A crescente tensão entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcada por declarações públicas e trocas de farpas, está criando um ambiente desfavorável para o Brasil nas negociações comerciais com os Estados Unidos. A avaliação é de Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, que destacou nesta segunda-feira (14), em entrevista ao programa Mercado Aberto, que o embate político tem atrapalhado avanços diplomáticos importantes.
Lula é aconselhado a adotar postura diplomática e evitar disputa pública com eua, diz analista
Disputa pública entre Lula e Trump prejudica negociações comerciais. Especialista defende solução técnica e diplomática para o Brasil.
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Conflito de estilos e impacto nas negociações

Segundo Aragão, tanto Lula quanto Trump são figuras políticas que “amam as câmeras e os microfones”, o que acaba contribuindo para a escalada de uma disputa pública que deveria estar sendo conduzida em níveis técnicos e silenciosos. Para ele, esse tipo de exposição compromete diretamente o progresso das negociações bilaterais.
“Lula está jogando com a paciência”
“O Lula está jogando com a paciência. O mecanismo chave para ele é não deixar essa disputa pública”, afirmou o analista. Ele considera que o presidente brasileiro tem interesse em mostrar firmeza diante de seu eleitorado interno, mas que isso pode custar caro nas mesas de negociação com autoridades norte-americanas.
O impacto das tarifas norte-americanas
A tensão entre os dois países ganhou força com a decisão de Donald Trump de aplicar tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, especialmente commodities agrícolas como carne bovina e aço. A justificativa de Trump, segundo sua equipe, seria proteger o mercado interno dos EUA e reequilibrar o déficit comercial com o Brasil.
Exportações em risco
Com as novas tarifas, diversos setores da economia brasileira, especialmente o agronegócio e a indústria de base, viram suas margens de exportação comprometidas. Há risco de perda de competitividade para produtos brasileiros frente aos concorrentes de outros países.
Cadeia produtiva pode sofrer
O impacto não se limita às exportadoras. A cadeia produtiva, que inclui transportadoras, frigoríficos, cooperativas e pequenas indústrias, também pode sofrer reflexos diretos com a diminuição da demanda internacional por produtos brasileiros.
Solução está na diplomacia, diz analista
Para Thiago de Aragão, a melhor forma de resolver esse impasse é evitar o embate político e adotar uma estratégia técnica, conduzida pelo Itamaraty, com foco em soluções pragmáticas que atendam aos interesses do país.
Atuação do Itamaraty é essencial
“A diplomacia precisa assumir o protagonismo. O Brasil tem um corpo técnico qualificado no Ministério das Relações Exteriores, e esse é o momento de usar a força institucional do Itamaraty para retomar o diálogo em outro nível”, afirmou.
Ele defende que negociações comerciais devem ser blindadas do discurso político e que a condução técnica é o caminho para preservar a relação com um dos maiores parceiros econômicos do Brasil.
Brasil precisa evitar armadilhas políticas
O cenário internacional, segundo analistas, é cada vez mais instável. Com a possível volta de Donald Trump à presidência dos EUA em 2025, após as eleições norte-americanas, cresce a necessidade de o Brasil manter canais abertos com diferentes grupos políticos no país vizinho.
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Polarização política internacional
“Se o Brasil alinhar sua estratégia apenas ao campo político ideológico, corre o risco de ser penalizado quando os ventos mudarem em Washington”, alertou Aragão. Para ele, a neutralidade pragmática deve ser o norte da política externa brasileira.
Histórico de embates entre os dois líderes
O embate entre Lula e Trump não é recente. Desde os primeiros mandatos de ambos, a relação sempre foi marcada por tensões. Enquanto Lula adota um discurso progressista e multilateral, Trump tem uma postura protecionista e nacionalista.
Clima tenso em fóruns internacionais
Encontros em fóruns multilaterais, como o G20 ou a Assembleia Geral da ONU, também já foram palco de alfinetadas indiretas entre os dois líderes. Isso tem refletido em dificuldades para construção de agendas comerciais comuns e cooperação em temas como meio ambiente e segurança alimentar.
Especialistas pedem cautela ao Planalto

Diante do cenário, especialistas em relações internacionais e comércio exterior recomendam uma mudança de postura no Planalto. O recado é claro: menos discurso político e mais negociação técnica.
Estratégia deve ser de longo prazo
A recomendação é que o governo invista em estratégias de longo prazo, que envolvam não apenas o Executivo, mas também o Congresso, o setor produtivo e entidades de comércio exterior, para construir pontes sólidas com os EUA independentemente de quem esteja na Casa Branca.
