter entre 14 e 24 anos;
- Estar inscrito no CadÚnico;
- Ter frequência escolar mínima de 80%;
- Participar de avaliações como o Enem e exames do Saeb.
A proposta aprovada flexibiliza justamente esse ponto da frequência, quando o município estiver oficialmente em situação de calamidade pública.
Financiamento do programa será ampliado
Câmara aprovou uso de recursos do FGO
Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou a utilização de até R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para o financiamento do programa Pé-de-Meia. A proposta, relatada pelo deputado Afonso Motta (PDT-RS), foi enviada ao Senado para análise.
A ampliação do financiamento reforça o compromisso do governo com o combate à evasão escolar, sobretudo entre estudantes de baixa renda.
Próximos passos na tramitação do projeto

Texto segue para a CCJC antes de ir ao Senado
O Projeto de Lei 2012/24 tramita em caráter conclusivo na Câmara, o que significa que, se aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), poderá seguir diretamente para o Senado, sem necessidade de votação em plenário, salvo se houver recurso.
A votação na Comissão de Educação foi comemorada por parlamentares nas redes sociais. A Câmara destacou a importância da medida para garantir o direito à educação mesmo em momentos de crise.
Impacto social e político
Proposta responde a realidades emergenciais
A dispensa da frequência mínima para estudantes do Pé-de-Meia atende a uma demanda crescente por políticas públicas mais flexíveis e adaptadas a contextos emergenciais.
Além do Rio Grande do Sul, outras regiões do Brasil têm enfrentado desastres naturais nos últimos anos. Alagamentos em cidades como Recife (PE) e deslizamentos em áreas montanhosas do Sudeste têm comprometido a permanência de jovens na escola.
A autora da proposta, deputada Tabata Amaral, tem se destacado por seu trabalho em defesa da educação. Já relatorias anteriores de sua autoria buscaram modernizar o ensino médio e ampliar o acesso de jovens de baixa renda à universidade.
Educação como ferramenta de inclusão
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Parlamentares reforçam o papel social do programa
A deputada Tabata Amaral reiterou que a aprovação da medida é um passo importante para garantir que o Pé-de-Meia continue beneficiando quem mais precisa. “A educação é a ferramenta mais poderosa de transformação social. Não podemos permitir que crises naturais prejudiquem ainda mais os jovens em vulnerabilidade”, afirmou.
Já o deputado Maurício Carvalho reforçou que a proposta contribui para o fortalecimento de uma política pública sensível às dificuldades dos brasileiros em tempos de emergência.
O desafio da reconstrução escolar
Especialistas apontam caminhos complementares
Consultados pelo G1, especialistas em educação alertam que a flexibilização da frequência deve vir acompanhada de políticas complementares. Entre as sugestões estão:
- Investimento na reconstrução de escolas danificadas;
- Apoio psicossocial a alunos afetados;
- Reforço escolar para compensar perdas de aprendizagem.
A reconstrução das escolas no Rio Grande do Sul, por exemplo, ainda está em andamento. Segundo o Brasil de Fato, o governo federal destinou recursos para recuperação da infraestrutura educacional desde o início de 2025.
Caminho para a consolidação da medida

Tramitação no Senado será determinante
A proposta ainda precisa passar pela CCJC e, posteriormente, pelo Senado. Só após essas etapas é que poderá ser sancionada como lei. A expectativa é que a medida ganhe apoio entre os senadores, diante do apelo social e do contexto emergencial vivido por milhares de estudantes.
Enquanto isso, o programa Pé-de-Meia segue como uma das principais apostas do governo federal no enfrentamento da evasão escolar. A iniciativa alia política social e incentivo à educação, promovendo inclusão e justiça social em uma das etapas mais delicadas da formação educacional: o ensino médio.
Conclusão
A aprovação do Projeto de Lei 2012/24 na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados representa um avanço na proteção dos direitos educacionais de estudantes em situação de vulnerabilidade. Ao flexibilizar a regra de frequência do programa Pé-de-Meia em contextos de calamidade pública, a medida reconhece as dificuldades enfrentadas por milhares de jovens e oferece uma resposta concreta à exclusão escolar.
A iniciativa de Tabata Amaral, somada ao apoio de parlamentares como Maurício Carvalho, reflete o compromisso do Legislativo com a educação pública de qualidade e com a construção de um país mais justo e resiliente. Agora, cabe ao Senado dar sequência à proposta e assegurar que, mesmo diante das tragédias, a educação continue sendo uma prioridade inegociável.
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