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Produção de carnes surpreende em 2025, mas deve recuar em 2026; entenda

Brasil deve atingir recorde histórico de 105 kg de carnes per capita em 2025, segundo a CONAB, com avanço do frango e queda da bovina. Veja as projeções.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Carnes

O consumo de carnes no Brasil está passando por uma transformação profunda e histórica. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a disponibilidade interna per capita das principais proteínas animais deve alcançar em 2025 o maior patamar já registrado: pouco mais de 105 kg por habitante. Trata-se de um volume que não apenas supera o recorde anterior, de 2024, como também reposiciona a importância relativa das carnes bovina, suína e de frango na mesa do consumidor brasileiro.

Além de indicar mudanças estruturais no mercado alimentício nacional, esses dados reforçam as tendências de substituição de proteínas, variação de preços, capacidade produtiva e impacto direto da renda das famílias sobre sua alimentação. Em 2026, porém, o avanço deve perder força com uma leve redução no volume total disponível.

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Disponibilidade recorde em 2025

Avanço de 0,13% sobre o recorde anterior

A disponibilidade interna de carnes no Brasil deve atingir 105 kg per capita em 2025, crescimento de 0,13% em relação ao recorde anterior, registrado em 2024. Embora o aumento pareça sutil, ele é significativo porque consolida uma trajetória de alta iniciada nos últimos anos, mesmo diante de oscilações econômicas e sanitárias.

Comparação histórica com os anos 2000

Quando comparado ao início dos anos 2000, o número impressiona ainda mais. Naquele período, o total disponível era 27 kg menor, o que significa um salto superior a um terço em pouco mais de duas décadas. O dado evidencia não apenas o crescimento populacional, mas sobretudo o aumento expressivo da capacidade de produção e da eficiência das cadeias de carne no Brasil.

A virada na liderança: o domínio do frango em 2025

Composição do consumo per capita

Segundo a CONAB, a distribuição da disponibilidade per capita de carnes em 2025 será:

  • Carne de frango: 47,5%
  • Carne bovina: 33,3%
  • Carne suína: 19,2%

A participação majoritária da carne de frango marca uma mudança histórica no hábito alimentar do brasileiro. Antes vista como alternativa mais barata à carne bovina, o frango consolidou-se como principal fonte de proteína animal no país.

Como era no ano 2000

Em 2000, o cenário era muito diferente:

  • Carne bovina liderava com 44,7%
  • Carne de frango tinha 37,4%
  • Carne suína representava 17,8%

Ou seja, em 25 anos, o Brasil assistiu a uma redução de 25,6% na participação da carne bovina, ao mesmo tempo em que o frango cresceu 27% e a suína aumentou 7,7%.

Por que o frango ganhou força?

Fatores econômicos

O principal motivo é o preço. Nos últimos anos, a carne de frango manteve valores mais estáveis e previsíveis para o consumidor, enquanto a carne bovina sofreu forte pressão inflacionária.

Fatores produtivos

O ciclo de produção do frango é curto, o que permite ajustes rápidos e maior capacidade de resposta a mudanças no mercado interno e externo.

Fatores nutricionais

O frango também é percebido como uma alternativa mais saudável, com menor teor de gordura, o que ampliou seu apelo.

A carne bovina perde terreno

Retração na participação

A carne bovina, apesar de ainda representar um terço do total disponível, perdeu espaço considerável ao longo dos últimos 25 anos. O recuo de 25,6% reflete desafios enfrentados pelo setor, como:

  • maior custo de produção
  • volatilidade no preço dos grãos usados na alimentação do gado
  • exportações crescentes
  • altos preços ao consumidor
  • questões climáticas que impactam pastagens

Mesmo assim, o Brasil segue como exportador relevante

Apesar da redução no mercado interno, a bovinocultura brasileira mantém protagonismo internacional. O país continua entre os maiores exportadores de carne bovina do mundo, o que reduz parte da oferta doméstica e reforça o encarecimento do produto.

Carne suína: estabilidade com tendência de crescimento

A carne suína tem mostrado crescimento gradual e constante. O aumento de 7,7% na participação per capita desde 2000 demonstra a ampliação da aceitação do produto entre os consumidores brasileiros.

Motivos para o avanço

  • melhora nas técnicas de produção e manejo
  • produtos industrializados mais acessíveis
  • desmistificação de tabus antigos relacionados ao consumo
  • diversificação de cortes e preparo

Apesar de continuar como a menor fatia entre as três proteínas, sua evolução é consistente.

Projeções para 2026: leve recuo no total, mas avanço para frango e suíno

Queda estimada de 0,9% no volume total

Para 2026, as estimativas iniciais da CONAB apontam uma disponibilidade per capita de 104,3 kg, representando uma queda inferior a 1%. Esse recuo é associado principalmente ao desempenho negativo da carne bovina, cuja produção deve cair 4,3% no ano.

Frango e suíno devem crescer

Embora a carne bovina recue, as carnes de frango e suína devem apresentar crescimento:

  • Frango: aumento de 2,3% na produção
  • Suína: crescimento de 4,5%

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Mesmo considerando o aumento das exportações — 0,9% para o frango e 8,2% para o suíno — a disponibilidade interna per capita deve subir 2,6% e 3%, respectivamente.

Isso reflete não apenas a força produtiva de ambos os setores, mas também a permanente demanda doméstica.

O que esses números revelam sobre o consumo de carnes no Brasil

Mudança estrutural e permanente

O crescimento sustentado do frango como principal proteína consumida mostra que a mudança de hábito alimentar do brasileiro é estrutural. Não se trata de um movimento pontual causado por crises ou inflação, mas sim de uma adaptação cultural, econômica e prática.

A renda das famílias ainda é decisiva

Apesar da melhora econômica recente, a carne bovina permanece mais sensível à renda média da população. Em momentos de retração econômica, seu consumo é o primeiro a cair. Já o frango responde mais rapidamente ao poder de compra e mantém estabilidade mesmo em cenários incertos.

O papel das exportações

O Brasil é um grande player internacional em carnes. Quanto mais o país exporta, menor é o volume disponível internamente. Isso é especialmente verdade para a carne bovina, cuja demanda externa tem aumentado.

Impacto no mercado alimentício e na indústria

Indústria de processamento segue em expansão

Com o aumento da disponibilidade de frango e suíno, a indústria de produtos processados também cresce. Itens como embutidos, empanados, cortes resfriados e congelados ganham espaço no varejo e na alimentação fora de casa.

Varejo se adapta com promoções e diversidade de cortes

Supermercados e açougues expandiram a variedade de cortes de frango e suínos para atender à nova demanda. O objetivo é fidelizar consumidores que migraram da carne bovina por preço e valor nutricional.

Produtores precisam investir em eficiência

A bovinocultura enfrenta o maior desafio. Para reduzir preços e aumentar competitividade, produtores devem adotar técnicas que aumentem produtividade sem elevar custos, como manejo intensivo, genética aprimorada e nutrição mais eficiente.

Conclusão

As projeções da CONAB para 2025 e 2026 mostram um cenário de grande transformação no consumo de carnes no Brasil. O recorde histórico de 105 kg per capita em 2025 revela não apenas aumento produtivo, mas principalmente mudanças no padrão alimentar dos brasileiros, que hoje privilegiam proteínas mais acessíveis e versáteis, como o frango.

A carne bovina perde espaço, mas mantém relevância econômica e exportadora. Já a carne suína continua em trajetória de crescimento, impulsionada pela diversificação do consumo e melhorias na produção.

O ano de 2026 deve trazer uma leve redução no volume total disponível, mas com aumento contínuo das carnes de frango e suína, consolidando uma mudança estrutural no consumo nacional.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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